sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

‘Inevitavelmente, a sociedade terá de se abrir mais para o debate das drogas’

Mais uma vez, o ano da cidade de São Paulo começa com uma operação do poder público na Cracolândia. No entanto, contrariamente à famigerada operação “dor e sofrimento” empreendida pelo governo estadual tucano, nos inícios de 2012, o programa Braços Abertos, da prefeitura petista de Fernando Haddad, aparece com uma nova proposta de relação e tratamento com os dependentes, tentando oferecer condições de inseri-los socialmente ao mesmo tempo em que se tenta administrar a dependência química.

Gabriel Brito
Para discutir o programa recém-lançado, o Correio da Cidadania entrevistou omédico psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Unifesp e conhecido nos debates e propostas anti-proibicionistas, que vão na direção contrária da doutrina de guerra às drogas – cada vez mais contestada e desmistificada.
“Penso que a proposta da prefeitura é a única que tem alguma fundamentação. Embora seja uma inovação, em termos de Brasil, já foi testada em vários países de ponta e é a única coisa que funciona. Internação compulsória é uma situação de artificialidade”, explica Dartiu, que não tem dúvidas em ressaltar o fracasso do modelo anterior, algo já reconhecido inclusive por quem o elaborou, isto é, os EUA.
“Na verdade, o que vemos na Cracolândia é que o uso de drogas não é necessariamente maior do que em outros grupos. O que choca é por ser na população de rua, o que tem muita visibilidade”, afirma, indicando que ainda teremos de discutir mais abertamente a relação de toda a sociedade, ou ao menos boa parte dela, não só com o crack, mas também com diversas outras drogas, consumidas em todas as escalas socioeconômicas.
Correio da Cidadania: Primeiramente, como você avalia o programa Braços Abertos, recentemente lançado pela prefeitura de São Paulo, cujo objetivo é interferir no cotidiano da população da Cracolândia? Trata-se de uma derrota da ideia da “internação compulsória”?
Dartiu Xavier da Silveira: Penso que a proposta da prefeitura é a única que tem alguma fundamentação. Embora seja uma inovação, em termos de Brasil, já foi testada em vários países de ponta e é a única coisa que funciona.
Internação compulsória é uma situação de artificialidade. Tira-se o indivíduo da rua e ele fica preso, o que na verdade é um modelo mais carcerário do que de tratamento de saúde. Enquanto está preso, é claro que não usa droga. Mas, quando volta pra sua vida, com todos os problemas, há a recaída. Mais de 90% recaem.
A internação compulsória é artificial, pois é preciso melhorar as condições básicas da vida do usuário. Mesmo porque na Cracolândia, e em outros lugares, as pessoas não chegaram àquela situação de miséria social por causa da droga. Chegaram naquela situação por falta de acesso à moradia, trabalho, educação, saúde...
E em situações de tanta vulnerabilidade social, favorece-se o uso das drogas. Mas ele é consequência. E a proposta do Braços Abertos busca atingir a causa do problema, e não só uma consequência, um desdobramento, como no caso do uso da droga.
Correio da Cidadania: Alguns analistas, mesmo reconhecendo os avanços dessa atual abordagem, não deixam de considerar que se trata ainda de medidas um tanto autoritárias, pois não resultaram de uma interação efetiva com a população, avaliando mais profundamente suas aspirações e condição física. Com o que os resultados finais acabarão incidindo sobre a ‘limpeza da cracolândia’, apenas de forma menos arbitrária. O que pensa disto?
Dartiu Xavier da Silveira: O programa não é nem um pouco truculento, pois ninguém é obrigado a fazer nada, nada é arbitrário ou coercitivo. Não dá pra comparar com internação compulsória ou justiça terapêutica.
Internação compulsória e justiça terapêutica são afrontas aos direitos humanos, cerceiam a liberdade individual e o direito de ir e vir. Violam garantias constitucionais.
Correio da Cidadania: O que pensa a respeito da ação da polícia civil, que fez incursão pelas ruas dessa conhecida zona de consumo e tráfico de drogas, de forma inesperada e violenta?
Dartiu Xavier da Silveira: Aquilo é ostensivo... Sabendo da proposta do programa Braços Abertos, foi de encontro total à operação da prefeitura. Eu entendo como boicote, um boicote civil.
Fala-se que a polícia civil teria entrado em cena porque a operação Braços Abertos teria ameaçado a lucratividade do tráfico. Muita gente que lucra com isso por ali no centro se incomodou, pois está ameaçada de ganhar menos dinheiro.
É o que se fala. Se for verdade, caímos nas velhas histórias de corrupção.
Correio da Cidadania: Acredita que tal situação esteja, mesmo involuntariamente, protagonizando um choque de interesses políticos entre distintas correntes e partidos?
Dartiu Xavier da Silveira: Não sei se chega a ser assim, porque na verdade sabemos que a política do Estado é diferente da política da prefeitura. A política do Estado é coercitiva, repressiva, baseada em modelos já ultrapassados.
Pra se ter uma ideia, esse modelo defendido pelo governo estadual é praticado apenas em países tradicionalmente afrontosos aos direitos humanos, basicamente China e países islâmicos, ou seja, fundamentalistas. Hoje em dia, nem os EUA, com seu passado de “guerra às drogas”, aceitam mais tal tipo de política pública.
Correio da Cidadania: O que pensa a respeito da repercussão social e especialmente midiática da operação lançada pela prefeitura?
Dartiu Xavier da Silveira: Dei muitas entrevistas nessas últimas semanas e o que me incomodou um pouco foi que a maioria dos jornalistas já tinha uma opinião prévia e formada. Assim, eu tinha de desconstruí-las, porque eles já tinham uma visão negativa a respeito de uma política do tipo. Desse modo, vejo que a mídia tem uma tendência mais reacionária. Apesar disso, creio que está reagindo bem. Algumas matérias são muito boas, outras são francamente reacionárias.
Já no público, acho que a ideia da prefeitura é bem aceita. Inclusive na Cracolândia, a população responde muito favoravelmente. Eles veem que aquela postura mais repressiva e agressiva fomenta muita violência. Agora há uma postura de colaboração, e a população está vendo de forma bem favorável.
Correio da Cidadania: Que políticas você pensa que poderiam ser de fato efetivas para lidar com uma situação como a da Cracolândia, especialmente no que se refere à dependência química, de modo geral? Como o sistema de saúde pode ser inserido nessa questão?
Dartiu Xavier da Silveira: Embora a iniciativa tenha saído da Secretaria do Trabalho, a proposta do Braços Abertos, nasceu no campo da saúde, foi uma ideia da saúde. Porque já se constatou que, embora exista um sistema de saúde muito interessante (o sistema CAPS-AD - Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas -, o que há de mais eficiente hoje em dia), ficava-se enxugando gelo. Não basta abordar o indivíduo pelo ponto de vista médico e psicológico se ele não tem onde morar, tomar banho, comer, trabalhar... Portanto, a lógica é essa.
Correio da Cidadania: Em que estágio acredita estarmos, no contexto nacional, em termos de tratamento da dependência química e também a maneira como a sociedade convive com essa realidade?
Dartiu Xavier da Silveira: Eu acho que nossa sociedade é bastante reacionária. Ficamos muito tempo copiando o modelo de guerra às drogas, um modelo lançado na década de 70 pelos EUA. Na década de 90, os EUA fizeram uma série de pesquisas e constataram que era tudo falho, que o programa de guerra às drogas não valia nada.
Inclusive, saiu uma avaliação muito criteriosa em 1991, dizendo “guerra ás drogas é uma ilusão. Não funciona pra coibir uso, dependência, não funciona pra nada”.
Apesar dessa mudança de postura, o Brasil continuou a copiar o modelo, que ainda tem prestígio por aqui. Existe uma mudança nos últimos anos, uma tendência de se abrir mais ao modelo europeu, que é mais eficaz e vai no sentido da redução de danos.
Porém, ainda há muita resistência aqui, justamente por conta da postura reacionária de nossa sociedade.
Correio da Cidadania: Acredita que essa experiência possa ajudar na introdução de um debate mais aberto a respeito da legalização e controle de consumo de certas drogas, inclusive outras que não a maconha?
Dartiu Xavier da Silveira: Acho que tudo que está se levantando são coisas que inevitavelmente teremos de debater. O mundo inteiro está debatendo e não vamos ficar pra trás, né? Nosso vizinho já legalizou a maconha, não podemos fingir que nada está acontecendo.
O programa Braços Abertos não tem uma proposta de legalização, longe disso. Mas claro que levanta uma série de questões. Não adianta forçar uma pessoa a não usar drogas. Assim, não se está ajudando a pessoa a resolver seu problema de dependência. É isso que o programa está demonstrando. Quer ajudar? Precisa oferecer trabalho, moradia, qualidade de vida. Assim que se ajuda a pessoa a administrar sua relação com as drogas.
Correio da Cidadania: Você enxerga mais feridas a se tocar, na relação da sociedade com as drogas?
Dartiu Xavier da Silveira: Creio que sim. Penso que inevitavelmente cairemos nisso. Na verdade, o que vemos na Cracolândia é que o uso de drogas não é necessariamente maior do que em outros grupos. O que choca é por ser na população de rua, o que tem muita visibilidade. Mas as pessoas que estão nos bairros ricos de São Paulo, em seus apartamentos, cheirando cocaína ou fumando maconha, não têm visibilidade. Ficam como população escondida, anônima, e grande parte delas não é dependente, é apenas usuária da droga. No entanto, quando se vê o usuário de droga na rua, ele já recebe o rótulo de dependente.
Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

