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domingo, 11 de março de 2012

CONILON, SAIBA QUEM DEVE SER HOMENAGEADO



O Espírito Santo é destaque na produção de café conilon. Milhares de pessoas dependem dele. Mas na história do café conilon merece registro o nome de duas pessoas. Eduardo Glazar e Dário Martinelli.
Conto porque.
Quando foi feita a erradicação dos cafezais, o Governo somente financiava a produção de mudas e o plantio de café arábica, em altitude acima de 400 metros. A região baixa estava fora dos planos do Governo.
No primeiro mandato de Eduardo Glazar na prefeitura de São Gabriel da Palha ele entendeu que seria necessário produzir mudas de café conilon. O seu sucessor, Dário Martinelli tinha a mesma idéia, prosseguiu o trabalho.
Tem ainda outro fato. Eduardo e Dário exerceram quatro mandatos de prefeito. Eles devolveram a São Gabriel da Palha e ao Espírito Santo muito mais do que as vitórias que o povo teve nas urnas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DO CAFÉ CONILON NO ESPIRITO SANTO -1


              “Ainda há pouco, quando estive no Rio de Janeiro, fiz aquisição de duas mil mudas e cincoenta litros de sementes de uma excelente qualidade de café, o “Conillon”, estando todas elas já distribuídas.”
            Esta citação está no relatório final do mandato do Governador Jerônimo de Souza Monteiro, que dirigiu o Espírito Santo de 1908 a 1912. Como se fosse uma profecia o Governador além de trazer e distribuir, ainda afirmava que a qualidade do café era “excelente”. Jerônimo foi um governante bem próximo do meio rural, com quem mantinha ótimas relações.
Para onde foram as mudas e as sementes do Conilon de Jerônimo Monteiro? Para pergunta é preciso realizar mais pesquisas nos documentos oficiais da época.
Na década de 80 conversando com o produtor Luiz Machado, proprietário da Fazenda das Flores, Castelo, sul do Estado, ele me relatou que das duas mil mudas do Conilon pelo menos oitenta foram levadas para Castelo. Ele ainda afirmou que viu quando menino o lote de mudas virar uma lavoura de oito mil pés e desta lavoura formaram-se outras lavouras. Falou também que algumas mudas foram encaminhadas para a comunidade de Monte Alverne, com uma altitude bem maior que na Fazenda das Flores, mas que elas não tiveram vida longa.
Quando nas décadas de 40 e 50 centenas de famílias do Sul do Estado se deslocaram para o Norte em busca de novas áreas para trabalhar, elas levavam na mudança, além de mudas de café arábica, mudas do Conilon originárias do lote doado por Jerônimo Monteiro, me afirmou seu Luiz Machado, que foi líder rural e chegou a ser Secretário da Agricultura na década de 50.
O Conilon sobreviveu praticamente como um clandestino até a grande erradicação ocorrida na década de 60. Falava-se até que o Conilon era veneno. A sua aparição como realidade econômica ocorre com a crise provocada com a erradicação das lavouras de café. Aqui aparece o polonês Eduardo Glazar, de São Gabriel da Palha, que vendo as conseqüências nefastas que a erradicação das lavouras havia deixado, conhecedor da existência do Conilon, fez o plantio e quando prefeito de São Gabriel da Palha ampliou a sua ação. Na Prefeitura continuou a sua ação e o seu sucessor Dário Martinelli prosseguiu. Eduardo voltou a ser prefeito e novamente foi substituído por Dário. Mantiveram a política de apoio irrestrito ao plantio do Conilon. Logo em seguida apareceu o financiamento para o plantio de café arábica em área acima de 400 metros de altitude. São Gabriel da Palha estava fora, porque a totalidade de sua área fica abaixo de 400 metros. Por ação da lavoura capixaba e dos representantes na Junta do Instituto Brasileiro do Café (IBC), Eduardo Glazar e Jair Coser, o Conilon passou a ter financiamento para o seu plantio.
No ano de 1975 foi realizada a primeira previsão oficial feita pelo IBC da produção do Conilon, que ficou com uma safra de 200 mil sacas. A atual foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 8,5 milhões de sacas.  Neste ano de 2011 a produção ficou em 8,5 milhões de sacas, um indicador de que milhares de pessoas estão trabalhando nas lavouras. O Conilon tem um importante peso na nossa vida econômica e social. Os demais estados produziram 2,8 milhões de sacas, sendo que toda tecnologia que usaram é capixaba, como grande parte dos proprietários, principalmente em Rondonia e Bahia.
Neste cenário temos dois pontos interessantes de serem comentados. O primeiro é de como chegamos a esta situação e como nós a entendemos. Na realidade os dois pontos convergem para um mesmo ponto: damos o devido valor e importância à nossa cafeicultura?
O grande passo no Conilon foi dado pelos técnicos do setor público estadual, por meio de pesquisas e experimentos que levaram o Espírito Santo ser destaque em todo Mundo. Uma gente que trabalhou duro e ganhou prestígio internacional, mas o ganho real interno não foi proporcional ao sucesso da lavoura até o consumidor final, passando pelos cafeicultores, comerciantes locais e exportadores. O Conilon faz parte da identidade, do imaginário e da realidade capixaba, sem ele a nossa agricultura seria de segunda classe? Tenho dúvidas qual seria a nossa classificação.
ronaldmansur.blogspot.com

