quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

"Sou embaixador do Bolsa Família", diz Nobel da Paz de 2014


COMBATE À POBREZA

Em encontro com a ministra Tereza Campello, Kailash Satyarthi é informado sobre resultados do combate à pobreza no desempenho educacional
Publicado em 27/01/2016 10h13
Foto: Ana Nascimento/MDS
São Paulo – O indiano Kailash Satyarthi, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2014, se surpreendeu com os resultados do programa Bolsa Família na redução da desigualdade educacional no Brasil ao aumentar para cerca de 60% o percentual de jovens pobres que concluem o ensino fundamental na idade certa, aos 15 anos. 
Ele esteve com a ministra Tereza Campello em São Paulo nessa terça-feira (26). "É impressionante", comentou o Kailash, que se definiu como "embaixador não remunerado" do Bolsa Família, por falar sobre o programa de transferência de renda em diferentes fóruns, em vários países. 
Tereza Campello apresentou ao indiano o novo perfil do trabalho infantil no Brasil, baseado na mais recente edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE. A pesquisa mostra que jovens entre 16 e 17 anos somam mais da metade dos que trabalham, que a maioria das crianças e dos jovens está na escola e que a ocupação aumentou e se concentra nas faixas de renda mais elevadas. "Não são mais crianças pobres que deixam de estudar para ajudar a comprar comida, é um desafio de natureza diferente", comentou a ministra. 
Kailash insistiu em que menores de 14 anos não deveriam trabalhar, ainda que sejam uma parcela pequena do trabalho infantil. O indiano elogiou a integração de políticas públicas com foco nas crianças e pediu apoio a uma campanha mundial de proteção à infância. 

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Quilombolas de Goiás vão fornecer alimentos para programas do Governo Federal



Publicado dia 26/01/2016
A produção de  farinha, polvilho e panificados é forte na comunidade Nossa Senhora Aparecida - Foto: Ascom Incra/GO
 
A comunidade Nossa Senhora Aparecida - localizada no município de Cromínia (GO), distante cerca 80 quilômetros da capital Goiânia -, será o primeiro grupo quilombola do estado a vender alimentos para programas do Governo Federal. O documento que permite tal comercialização, a Declaração de Aptidão (DAP) ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foi expedido pela Superintendência Regional do Incra em Goiás na última sexta-feira (22).
 
O representante da comunidade, Valdivino Alves da Silva, foi quem recebeu as 27 declarações entregues pelo superintendente substituto do Incra/GO, Alberto Filho. “Esse é o primeiro de muitos sonhos que ainda realizaremos. Agora que temos garantia de que o Poder Público poderá ser comprador da nossa produção, iniciaremos, ainda em janeiro, o plantio de arroz e continuaremos as outras culturas”, afirma o líder comunitário.
 
Valdivino Alves da Silva ressalta que o projeto maior é ingressar, já em 2017, como fornecedor de produtos para os programas Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), voltado à produção de uma merenda escolar saudável, e de Aquisição de Alimentos (PAA) – modalidade compra direta da agricultura familiar com doação simultânea a grupos em situação de insegurança nutricional.
 
Os projetos técnicos da comunidade serão feitos pelo Serviço Brasileiro às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Goiás que acompanhará todo o processo produtivo até a comercialização da safra. A assistência técnica de campo, diz Valdivino, será prestada por profissionais da Emater/GO.
 
Área de cultivo
Atualmente, os quilombolas cultivam 40 hectares, entre terras cedidas pelo Estado, por particulares e também quintais das próprias residências. A diversidade produtiva inclui hortaliças, fruticultura, grãos (milho e arroz) e verduras variadas, além de farinha, polvilho e panificados. Com assessoria do Sebrae/Goiás, montaram uma feira livre no centro de Cromínia para vendas diretas. “Muitos de nós vivem somente da agricultura, da culinária e do artesanato quilombola”, conta Valdivino.
 