"Não acredito muito na disciplina".


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Defende que os filhos durmam na cama dos pais e que se dê o máximo de colo às crianças. É contra os castigos e a imposição de limites. O pediatra espanhol Carlos González relembra os instintos básicos de todos os pais.

Redação

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Há livros, sites, palestras e grupos de apoio para ajudar quem quer amamentar. As mães já não sabem dar de mamar? 
As mães sabem dar de mamar. O problema é que, há mais de um século, os profissionais lhes dão informações erradas. Durante milhares de anos, as mães deram mama seguindo os seus instintos ou com a ajuda das suas mães e avós. Agora, as mães desconfiam dos seus instintos porque ouvem pessoas que lhes dizem coisas sem sentido. Dizem-lhes para não dar mama, para não dar mama de noite, para não pegar o bebé ao colo. E como muitas avós já não deram peito não podem ajudá-las.

Então, não conseguem mesmo dar de mamar sozinhas?
Sim, mas saberiam facilmente se as deixassem em paz. É claro que as mães precisam de informação – desde que correcta – e é bom que durante a preparação para o parto recebam informação adequada. Mas o mais importante é que não haja obstáculos à amamentação, que nos hospitais não separem o bebé da mãe, que não dêem biberões e chupetas ao bebé, que não digam à mãe «tens que dar mama de três em três horas» ou «só podes dar mama durante 10 minutos». Têm de deixá-las em paz. Mesmo assim, é natural que algumas mães tenham dificuldades e essas precisarão de apoio.

Amamentar pode ser muito cansativo. É preciso acordar à noite, por vezes mais do que uma vez, para dar de mamar, ir trabalhar no dia seguinte e conciliar isso com todas as outras coisas que uma recém-mãe tem de fazer.
Ir trabalhar no dia seguinte a seguir a dar de mamar durante a noite é que é cansativo. Hoje em dia, está a dizer-se às mães que primeiro é preciso obedecer ao patrão. E o patrão tem direito a obrigá-la entrar à hora certa e a chamar-lhe a atenção se se atrasa cinco minutos. Se um bebé chama a mãe e, por ela demorar cinco minutos, começa a chorar, dizem que é um mal-educado porque não sabe esperar. Claro que não sabe esperar, não compreende que a mãe tem outras coisas para fazer.
O problema é que pomos as necessidades das mães e das crianças no final das prioridades. O trabalho é cansativo, tem de fazer-se entre determinadas horas e não se pode falhar. Além disso, é preciso fazer muitas outras coisas. Mas ninguém diz às mães para não passarem a roupa a ferro ou para não fazerem o jantar, por exemplo. Em vez disso, dizem-lhes para não pegar no bebé ao colo ou para não ligar quando ele chora. Mas isso é que não se pode deixar de fazer. Se não passarem a roupa a ferro não acontece nada. Mas quando o bebé chora quer dizer que se passa alguma coisa.
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Ainda se fala muito em horários para dar de mamar. Mas a maioria dos bebés não cumpre um horário regular…
A maioria dos bebés mama umas 10 vezes por dia. Mas também pode mamar 8, 10 ou 12. É normal mamar um pouco, soltar a mama e, passado um pouco, voltar a mamar. Não deve haver horas marcadas para dar mama, o bebé é que decide. Mas se um bebé mama 25 vezes por dia, às vezes está uma hora ao peito e passa o dia a chorar pode ser sinal de que não está a mamar bem. Pode, por exemplo, não estar a pegar bem na mama. Neste caso, a mãe precisa de ajuda de um grupo de mães, de uma enfermeira ou de um pediatra que perceba de amamentação.

