sábado, 7 de setembro de 2013

A Síria, a Europa e os Estados Unidos

Inicialmente convencido de que obteria a aprovação do Parlamento britânico para juntar-se ao governo Obama num eventual ataque ao regime de Bashar al-Assad, o primeiro-ministro conservador David Cameron sofreu uma dura derrota parlamentar. Escaldados pelo apoio irrestrito do governo Tony Blair à invasão do Iraque, em 2003, os parlamentares condicionaram a ofensiva inglesa à apresentação de provas, colhidas pela ONU, de que Bashar al-Assad utilizou armas químicas contra a população e os rebeldes sírios.

Luiz Felipe De Alencastro
Manifestantes da UJS (União da Juventude Socialista) se deitam no chão durante protesto contra a intervenção na Síria em frente à embaixada norte-americana em Brasília
Trinta parlamentares conservadores juntaram seus votos aos da oposição trabalhista para derrubar a proposta de Cameron. Comentando o voto do Parlamento britânico, que o "The New York Times" escreveu: "Humilhado pelos parlamentares no caso da Síria, o primeiro-ministro Cameron parece destinado a ter um papel menor, enfraquecido no seu país e no exterior". Para o jornal londrino "The Telegraph", a declaração de Kerry foi um "tapa na cara" do Reino Unido.
A amargura britânica foi ainda aprofundada pela declaração feita logo em seguida por John Kerry, o secretário de Estado americano, classificando a França como "a aliada mais antiga dos Estados Unidos". Como sabe, a França enviou à América do Norte forças da Marinha e da infantaria, sob o comando do marquês de Lafayette, para lutar ao lado de George Washington contra o exército colonial britânico na guerra de independência americana (1775-1783).
Todavia, o governo de François Hollande, predisposto a apoiar a ofensiva militar na Síria, também teve que recuar frente às reservas da opinião pública francesa a uma abertura de hostilidades contra a Síria.
Para refutar as críticas, o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault reiterou as declarações de Hollande, afirmando que a ofensiva militar não visava a derrubada de Bashar al-Assad, mas tão-somente um "uma ação firme e proporcionada" para punir os ataques com bombas químicas perpetrados pelo governo sírio no dia 21 de agosto, os quais, segundo os serviços secretos franceses, causaram um mínimo de 281 mortos. Completando, o chefe do governo francês disse que a França não agiria sozinha e esperava constituir uma coalizão militar antes de passar à ofensiva.
Bombardeiro B-52 Stratofortress se aproxima de um Stratotanker KC-135 sobre o Oceano Pacífico em 14 de agosto de 2009. Estados Unidos e outras potências ocidentais têm alertado para ataques militares iminentes contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, após uma suspeita de ataque com armas químicas que mataram centenas de civis, incluindo dezenas de crianças, nos subúrbios de Damasco em 21 de agosto
No meio tempo, Obama decidiu esperar um voto favorável do Congresso sobre a intervenção militar na Síria. Segundo o jornal de Washington, "The Hill", os líderes dos comitês das Forças Armadas do Congresso não apoiam uma intervenção militar direta na Síria, preferindo que os Estados Unidos forneçam mais equipamento bélico, principalmente armas antitanques, para os rebeldes.
Na verdade, por detrás das hesitações dos parlamentares e da opinião pública britânica, francesa e americana paira o espectro da guerra do Iraque e do Afeganistão: a inquietação sobre a abertura de um front na Síria que jogue de novo os soldados desses países numa longa e incerta campanha militar.

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