A antropóloga do Incra em Goiás, Cristiana Fernandes, explica que o pedido de regularização da comunidade Nossa Senhora Aparecida foi aberto no Instituto em 2011. No momento, a fase é a de elaboração do relatório antropológico da comunidade pela equipe de pesquisadores do Campus Catalão/Universidade Federal de Goiás (UFG), de acordo com parceria firmada pelo Termo de Cooperação Técnica Incra/UFG em agosto de 2013.
 
Acesse AQUI mais informações sobre processo de regularização de comunidades quilombolas.
 
Matéria atualizada em 27/01/16, às 8h39.
 
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Crédito Fomento Mulher beneficia 754 assentadas em Mato Grosso do Sul



Publicado dia 28/01/2016
Superintendente Humberto Pereira participa de comemoração pelos créditos no assentamento Liberdade Camponesa - Foto: Ascom Incra/MS
 
A Superintendência Regional do Incra em Mato Grosso do Sul distribuiu, na segunda-feira (25), o crédito Fomento Mulher para 754 trabalhadoras rurais. Cada uma delas recebeu R$ 3 mil e outras 2.750 mulheres poderão ser beneficiadas ainda este ano a mesma quantia - depois de finalizarem seus projetos junto à assistência técnica do órgão. 
 
O crédito Fomento Mulher é destinado à implantação de projetos, como: quintais produtivos, produção de doces, artesanato, confecções. O objetivo é garantir à família da assentada uma alimentação saudável e um incremento da renda.
 
No assentamento Liberdade Camponesa, localizado no município de Corguinho (MS), o superintendente regional do Incra no estado, Humberto de Mello Pereira, presenciou a comemoração dos créditos liberados para as suas famílias. Das 50 famílias assentadas no Liberdade Camponesa, 33 receberam o Apoio Inicial I (R$ 2.400,00 cada) e 30 mulheres receberam o Fomento Mulher. Humberto disse que o Fomento Mulher vai fortalecer o protagonismo feminino nos assentamentos, melhorando a segurança e a soberania alimentar das famílias.
 
A assentada Terezinha Borbueno vai investir na produção de gengibre e já tem clientes certos. O gengibre da Terezinha vai dar sabor aos sobás, yakisobas, yakimeshi e frango xadrez dos restaurantes orientais da principal feira de Campo Grande, a “Feirona”. Já Matilde Vieira Leite vai incrementar sua confecção de roupas. Mas a maioria, 20 mulheres, vai investir na produção e comercialização de frango semicaipira (que difere do confinado por ser criado solto).
 
Para Sebastião de Cardoso de Sá, presidente do Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária (MCLRA), os recursos do Fomento Mulher e do Apoio Inicial chegaram numa ótima hora, porque as famílias estavam sofrendo as consequências das fortes chuvas dos últimos dois meses que ocasionaram a perda da colheita no assentamento.
 
As mulheres beneficiadas pelo Fomento Mulher deverão quitar o empréstimo ao final de um ano de 2016, com desconto de 80%, ou seja, cada uma pagará somente R$ 600,00.
 
Créditos da reforma agrária
Além do Fomento Mulher, os assentados e assentadas da reforma agrária podem acessar outras três modalidades de crédito, com objetivo de apoiar o agricultor e a agricultora desde a instalação no lote até o início da produção. 
 
Acesse AQUI mais informações sobre créditos disponíveis.
 
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Ministra interina do MDA inaugura casas e entrega benefícios a famílias assentadas no RN