O normal é os bebés não terem regras para mamar?
Sim. Quer dizer, os bebés não mamam de três em três horas ou de quatro em quatro horas, mas também não mamam de hora a hora ou de duas em duas horas. Normalmente, um bebé mama três ou quatro vezes muito seguidas e depois pode dormir várias horas consecutivas.

Ainda há muito a ideia de que os bebés só comem e dormem. De onde vem esta ideia?
Não sei. Eu acho estranho que as mães digam «tenho um bebé muito bom, só come e dorme», mas que nenhuma mãe diga «tenho um marido muito bom, só come e dorme». Não é bom só comer e dormir. Isso não é ser bom. Usamos classificações morais erradas para os bebés. Um adulto é mau quando mata, quando rouba, mas um bebé é mau quando chora. Não tem lógica. Isso não é ser mau, é ter instinto.
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Mas por que é que os pais só querem que os filhos durmam e comam?
Há uma pressão social muito grande. Exige-se à mãe que vá trabalhar, mas como pode a mãe trabalhar se o filho precisar muito dela? Então queremos um bebé que não precise da mãe, um bebé que possamos deixar no berço e só ir lá buscá-lo quando nos der jeito. Isto é irreal, os bebés não são assim. Os bebés precisam de atenção, precisam de contacto, precisam de pessoas que lhes dispensem 24 horas por dia.

O seu livro chama-se “Bésame mucho, como criar os filhos com amor”. Brazelton também defende que o primeiro instrumento para criar os filhos é o amor, mas seguido da disciplina. Na sua opinião, onde entra a disciplina?
Não acredito muito na disciplina. O problema da disciplina é que há muitas interpretações para o conceito. Com algumas dessas interpretações eu estaria de acordo, embora não lhe chamasse disciplina.
Mas com outras interpretações não estou nada de acordo. Isto é um problema, porque quando se fala em disciplina cada pessoa entende uma coisa diferente. Por exemplo, se eu estivesse aqui com o meu filho, deixaria que ele pintasse o sofá com um marcador? Claro que não. Mas deixaria que corresse por aqui? Claro que sim. Não estaria sempre a dizer «está quieto». Há coisas que uma criança pode fazer e outras que não pode. Mas não estou de acordo com as pessoas que dizem que temos de proibir coisas para as crianças aprenderem. Em Espanha há um livro que se chama «O não que ajuda a crescer». Quando eu digo a uma criança para não estragar uma coisa, estou a ensinar-lhe a não estragar essa coisa. Mas algumas pessoas acreditam que ao dizer-se «não» está a ensinar-se a criança a controlar-se, a obedecer, a ter disciplina. Dizem que é importante pôr-lhe regras, pôr-lhe limites. Porquê? Elas não precisam de limites porque já os têm.
Como assim?
Há vários livros que ensinam os pais a pôr limites aos seus filhos. Mas alguém acredita que uma mãe ou um pai deixe, por exemplo, o filho beber lixívia porque não sabe pôr-lhe limites? É preciso comprar um livro para saber que não se pode deixar uma criança beber lixívia? Todos os pais sabem. Então o que ensinam esses livros? Ensinam a proibir coisas às crianças porque sim. Ou seja, a criança quer fazer uma coisa que não é má, que não prejudica ninguém, que não custa dinheiro, que não faz mal ao ambiente, uma coisa que eu tenho tempo para lhe dar, que eu lhe posso dar. Mas eu vou dizer-lhe «não» porque há um livro que diz que é preciso pôr limites às crianças dizendo «não». Se se pode dizer que sim, diga-se que sim.

Deve dizer-se que sim a uma criança sempre que possível?
Deve dizer-se sim quando se acha que se pode dizer que sim e não quando se acha que se deve dizer não. Como se faz com todas as outras pessoas e não é preciso comprar um livro que ensine isso. Ninguém acredita que seja bom para um adulto ter limites. Temos limites, obviamente. Uns gostavam de ganhar mais, outros gostavam de passar férias nas ilhas Seicheles, ou ter um carro maior e ninguém diz «ainda bem que tenho limites, são bons para mim porque cresço como pessoa». Pelo contrário, tentamos superar os limites. Então por que acreditamos que para as crianças são bons? Se uma criança tem nota três numa disciplina e justifica dizendo que é o seu limite, os pais dizem que não pode ser, dizem-lhe que estude mais para ter um cinco. Nenhum pai quer que o filho fracasse. Então para que se empenham em dizer que não, em pôr-lhes limites, em dar-lhes disciplina? Se, afinal, os pais querem que ele consiga sempre ter o que deseja? Se a criança quiser brincar com este papel, se quiser estar ali em vez de estar aqui, por que não deixá-la? Se queremos que, pela vida fora, os nossos filhos consigam fazer tudo o que querem temos de educá-los para levar a sua avante, para fazer o que lhes apetece, desde que isso não prejudique ninguém.
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Às vezes, é difícil convencê-los de que não podem fazer alguma coisa, mesmo quando isso prejudica alguém.
Por exemplo, se a criança quer atirar uma coisa pela janela. Não vou deixar, claro. Mesmo que proteste, que chore. É igual. Não vou deixar jamais. Mas não vou dizer-lhe «não e não», a gritar, e deixá-la a chorar sozinha. Digo-lhe: «Não podemos mandar coisas pela janela, mas podemos brincar com este jogo». Mas, imaginemos que o meu filho me pede um gelado e eu não quero dar-lhe um gelado porque tem açúcar ou porque faz mal aos dentes. Se o meu filho desata a chorar, atira-se para o chão, bate com a cabeça na parede. Bem, então dou-lhe o gelado. E não é mau mudar de opinião. Digo-lhe: «Não sabia que te apetecia tanto um gelado». E nenhum pai perde autoridade por isso. Franco e Salazar nunca mudaram de opinião. Agora os governos mudam de opinião. Dizem uma coisa, há manifestações na rua, mudam de opinião. E as pessoas preferem este governo. Antes, tinham medo, mas não tinham respeito.
Os pais ensinam os filhos com os seus exemplos. Se dizem que não, a gritar, estão a ensinar-lhes a ser inflexíveis. Se dizem, com maus modos «se queres a porcaria do gelado toma lá o gelado», estão a ensinar-lhes a ser vingativos. Se dizem «se queres tanto um gelado, eu dou-to, mas não podes abusar, é um e nada mais», estão a ensinar-lhes a ser razoáveis, a negociar.