sábado, 26 de novembro de 2011

AGORA É HISTÓRIA


Na solenidade acorrida no dia 17 de setembro, em São Gabriel da Palha, a Cooabriel homenageou os cafeicultores Eduardo Glazar (in memoriam), Dario Martinelli e o exportador Jonice Tristão, pela dedicação e contribuição que deram a cultura do conilon, foi a autenticação de um fato Histórico.
Neste dia foram premiados os 20 melhores produtores de conilon. Aqui é o prosseguimento do trabalho iniciado pelo Governador Jeronimo Monteiro que trouxe duas mil mudas e 50 litros de sementes do conilon. Depois os cafeicultores migrando do Sul para o Norte do Estado, levaram sementes e mudas, fazendo a sua disseminação. Vieram as pesquisas do Instituto Brasileiro do Café (IBC) que logo passou para o que é hoje o Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural Incaper. O conilon ibernou até os anos 60, quando teve uma atenção especial em São Gabriel da Palha. Nesta época ocorria a erradicação dos cafezais e o êxodo de milhares de capixabas.  Aqui entra a ação de Eduardo Glazar, Dario Martinelli e Jonice Tristão.
Glazar e Dario viram caminhões de lotados de pessoas deixarem o Norte. Viram chegar o financiamento para o plantio de café arábica em áreas acima de 400 metros de altitude. São Gabriel estava fora do programa de plantio das lavouras, lá é raro uma propriedade acima de 400 metros. Lutaram pelo financiamento do conilon. Quando Eduardo foi prefeito comandou a produção de mudas de conilon e as distribuía. Foi sucedido Dario, que seguiu a mesma política. Eles foram prefeito por quatro mandatos. Depois o conilon veio a ter financiamento para o seu plantio. Neste episódio tem importância capital o exportador Jair Coser, da Unicafé. São Gabriel da Palha saiu na frente. É por isto que lá está a maior e mais importante cooperativa de conilon do Mundo. Quando se fala em conilon, lembramos da Cooabriel.
Jonice Tristão tem participação decisiva quando implanta a Realcafé, indústria de café solúvel e garante a Eduardo a compra de todo conilon de São Gabriel da Palha. Está sinalização foi a partida para a produção das mudas. A Realcafe foi inaugurada em 1971 e apenas em 1975 o IBC fez a primeira previsão de safra, o conilon, chegou a 200 mil sacas. Hoje a produção do Brasil é superior a 10 milhões. O conilon da Bahia e Rondonia é fruto de mãos e plantas matrizes capixabas. A Realcafé foi um vetor decisivo. O que seria do Espirito Santo sem o conilon?
Na solenidade de reconhecimento histórico, o presidente da Coabriel, Antonio Souza Neto lembrou que em 2008 eles receberam 261 mil sacas de café e neste ano, 553 mil. Em 2011 a barreira do milhão de sacas é a meta a ser batida.  
Governador Paulo Hartung, com a autoridade de quem mudou a Administração Pública capixaba, assinou o documento onde os homenageados passam à História, ao dizer: A História não começou com a gente. Ela é feita de erros e acertos, tropeços e caminhadas ao longo de uma vida. É importante valorizar aqueles irmãos nossos que praticaram atos que mudaram os rumos das coisas, quando as pessoas estavam de cabeça baixa sem saber para onde ir, com a erradicação dos cafezais. Se abriu uma trilha, um caminho novo.
Peço licença como cidadão e profissional de imprensa, que assistiu no dia a dia grande parte do que aqui foi descrito, para dar o meu aval irrestrito a homenagem que recebeu Eduardo Glazar, Dário Martinelli e Jonice Tristão.  Agora é História.