Publicado dia 28/01/2016
A ministra interina do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Maria Fernanda Ramos Coelho, esteve no Rio Grande do Norte nesta terça-feira (26) onde inaugurou as primeiras casas construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) Rural no assentamento Dom Pedro II, localizado no município de Boa Saúde, região do Agreste Potiguar. A ministra interina também anunciou investimentos na reforma de 196 casas em outros dois assentamentos no estado que, somados às obras de reforma e aos cartões do Crédito Instalação (Apoio Inicial I) entregues no assentamento, totalizam R$ 4,48 milhões.
Pela manhã, antes da visita ao assentamento, Maria Fernanda participou da abertura do intercâmbio internacional da Reunião Especializada Sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf), em Mossoró, no Oeste potiguar.
A cerimônia de abertura do intercâmbio aconteceu no auditório da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e contou com a participação de representantes de diversos órgãos do Governo Federal e de organizações da agricultura familiar de sete países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) que, até o próximo sábado (30), estarão na região para conhecer e trocar experiências de acesso às políticas públicas para mulheres da zona rural. A região de Mossoró foi escolhida pelas diversificadas e positivas experiências de inclusão social.
O intercâmbio faz parte do II Programa de Fortalecimento de Políticas Públicas de Gênero para a Agricultura Familiar, Campesina e Indígena para América Latina e Caribe e conta com o apoio da Diretoria de Política para as Mulheres Rurais e Quilombolas (DPMRQ) do MDA.
Moradias dignas
Na tarde da terça-feira (26), Maria Fernanda fez a entrega simbólica de 36 unidades do Programa Habitacional Rural (PHR) do PMCMV a famílias do assentamento. As casas entregues, com dois quartos, sala, banheiro e cozinha, medem 44 metros quadrados. Cada família foi beneficiada com o crédito habitação no valor de R$ 28,5 mil, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão.
Também participaram da cerimônia servidores e o superintendente do Incra/RN, Vinícius Ferreira de Araújo, o delegado do MDA/RN, Caramuru Paiva, representantes de órgãos e entidades parceiras, como a Secretaria de Estado de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária (Seara), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater/RN), a Articulação do Semiárido Potiguar (ASA Potiguar), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte (Fetarn), a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (Fetraf/RN), o Instituto Potiguar de Desenvolvimento de Comunidades (Idec), a Associação de Proteção Animal e Meio Ambiente (Apama), o Instituto Anástasia, a Secretaria Estadual de Juventude, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Boa Saúde, representantes de sindicatos de trabalhadores rurais e movimentos sociais rurais, além das famílias assentadas.
A visita de Maria Fernanda ao assentamento foi iniciada com um passeio por uma horta comunitária em formato de mandala construída por meio de parceria entre o projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) e a Emater/RN na residência da família de Dilza Feliciano Gomes Nunes e de Severino Mateus Nunes Filho. Na oportunidade, foi plantada uma muda de Pau-brasil no quintal da casa.
O assentado Severino Mateus Nunes Filho, 55 anos, sabe bem o significado de receber a chave da casa própria. “Estou muito satisfeito. Morei em barraca, embaixo de lona, pegando chuva. Agora tenho casa e terra para trabalhar”, contou emocionado.
“Queria parabenizar as famílias deste assentamento por essa conquista. Todo mundo quer criar os filhos com cidadania, em uma moradia digna”, afirmou Maria Fernanda.
O presidente da Associação dos Produtores do Assentamento Dom Pedro II, Jeremias Oliveira dos Santos, falou sobre o futuro da comunidade. “Queremos que essas casas todas tenham um quintal produtivo. E o modelo agroecológico faz parte dos planos do assentamento”, afirmou o agricultor, que acaba de se graduar em Gestão de Cooperativa, juntamente com o filho Mateus, 22 anos, pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
Cidadania
Durante a solenidade de inauguração das moradias, na casa sede do Assentamento Dom Pedro II, a ministra interina do MDA, o superintendente do Incra/RN e o delegado do MDA/RN fizeram a entrega solene de benefícios às famílias assentadas.
Foram entregues 38 cartões de Crédito Instalação (Apoio Inicial I), no valor de R$ 2,4 mil cada um, totalizando um investimento de R$ 91,2 mil. A quantia deverá ser investida na compra de alimentos, de materiais para benfeitorias na propriedade e de instrumentos de trabalho.
Os assentados beneficiários terão três anos de carência para começar a pagar. Após 12 meses, devem ser liberados mais R$ 2,8 mil de Crédito Instalação (Apoio Inicial II) para a compra de bens duráveis como animais, carroças e arado.
Os casais Dilza Nunes e Severino Mateus Nunes Filho, e Raimunda da Silva e Antônio Sebastião da Silva receberam, em nome das famílias do assentamento, as chaves das casas e as cópias dos Contratos de Concessão de Uso (CCUs).
O jovem assentado e também beneficiário do Pronera Matheus Dias Oliveira e o casal Daniela Izaías da Silva e Ednilson Gonzaga da Silva receberam o Cartão Crédito Instalação, representando as famílias do Dom Pedro II.
O assentamento também já foi beneficiado com o parcelamento dos lotes e com a inclusão da área no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é obrigatório para todos os imóveis rurais e tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente, das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Uso Restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do País.
Ainda na visita ao assentamento, houve a assinatura simbólica do contrato de reforma de 196 casas, no valor de R$ 17,2 mil cada, um investimento de R$ 3,37 milhões. No assentamento Maisa, em Mossoró, serão reformadas 149 moradias; e no assentamento Maria da Paz, em João Câmara, outras 47 receberão melhorias.
Com informações de Amanda Guerra, da Ascom/MDA.