Mesmo assim, há crianças que acabam por dominar os pais. Chamam-lhes crianças tiranas ou crianças ditadoras.
Os pais é que são tiranos. Uma criança levanta-se de manhã, à hora que os pais a acordam, vai ao colégio que os pais escolheram, veste a roupa que os pais compraram. E por aí adiante. E, na maioria das vezes, a criança fazem tudo isto sem protestar. Todos os dias recebem ordens sobre tudo o que devem fazer. A criança tem de obedecer tantas vezes, que chega um momento em que começa a ficar nervosa. Há um momento em que explode por algo que aos pais parece uma parvoíce, como querer uma pastilha elástica.

Mas há crianças que pedem mais do que uma pastilha, que estão sempre a exigir coisas aos pais.
As crianças obedecem-nos continuamente. E o que mais gostam no mundo é de ver os seus pais contentes. E tentam por todos os meios que os seus pais estejam contentes. Só que às vezes não sabem. E às vezes não podem. Por exemplo, uma criança de dois anos que acorda a meio da noite e chora. Uma vez, duas vezes. A mãe ou o pai diz-lhe: «se dormires a noite toda, amanhã dou-te uma bicicleta». Ela acorda na mesma.
O que é que a faria dormir?
Ela não está a querer irritar os pais. Não chora para que comprem isto ou aquilo. Ela chora, essencialmente, porque quer a sua mãe ou seu pai. Não quer outra coisa. Os pais podem comprar-lhe tudo o que quiserem que ela continuará a chorar. Se estiverem ali com ela, acabará por se calar.

Mas os pais vivem pressionados para não darem muito mimo aos filhos, para não os habituarem ao colo.
Isso é como se alguém evitasse ir ao cinema para não se habituar. É um disparate. Então por que é que pomos fraldas aos bebés? Não queremos que eles andem de fraldas toda a vida. Um bebé precisa de colo, precisa de mama e de usar fraldas. Uma criança grande não precisa, é claro. É muito triste que obriguem os pais e as crianças a esse sofrimento, apenas por causa de um mito. Os pais querem dar colo aos seus bebés. Muitos pais já me disseram que têm vontade de pegar os seus filhos ao colo quando os vêem chorar, mas não o fazem porque lhes dizem que o bebé se habitua ou que fica muito mimado. Os pais não precisam de justificações para pegar nas suas crianças. É instintivo. E deixam de o fazer porque alguém os proíbe?
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O mesmo se passa com dormir na cama dos pais. Os pais têm vontade de dormir com os filhos, mas sentem-se culpados se isso acontece.
Todos dormimos algumas vezes na cama dos pais. É perfeitamente normal. Muitas vezes, esses momentos são das recordações mais bonitas que temos de infância. Alguns pais dormem com os filhos algumas vezes, outros dormem com os filhos todas as noites. O importante é que cada um decida por si. Dizem que os bebés têm de habituar-se a dormir sozinhos. Para quê? A maior parte das pessoas, durante a maior parte da vida, não dorme sozinha. Portanto, se for verdade que se possam habituar a alguma coisa, é melhor que se habituem a dormir acompanhados, pois é assim que vão dormir a maior parte da vida. (risos) Chega a uma idade em que eles não vão querer dormir com os pais, de certeza.

Há muitos bebés que choram assim que chega a hora de dormir ou choram muito quando estão cheios de sono. Porquê?
Os bebés sabem que quando dormem a sua mãe vai embora. Como não querem ficar sozinhos, fazem força para não dormir.

As creches são boas para as crianças?
Nem sempre são más, mas não são boas. As creches não foram inventadas porque os bebés ou as mães precisavam. São os empresários que precisam das creches porque querem que as mães deixem os bebés e vão trabalhar. Na União Soviética não havia creches porque as mães tinham três anos de licença de maternidade.

O ideal seria as mães ficarem em casa três anos?
O ideal seria que a criança ficasse com a sua família. Durante os primeiros meses teria de ser a mãe porque é a mãe que lhe dá mama. Depois, poderia ser a mãe ou o pai. A criança está sempre melhor com a sua família. Em Espanha, legalmente, pode haver oito crianças por educadora. Mas se uma mulher está grávida e na primeira ecografia lhe dizem que vai ter oito bebés, ela começa logo a pensar em quem poderá ajudá-la a cuidar das crianças. No entanto, deixam-se oito crianças com uma mulher, provavelmente mal paga, que nem sequer é sua mãe. Alguém acredita que ela vai cuidar tão bem delas como a mãe? Ou que as crianças se vão sentir melhor do que em casa? Ou que vão melhorar o seu desenvolvimento psicomotor porque aprendem mais na creche? Na creche não vão aprender nada. As educadoras mal têm tempo para mudar fraldas e dar biberões, quanto mais para ensinar-lhes alguma coisa. Uma creche com três crianças por educadora seria quase tão bom como estar em casa. Não seria melhor do que estar em casa.

E a partir dos três anos?
Para a maioria das crianças, os três anos são o limite para começarem a separar-se da sua mãe sem problema. Porque já são capazes de entender que ali estão bem e que a mãe vem buscá-los ao final da tarde. Uma criança de dois anos não entende isso. Não sabe onde está a mãe, não sabe que ela vai buscá-la às cinco.

Os bebés não percebem que a mãe vai voltar, mesmo quando volta todos os dias? Não acabam por se habituar?
Não podem saber. E não se habituam. Se um marido volta do trabalho todos os dias às cinco horas. E, de repente, todas as terças-feiras passa a chegar às sete sem dar uma razão à mulher. Ela fica descansada? Não. Cada vez fica mais nervosa. A repetição não tranquiliza a criança. Ainda a põe mais nervosa. E isso percebe-se nos primeiros dias dos jardim-de-infância. As crianças que estiveram em creches choram mais do que as crianças que estiveram em casa até aos três anos.

Também há bebés que só choram quando a mãe ou o pai os vai buscar à creche.
É lógico. Choramos quando há alguém que nos possa consolar. Há quem diga que as crianças choram para manipular os pais. Claro. Todos choramos para manipular alguém. É nisso que consiste. É uma maneira de comunicar aos outros que necessitamos de ajuda. Assim como o riso é uma maneira de comunicar aos outros que estamos contentes. Não é a mesma coisa ver um filme cómico sozinho ou acompanhado. Quando estamos com amigos rimo-nos mais alto porque o riso é uma forma de comunicação. Quando a criança percebe que a mãe não está pára de chorar. Se a mãe não está, para quê chorar? Quando a mãe volta, então chora.

Além dos infantários, muitas crianças, mais velhas, já têm muitas obrigações, como piano, inglês, natação. Isso é bom?
Muitos pais são obrigados a ocupar as crianças depois da escola porque têm de trabalhar. Mas seria melhor se essas crianças estivessem a brincar no pátio, em vez de estarem a cumprir alguma atividade. As crianças precisam de jogo livre. Precisam de tempo em que ninguém controle o que estão a fazer. Antigamente, as crianças tinham muito jogo livre, brincavam na rua, saltavam, faziam o que queriam. Agora, cada vez mais lhes organizamos a vida. Já não há jogo livre. Mesmo quando as crianças têm três meses de férias, os pais não podem ficar com elas e põem-nas em campos de atividades, onde os monitores passam os dias a dizer-lhes o que fazer e como fazer. Em casa passam o tempo a obedecer aos pais. Se estão no computador obedecem a uma máquina. E a criança fica cada vez mais nervosa. Isto é uma das razões pelas quais está a aumentar o diagnóstico de défice de atenção e hiperatividade.

É possível que tantas crianças sejam hiperativas?
Alguns casos serão verdadeiros. Muitos casos serão provocados por este controlo. Se uma criança destas se porta mal na escola, o professor castiga-a proibindo-a de ir ao recreio. No entanto, o que esta criança precisa mais é de recreio. Há crianças que são capazes de aguentar duas horas sentadas na aula, mas há outras que não são capazes, fisicamente não podem. Por isso, mexem-se e falam. Estão a demonstrar que não conseguem estar sentadas tanto tempo. Precisam de mais recreios, de aulas mais curtas.

Muitos pais acabam por tratar essas crianças com medicamentos.
Haverá algumas crianças que precisam mesmo de tratamento, mas não serão todas quanto as que estão medicadas. Nos Estados Unidos, em algumas zonas, 10 por cento dos meninos tomam medicamentos para a hiperatividade. Não podem ser tantos! Isto é uma falha da nossa sociedade. Apesar disso, pais, médicos e professores ficam muito contentes porque, graças a esta droga, as crianças ficam mais atentas nas aulas. Mas se um atleta tomar medicamentos para correr mais depressa ninguém gosta. Um corredor profissional, adulto, está proibido de tomar pastilhas para correr mais. E uma criança de cinco anos pode tomar pastilhas para estudar mais. Como é que chegamos a isto? É uma loucura!

O que é que se pode fazer por essa criança?
O que essa criança precisa, provavelmente, é de um tipo de educação diferente. Os adultos também vivem de formas diferentes. Há adultos que trabalham num banco, todos os dias entram às oito e saem às três. Passam o dia sentados a fazer o seu trabalho e estão contentes. Outros preferem trabalhar numa expedição ao Pólo para tratar de focas. E as pessoas que trabalham com as focas dizem: «Se eu trabalhasse oito horas num banco morria». E toda a gente aceita isso.
Achamos que para os adultos é normal haver modos de vida diferentes, mas para as crianças tem de haver apenas um método de educação e todas têm de segui-lo. Mas não é assim. Há crianças que precisam de outro tipo de escola, como por exemplo a escola Waldorf ou a escola Montessori.

Por que é que os pais precisam tanto de livros que lhes digam o que fazer?
É um mistério. Eu acredito que não precisam. Só escrevi o “Bésame Mucho” porque já havia demasiados livros a dizerem o mesmo. Havia 20 livros diferentes a dizer aos pais: «não peguem no bebé», «não durmam com ele», «deixem-no chorar». Então, eu achei que faltava um que dissesse outra coisa, para que os pais pudessem decidir. Se todos os livros dissessem o mesmo, os pais teriam cada vez mais dúvidas sobre os seus instintos..

Terceira edição de “Nomes da História” apresenta personalidades brasileiras de origem libanesa


 Anúncio da TV LBCI com a jornalista e apresentadora Karen Boustany - divulgação
Estreia nesta sexta-feira, dia 21, na TV LBCI (às 22h30, horário do Líbano), a terceira edição do programa “Nomes da História”, que conta a trajetória de libaneses e descendentes espalhados pelo mundo. Para esta temporada, após as edições que mostraram libaneses na França e nos Estados Unidos, a apresentadora Karen Boustany entrevistou 20 personalidades no Brasil, entre elas, a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, que é curadora da Mostra Mundo Árabe de Cinema, do ICArabe,  o escritor Milton Hatoum e a professora e escritora Safa Jubran(veja lista completa abaixo). 
A produção desta edição teve apoio do Centro de Estudos e Culturas da América Latina da Universidade Saint-Esprit de Kaslik (CECAL-USEK). O programa tomou como referência as personalidades que o diretor do CECAL-USEK, Roberto Khatlab, retratou em seus artigos publicados duas vezes por mês na página “Os libaneses no mundo”, do jornal francês no Libano “L’Orient-Le Jour” . Khatlab organizou as entrevistas realizadas por Karen Boustany em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O acadêmico afirma que o apoio ao “Nomes da História” está dentro dos objetivos do CECAL-USEK, que é ser uma ponte de contatos entre o Líbano e a América Latina. “Este programa de cunho social e cultural fortalece os laços entre o Líbano e o Brasil, com entrevistados de diversas áreas, como políticos, escritores, médicos, acadêmicos, empresários e esportistas.”
A jornalista Karen Boustany ressalta a hospitalidade do Brasil. “É um país onde a natureza é sublime e o povo muito gentil. Senti o quanto a comunidade libanesa é dinâmica. Seus descendentes venceram na vida no Brasil, mas não esquecem suas raízes. As personalidades que encontrei para a entrevista foram superinteressantes e simpáticas. Esta viagem ao foi uma bela experiência, que eu pude imortalizar, graças a esta série de entrevistas.”
A partir deste dia 21, o programa irá ao ar toda sexta-feira, pela TV LBCI (Lebanese Broadcasting Corporation International), às 22h30 (horário de Beirute, que está 5 horas à frente do horário de Brasília), apresentando uma entrevista por semana. A primeira será com o vice-presidente da República, Michel Temer. A ordem de exibição das seguintes ainda não foi divulgada.