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Incra e MDA aceleram vistorias em áreas rurais atingidas por rejeitos de barragens da Samarco



Publicado dia 28/01/2016
No Espírito Santo os técnicos do Incra fizeram vistorias ainda em dezembro – Foto: Eleandro Silva da Cruz
 
Até o final de fevereiro será conhecido todo o impacto que a chamada “Tragédia de Mariana” causou nas áreas rurais nas proximidades dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A tragédia foi provocada pelo rompimento de barragens da mineradora Samarco, em 5 de novembro de 2015, na cidade de Mariana (MG), que destruiu povoações e lavouras com com rejeitos resultantes da mineração despejados na calha de rios da região.
 
Uma força-tarefa composta por servidores do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) está em campo vistoriando e mapeando o impacto que os rejeitos das barragens causaram para a população rural, principalmente assentados, agricultores familiares, pescadores, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas e comunidades tradicionais. As ações começaram em dezembro de 2015 e, atualmente, cerca de 70% das áreas com possibilidade de terem sido atingidas já foram vistoriadas e mapeadas.
 
Acompanhamento
No dia 22 de janeiro houve, em Brasília (DF), uma reunião para discutir e organizar as ações do Ministério e do Instituto em Minas Gerais e Espírito Santo. Durante o encontro – que teve as presenças do ministro do MDA, Patrus Ananias; do chefe de Gabinete do MDA, Antônio Claret; dos assessores do MDA, Lucas Ramalho e Claudio di Pietra; da delegada do MDA/MG, Adriana Aranha; do delegado do MDA/ES, Josean de Castro; do superintendente do Incra/MG, Gilson de Souza; e do coordenador de Infraestrutura do Incra Sede, Douglas Souza -, foram repassadas diversas informações sobre reuniões e atividades realizadas nas últimas semanas.
 
Entre as reuniões estão as ocorridas na Casa Civil da Presidência da República, onde estão sendo tratadas propostas para reduzir os danos ambientais, sociais e econômicos ao território e às pessoas envolvidas. Nessas discussões na Casa Civil está sendo detalhado um acordo entre os governos federal e estaduais envolvidos e a mineradora Samarco, capitaneado pela Advocacia Geral da União (AGU), no qual o MDA teve participação importante para assegurar o atendimento dos agricultores familiares.
 
As ações da força-tarefa nas vistorias e mapeamento do impacto dos rejeitos das barragens vão subsidiar o acordo entre o Poder Público e a mineradora no que se refere ao ressarcimento dos prejuízos causados no meio rural da região atingida.
 
Minas Gerais
A superintendência regional do Incra em Minas Gerais informou à presidência do instituto e ao gabinete do MDA que até agora foram identificados quatro assentamentos atingidos pelos rejeitos, todos no município de Tumiritinga, onde ocorreram danos a pelo menos 174 famílias. Também estão sendo monitorados possíveis impactos em outros 18 assentamentos. Os trabalhos de campo no município ainda estão sendo feitos e as informações verificadas.
 