Veja os entrevistados:

Alfredo Cotait – ex-senador e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Líbano.
Amyr Klink - navegador e escritor;
Basilio Jafet - presidente da FIABCI;
Charbel el Hachem - médico cirurgião plástico;
Ernesto Zarzur - empresario e construtor;
Fernando Haddad - prefeito de São Paulo;
Francisco Rezek - juiz e ex-ministro das Relações Exteriores;
Gilberto Kassab - ex-prefeito de São Paulo;
Michel Temer – vice-presidente da República;
Milton Hatoum – escritor;
Nagy Naufal - director do Hotel Sofitel na América Latina,
Paulo Skaff - presidente da FIESP;
Raul Cutait -médico do Hospital Sírio-Libanês
Ricardo Izar Junior - deputado Federal;
Ricardo Patah - presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e daUnião Geral dos Trabalhadores (UGT)
Roberto Duailibi - publicitário e escritor;
Safa Jubran - professora e escritora;
Sergio Buffara - empresário e esportista de artes marciais;
Soraya Smaili - reitora da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP;
Wilma Ary - jornalista e escritora.  

Por causa do Brasil, alta do café já alcançou 53% este ano em NY


postado há 1 dia atrás

Depois de subirem quase 9% na sessão de terça-feira, as cotações do café surpreenderam analistas e voltaram a disparar ontem na bolsa de Nova York, novamente impulsionadas pelos danos provocados pela seca e pelas altas temperaturas em regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil.

Os contratos futuros com vencimento em maio, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega na bolsa e são os mais negociados, fecharam a US$ 1,7260 por libra-peso, em alta de 1.775 pontos, ou 11,46%. É o maior valor para um contrato de segunda posição desde outubro de 2012.

Carlos Costa, diretor da Pharos Commodity Risk Management, afirma que as incertezas sobre o tamanho da quebra da safra brasileira por causa das intempéries deixaram o mercado "nervoso". Quando as perdas estiverem definidas, ele prevê alguma correção. Em algumas áreas de Minas Gerais, maior Estado produtor de café do país, há relatos que as perdas poderão chegar a 50%.

De qualquer forma, a recente recuperação dos preços após as fortes baixas do ano passado já mudaram a dinâmica do mercado físico doméstico. O café de boa qualidade, por exemplo, já é comercializado a R$ 400 a saca, ante menos de R$ 300 no início do ano. "E o prejuízo nas lavouras do Brasil é maior do que todo mundo está pensando", disse Carlos Dionízio, da Furlan Corretora, localizada em Varginha, no sul de Minas.

As projeções para a colheita na safra 2014/15, que ganhará força a partir de maio, chegavam a cerca de 60 milhões de sacas no ano passado. Mas, para Dionízio, o volume ficará entre 40 milhões e 42 milhões de sacas. Em seu primeiro levantamento para a temporada, realizado antes da seca, a Conab previu entre 46,53 milhões e 50,15 milhões de sacas.

Segundo Dionízio, com as disparadas das cotações os exportadores brasileiros estão conseguindo comprar o produto para revendê-lo no exterior por um preço mais atrativo, já que as altas no mercado internacional são superiores a do front doméstico.

O corretor destaca que, nas últimas três semanas, quatro grandes empresas adquiriram 500 mil sacas de café cada uma, o que é um volume considerável. "Aquele marasmo do mercado ficou para trás", afirmou, em referência aos poucos negócios registrados em muitos períodos do ano passado.

De acordo com Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), os exportadores ligados a multinacionais estão comprando café com "mais força". Conforme ele, somente entre o fim de março e o início de abril é que será possível ter um diagnóstico mais apurado sobre as perdas nas lavouras de café.

De acordo com Carvalhaes, a demanda por café de boa qualidade ainda está mais aquecida. É nessa frente que os preços já chegaram a R$ 400 a saca em alguns casos. Mas os cafés de qualidade inferior ainda não tiveram seus preços reajustados, provocando um grande diferencial entre os produtos. "Há café no mercado por R$ 220, R$ 230", afirma.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pelo CafePoint

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Mais Médicos atende 100% da demanda de municípios mais pobres

O terceiro ciclo do Programa Mais Médicos, que incluirá 2.890 profissionais, vai garantir o atendimento integral de toda a demanda apresentada pelos municípios mais pobres do país que aderiram à iniciativa do Governo Federal. São 1.473 cidades com IDH baixo e muito baixo ou com 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza contempladas pelo programa.
Com esta etapa, o número total de cidades atendidas pelo Mais Médicos passará de 2.166 para 3.279 e a população diretamente beneficiada crescerá de 23 milhões para 33 milhões de brasileiros. Ao todo, a partir de março, serão mais de 9,5 mil profissionais realizando especialização em Atenção Básica enquanto atendem em unidades básicas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Atingir, já no terceiro ciclo, 100% da demanda nos municípios pobres é um feito muito significativo desta parceria entre o governo federal, os governos estaduais e os demais ministérios envolvidos, em participar o Ministério da Educação. Essa ampliação, já identificada num curto espaço de tempo, do acompanhamento de diabéticos e hipertensos vai impactar no número de internações que são evitáveis na atenção básica”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “Com esse programa, nós teremos não só a garantia do acesso, mas uma transformação importante nas condições de saúde e de vida da população brasileira, em especial esses 33 milhões que na maior parte nunca tiveram oportunidade de contar com uma equipe de saúde completa” reforçou durante coletiva de imprensa na terça-feira (11).
Ministro Chioro informou que será publicada no Diário Oficial da União a notificação de 89 médicos que deixaram de frequentar as atividades do programa para formalizar o processo de desligamento desses profissionais. Eles terão 48 horas para apresentar justificativa. No grupo estão 80 brasileiros e nove estrangeiros – cinco deles da seleção individual do programa e quatro médicos cubanos que participam da iniciativa por meio da cooperação com a OPAS. “É um número insignificante em comparação de experiência similares”, pontuou Chioro.
Será publicada também uma portaria detalhando as regras de contrapartida dos municípios e formalizando como funcionará o processo de desligamento das prefeituras que não cumprirem com suas responsabilidades. Ao aderir ao Mais Médicos, as prefeituras se comprometem a ofertar moradia e alimentação no modelo previsto em lei. Segundo o ministro, está sendo feita uma operação pente fino para levantar todas as cidades que apresentarem problemas.
“A partir do momento que chegar a Coordenação Nacional do Mais Médicos que um município não cumpriu a contrapartida, notificaremos para que em cinco dias chegue até nós a resposta. Daremos um prazo de 15 dias para que solucionem o problema. Os municípios que não regularizarem a situação não receberão médicos nos próximos ciclos e poderão ser descredenciados”, disse Chioro.
Os profissionais do terceiro ciclo estão distribuídos em 1.575 municípios e 28 distritos indígenas. Fazem parte deste grupo 422 brasileiros e 2.468 profissionais com diplomas de outros países, sendo que dois mil médicos participam do Programa por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Os intercambistas estão cursando o módulo de avaliação do programa e devem chegar aos municípios em março, após aprovação no curso.
IMPACTO – Com o reforço desses médicos, além de atender toda a demanda dos municípios mais pobres, o Programa ocupará também 100% das vagas das regiões mais vulneráveis do país, como os municípios do Semiárido, Vale do Jequitinhonha/Mucuri em Minas Gerais, Médio Alto Uruguai no Rio Grande do Sul e Vale do Ribeira em São Paulo. O interior do Norte foi outra área totalmente contemplada. Nesta fase, o Ministério alocou ainda 219 profissionais em 142 municípios que sofreram com enchentes em 2013 e 2014.
A meta do Governo Federal é preencher 13 mil postos até o fim de março. Neste terceiro ciclo, 73,8% da demanda dos municípios que aderiram ao programa serão atendidas. Está em andamento o quarto ciclo de seleção do Mais Médicos, em fase de seleção das cidades. Atualmente, em todo o país, 6.658 profissionais estão em atividade pelo programa em 2.166 cidades e 28 distritos indígenas.
Em poucos meses, a atuação desses profissionais na atenção básica já traz resultados positivos na assistência à população. Levantamento do Ministério da Saúde apontou crescimento de 27,3% no atendimento a pessoas com hipertensão nos municípios com profissionais do Mais Médicos em novembro de 2013 quando comparado a junho do mesmo ano, antes da chegada dos profissionais.
“Esse é ainda um estudo da fase inicial do programa, mas já é um bom indício de como o programa tem sido expressivo na melhoria da assistência à população. Temos convicção de que com o andamento do programa, que atualmente conta com um número de médicos e municípios participantes muito maior, o impacto é ainda mais relevante”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales.
Houve aumento ainda, neste mesmo período, de 14,4% na assistência a pessoas com diabetes, de 13,2% no número de pacientes em acompanhamento e de 10,3% no agendamento de consultas. Nas cidades que contavam com médicos do programa foram realizadas 2,28 milhões de consultas em novembro, 7% mais que o total registrado em junho. O levantamento foi feito em 688 municípios onde atuavam 1.592 médicos.
DISTRIBUIÇÃO – O maior número dos médicos do terceiro ciclo do Programa Mais Médicos será alocado no Nordeste e Norte do país, 1.398. Outros 722 vão atuar no Sudeste, 537 no Sul e 276 no Centro-Oeste, além de 57 que vão para distritos indígenas. Entre os estados mais atendidos estão Minas Gerais (369), Bahia (298), Rio Grande do Sul (229), Paraná (216) e São Paulo (173).
Deste grupo, os brasileiros têm até o dia 12 de fevereiro para se apresentarem nos municípios que escolheram enquanto que os estrangeiros devem concluir o curso de avaliação que está sendo ministrado em quatro capitais, Brasília (DF), São Paulo (SP), Guarapari (ES) e Fortaleza (CE). A aprovação nesta etapa é condição para receber o registro profissionais provisório, concedido pelo Ministério da Saúde.
Lançado em julho de 2013, o Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde. Os profissionais do programa recebem bolsa formação de R$ 10 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Os municípios ficam responsáveis por garant"ir alimentação e moradia aos selecionados.
Por Newton Palma, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-3580 / 331-3533 / 3315-6256
Programa encerra esta fase atendendo toda a solicitação das cidades com IDH baixo e muito baixo e regiões mais vulneráveis. Em março, serão 9,5 mil profissionais em 3.279 municípios
O terceiro ciclo do Programa Mais Médicos, que incluirá 2.890 profissionais, vai garantir o atendimento integral de toda a demanda apresentada pelos municípios mais pobres do país que aderiram à iniciativa do Governo Federal. São 1.473 cidades com IDH baixo e muito baixo ou com 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza contempladas pelo programa.
Com esta etapa, o número total de cidades atendidas pelo Mais Médicos passará de 2.166 para 3.279 e a população diretamente beneficiada crescerá de 23 milhões para 33 milhões de brasileiros. Ao todo, a partir de março, serão mais de 9,5 mil profissionais realizando especialização em Atenção Básica enquanto atendem em unidades básicas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Atingir, já no terceiro ciclo, 100% da demanda nos municípios pobres é um feito muito significativo desta parceria entre o governo federal, os governos estaduais e os demais ministérios envolvidos, em participar o Ministério da Educação. Essa ampliação, já identificada num curto espaço de tempo, do acompanhamento de diabéticos e hipertensos vai impactar no número de internações que são evitáveis na atenção básica”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “Com esse programa, nós teremos não só a garantia do acesso, mas uma transformação importante nas condições de saúde e de vida da população brasileira, em especial esses 33 milhões que na maior parte nunca tiveram oportunidade de contar com uma equipe de saúde completa” reforçou durante coletiva de imprensa na terça-feira (11).
Ministro Chioro informou que será publicada no Diário Oficial da União a notificação de 89 médicos que deixaram de frequentar as atividades do programa para formalizar o processo de desligamento desses profissionais. Eles terão 48 horas para apresentar justificativa. No grupo estão 80 brasileiros e nove estrangeiros – cinco deles da seleção individual do programa e quatro médicos cubanos que participam da iniciativa por meio da cooperação com a OPAS. “É um número insignificante em comparação de experiência similares”, pontuou Chioro.
Será publicada também uma portaria detalhando as regras de contrapartida dos municípios e formalizando como funcionará o processo de desligamento das prefeituras que não cumprirem com suas responsabilidades. Ao aderir ao Mais Médicos, as prefeituras se comprometem a ofertar moradia e alimentação no modelo previsto em lei. Segundo o ministro, está sendo feita uma operação pente fino para levantar todas as cidades que apresentarem problemas.
“A partir do momento que chegar a Coordenação Nacional do Mais Médicos que um município não cumpriu a contrapartida, notificaremos para que em cinco dias chegue até nós a resposta. Daremos um prazo de 15 dias para que solucionem o problema. Os municípios que não regularizarem a situação não receberão médicos nos próximos ciclos e poderão ser descredenciados”, disse Chioro.
Os profissionais do terceiro ciclo estão distribuídos em 1.575 municípios e 28 distritos indígenas. Fazem parte deste grupo 422 brasileiros e 2.468 profissionais com diplomas de outros países, sendo que dois mil médicos participam do Programa por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Os intercambistas estão cursando o módulo de avaliação do programa e devem chegar aos municípios em março, após aprovação no curso.
IMPACTO – Com o reforço desses médicos, além de atender toda a demanda dos municípios mais pobres, o Programa ocupará também 100% das vagas das regiões mais vulneráveis do país, como os municípios do Semiárido, Vale do Jequitinhonha/Mucuri em Minas Gerais, Médio Alto Uruguai no Rio Grande do Sul e Vale do Ribeira em São Paulo. O interior do Norte foi outra área totalmente contemplada. Nesta fase, o Ministério alocou ainda 219 profissionais em 142 municípios que sofreram com enchentes em 2013 e 2014.
A meta do Governo Federal é preencher 13 mil postos até o fim de março. Neste terceiro ciclo, 73,8% da demanda dos municípios que aderiram ao programa serão atendidas. Está em andamento o quarto ciclo de seleção do Mais Médicos, em fase de seleção das cidades. Atualmente, em todo o país, 6.658 profissionais estão em atividade pelo programa em 2.166 cidades e 28 distritos indígenas.
Em poucos meses, a atuação desses profissionais na atenção básica já traz resultados positivos na assistência à população. Levantamento do Ministério da Saúde apontou crescimento de 27,3% no atendimento a pessoas com hipertensão nos municípios com profissionais do Mais Médicos em novembro de 2013 quando comparado a junho do mesmo ano, antes da chegada dos profissionais.
“Esse é ainda um estudo da fase inicial do programa, mas já é um bom indício de como o programa tem sido expressivo na melhoria da assistência à população. Temos convicção de que com o andamento do programa, que atualmente conta com um número de médicos e municípios participantes muito maior, o impacto é ainda mais relevante”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales.
Houve aumento ainda, neste mesmo período, de 14,4% na assistência a pessoas com diabetes, de 13,2% no número de pacientes em acompanhamento e de 10,3% no agendamento de consultas. Nas cidades que contavam com médicos do programa foram realizadas 2,28 milhões de consultas em novembro, 7% mais que o total registrado em junho. O levantamento foi feito em 688 municípios onde atuavam 1.592 médicos.
DISTRIBUIÇÃO – O maior número dos médicos do terceiro ciclo do Programa Mais Médicos será alocado no Nordeste e Norte do país, 1.398. Outros 722 vão atuar no Sudeste, 537 no Sul e 276 no Centro-Oeste, além de 57 que vão para distritos indígenas. Entre os estados mais atendidos estão Minas Gerais (369), Bahia (298), Rio Grande do Sul (229), Paraná (216) e São Paulo (173).
Deste grupo, os brasileiros têm até o dia 12 de fevereiro para se apresentarem nos municípios que escolheram enquanto que os estrangeiros devem concluir o curso de avaliação que está sendo ministrado em quatro capitais, Brasília (DF), São Paulo (SP), Guarapari (ES) e Fortaleza (CE). A aprovação nesta etapa é condição para receber o registro profissionais provisório, concedido pelo Ministério da Saúde.
Lançado em julho de 2013, o Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde. Os profissionais do programa recebem bolsa formação de R$ 10 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Os municípios ficam responsáveis por garant"ir alimentação e moradia aos selecionados.
Por Newton Palma, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-3580 / 331-3533 / 3315-6256