O Incra/MG informou que a mineradora está prestando atendimento a essas famílias, com o pagamento de um salário-mínimo e mais 20 % do salário por dependente, assim como o repasse de uma cesta básica no valor de R$ 338,00 por mês a cada uma das 174 famílias. Essa ajuda está acertada pelos próximos seis meses, pois até lá um acordo de indenização deverá ser fechado.
 
Técnicos da autarquia, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG) e prefeituras dos municípios atingidos estão avaliando os assentamentos impactados pela tragédia para definir medidas compensatórias. O Incra/MG participa também da mesa de diálogo e negociação permanente, que reúne representantes do poder público, sociedade civil e mineradora para discutir ações compensatórias.
 
Espírito Santo
No estado, a superintendência regional do Incra informou que uma equipe técnica composta por servidores das áreas de engenharia Agronômica e Florestal vistoriou e mapeou danos nos assentamentos Sezínio Fernandes de Jesus e Chapadão do Rio Quartel, ambos localizados no município de Linhares, e que abrigam ao todo 115 famílias de agricultores familiares.
 
Nas vistorias, que ocorreram no período de 9 a 11 de dezembro de 2015, os técnicos priorizaram os pontos mais baixos do terreno e mais próximos da calha do Rio Doce para visitação. Estes pontos foram escolhidos a partir de imagens aéreas. Além das vistorias in loco, foram realizadas ainda entrevistas com famílias de ambos os assentamentos. A equipe concluiu que, até a data da vistoria, apenas uma família, assentada em Sezínio Fernandes de Jesus foi diretamente afetada pelos rejeitos de mineração lançados no Rio Doce, que preventivamente suspendeu a irrigação a um bananal.
 
Com apoio da prefeitura de Linhares, o Incra/ES está acompanhando o acesso à água das famílias no assentamento, que usam outros fontes hídricas não afetadas pelos resíduos para consumo e abastecimento.
 
Força-tarefa
Portaria conjunta assinada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, e pela presidente do Incra, Maria Lúcia Falcón, determinou a criação de força-tarefa para identificar os agricultores familiares e outras populações rurais afetados pelo rompimento de barragens em Mariana. O documento foi publicado em 26 de novembro de 2015, no Diário Oficial da União.
 
A força-tarefa é formada por servidores do MDA e do Incra, que devem trabalhar de forma articulada com outros órgãos federais, estaduais, municipais e sociedade civil. A portaria prevê ações como a identificação de áreas para reassentamentos das famílias afetadas. Ainda de acordo com o documento, aqueles que comunicarem e tiverem comprovados os danos sofridos, poderão alongar as operações de crédito de custeio e investimento no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agrícultura Familiar (Pronaf).
 
A portaria autorizou também o uso de máquinas e equipamentos doados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pela Defesa Civil. Também serão realizados mutirões de documentação por meio do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural. A ideia é fornecer documentos para aqueles que não têm e para os perderam tudo na tragédia.
 
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Proteção no plantio é essencial para mudas de café conilon


Por José Braz Matiello
postado há 1 dia atrás

Por José Braz Matiello e Iran B. Ferreira, engenheiros agrônomos da Fundação Procafé e C. Landi engenheiro agrônomo FSH 

As lavouras de café conilon são, normalmente, cultivadas em regiões de baixa altitude, de clima quente e seco, como ocorre nas áreas do Norte do Espirito Santo, Sul da Bahia , Vale do Rio Doce em Minas Gerais e em Rondônia. Mas, ultimamente, o interesse no plantio do conilon vem se expandindo para outras regiões, como alternativa para condições de zonas mais frias, porém secas e para as áreas de arábica onde tem sido difícil produzir cafés de boa bebida.