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Vínculo familiar facilita visto no país


Medida do CNIg simplifica autorização de visto a cidadãos brasileiros ou de estrangeiros com vínculo familiar no país
Brasília, 18/02/2014 – O Conselho Nacional de Imigração (CNIg) simplificou a concessão de visto a estrangeiros com vínculo familiar no país.  A medida, que vai beneficiar estrangeiros descendentes ou ascendentes de brasileiro ou de estrangeiro residente no Brasil, consta da Resolução Normativa de 12 de fevereiro de 2012 publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (18).
 
Para o presidente do CNIg, Paulo Sério do Almeida, além de tornar mais simples e rápido o processo de autorização de vistos para estrangeiros com vínculo familiar no país, o novo procedimento também vai “desburocratizar” a atuação do CNIg que tem por objetivo principal a elaboração da Política Brasileira de Imigração voltada para o trabalho no país. 
 
Ao lembrar que em 2013 o CNIg analisou 606 pedidos de visto ou permanência de estrangeiros com base em união estável com brasileiros ou estrangeiros residentes, Almeida ressalta que, atualmente, o estrangeiro que mantenha união estável com brasileiro ou estrangeiro residente tem que pedir a autorização para expedição do visto ou da permanência diretamente ao Plenário do CNIg, que analisa o pedido em caráter especial. “Com a mudança a concessão de visto a título de reunião familiar poderá ser solicitado diretamente aos Consulados brasileiros no exterior, ou, em caso de permanência definitiva no Brasil, a qualquer unidade do Ministério da Justiça/Polícia Federal”, explica.
 
A nova Resolução, aprovada por consenso na última Reunião do CNIg, passa a vigorar a partir do próximo dia 20 de março e vale para solicitações baseadas em uniões estáveis homoafetivas.
 
CNIg - O Conselho Nacional de Imigração é um colegiado integrado pelos Ministérios do Trabalho e Emprego; Justiça; Relações Exteriores; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Ciência, Tecnologia e Inovação;  Saúde; Educação; Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Turismo; pelas Centrais Sindicais: CGTB; CTB; CUT; Força Sindical e UGT; pelas Confederações de Empregadores: CNA; CNC; CNF; CNI e CNT; além da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
 
 
 
Assessoria de Comunicação/MTE
2031.6537 acs@mte.gov.br
 

China é maior consumidor mundial de ouro


  • 19/02/2014 07h31
  • Brasília
*Da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto
A China tornou-se em 2013 e pela primeira vez o maior mercado de ouro, indica relatório do World Gold Council (WGC) citado hoje (19) pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
A procura de ouro na China atingiu no ano passado o número recorde de 1.066 toneladas, um aumento de 32% em relação a 2012. No mundo, a procura caiu 15%, para 3.756 toneladas, acrescenta o relatório.
As joias, no entanto, registraram o maior aumento desde 1997, representando 2.209 toneladas, 17% a mais do que em 2012.
"A China deverá continuar nesta via de crescimento e, muito provavelmente, ainda será o maior mercado do mundo no fim deste ano", disse um representante da World Gold Council, organização com sede em Londres.

*Com informações da Agência Lusa