Tanto nas regiões quentes como nas frias, nas duas condições, têm sido observadas dificuldades para o pegamento e desenvolvimento inicial das mudas de conilon no campo, especialmente aquelas de origem de estacas, as mudas clonais. As pesquisas e a prática mostram que, para o sucesso inicial da lavoura, é quase imprescindível fazer uma proteção com sombra no pós-plantio. Pode-se ver os resultados, sobre o efeito da proteção, em trabalho de pesquisa cujos dados constam do quadro 1. Verifica-se que o melhor desempenho no plantio, seja na percentagem de pegamento, seja no crescimento das mudas, esteve relacionado ao tratamento com o sistema de proteção pelo sistema de sombra mais efetivo, no caso através de lascas de bambu. Várias outras pesquisas, em diferentes regiões, confirmam isso.

A proteção é necessária tendo em vista que as mudas novas de conilon parecem ser mais susceptíveis à insolação, indicando que elas não conseguem um bom nível de fotossíntese com luz solar direta. Em consequência, transferem menos reservas às raízes e estas, enfraquecidas, não suprem adequadamente a parte aérea e, assim, se fecha o ciclo problemático. Também no frio, as plantas de conilon são mais sensíveis e muito prejudicadas pelo vento.

Para a proteção das mudas são mais utilizados pedaços de folhas de palmeiras, fincados de um ou dois lados da muda plantada, observando o caminhamento do sol, para melhor proteção. Ultimamente foi adaptado o uso de colmos de bambu gigante rachado e até, diante da dificuldade de obter estes materiais vegetais, vem sendo usados em alguns plantios pequenos pedaços de TNT. No caso das folhas de palmeiras, além do elevado custo do corte e transporte na maioria dos casos a longas distâncias, existe o problema ambiental, pois o material, mais comumente, é oriundo de palmeiras nativas.

Na proteção de sombra em plantios de mudas de café conilon são utilizados materiais como colmos de bambu partidos e fincados no solo

Também podem ser usados pedaços de folhas de palmeira

Um novo tipo de proteção, a custo mais baixo e que parece bem adequado, foi idealizado e testado, recentemente, em duas áreas piloto de café conilon, no Sul de Minas, na Fazenda Experimental de Varginha e na Fazenda Santa Helena, em Areado. Trata-se do uso de folhas de bananeira como material de sombra. Para isso, pequenas estacas de bambu comum são fincadas ao longo da linha de plantas, ficando distantes a cada 5-6 m e com altura de cerca de 30cm.

Sobre essas estacas coloca-se na horizontal, varas de bambu rachado ao meio, sendo fixadas nas estacas. Em seguida, apenas sobre as mudas, são colocados um- dois pedaços de folhas de bananeira, de forma que eles fiquem apoiados na vara de bambu e passe pro outro lado, sendo que nas pontas da folha de bananeira, junto ao chão, coloca-se um pouco de terra para fixação, evitando sua retirada pelo vento. Essa proteção fica no campo, por cerca de 3-4 meses e na medida em que as folhas de bananeira vão secando e diminuindo sua sombra, elas vão proporcionando uma ambientação natural das mudas de café no campo, agora já adaptadas, pelo melhor equilíbrio folhas/raízes.

Indica-se, ainda, acoplar este tipo de proteção ao plantio profundo, deixando o local de colocação da muda na cova ou sulco, com uns 10 cm de fundura abaixo do nível do solo, a muda tendo sua posição do colo mantida na superfície.

Quatro 1- Pegamento de mudas e altura das plantas do ensaio de tipos de proteção no pós-plantio de conilon, Varginha (MG), 2010.

Fonte – Matiello, Almeida, Ferreira I e Ferreiria R. In Anais do 36º CBPC, Fundação Procafé, 2010, p. 51.


Vista do jardim clonal da cultivar Colatina de conilon, com plantio protegido no sistema de folhas de bananeira, na Fazenda Experimental de Varginha.




Na Fazenda Santa Helena (Areado-MG), detalhe da proteção. Já com dois meses de idade, a primeira planta protegida e já desenvolvida, enquanto a segunda, sem sombra de folhas bananeira, com fraco desenvolvimento, apesar da irrigação.

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