sexta-feira, 2 de março de 2012

COENTRO E PLANEJAMENTO



Ao lado da Secretaria da Agricultura funcionava uma feira de produtos sem veneno.
 O produtor Leonídio Vervloet, de Itaguaçu, foi indagado porque não havia coentro. Deu uma desculpa ao freguês,
Depois me falou que ele estava encarregado de produzir três canteiros de coentro, mas que plantou apenas dois, o que resultou na falta da mercadoria.
Já o responsável pela produção de beterraba ultrapassou a sua cota e a mercadoria sobrou.

COLOCAR EM RISCO O FUTURO



Reunião de família.
Todos presentes.
Pauta: 
- lançar mão na poupança para ajudar um parente com problemas financeiros.
Amplo debate, mas apenas os filhos e a filha têm direito a voto. Eu e Eliane somos platéia.
Augusto, 17 anos, CONCORDO.
Vinícius, 14 anos, ESTANDO NOSSO PARENTESCO EM DIFICULDADE FINANCEIRA, PODENDO AJUDAR, VAMOS AJUDAR. CONCORDO.
Helena, 9 anos, VOCÊS VÃO COLOCAR EM RISCO O MEU FUTURO. CONCORDO.

SALOMÉ – BOLINHOS



Adrião Coelho Filho, mais conhecido como Salomé, foi uma figura impar. Certa vez após uma grande noitada, com o dia já raiando, Adrião conferindo a conta que corretamente registrava cerveja, whisky, Martini, Cinzano, cachaça, caipirinha e ainda cinco salgados, indagou:
- Vocês são demais, parece que não comem em casa.

Memória viva





Leitor assíduo dos escritos do jornalista Ronald Mansur na página de Opinião de A GAZETA, aceitei o recomendado em seu artigo do dia 30/08-2010, motivado por nossa origem árabe, e entrei em contato com ele para obter o texto sobre Pedro José Aboudib. Fui duplamente contemplado: primeiro pelo prazer de conhecer Ronald pessoalmente. Conversa agradável, é memória viva da emigração no Brasil (não só dos libaneses). Segundo, o texto é excelente e fala da vida de um libanês, como muitos outros, emigrante importante na história de nosso Estado. Li com muita atenção, passei a ter mais orgulho de meu avô, Basílio Keijok, e adotei a frase que demonstra o orgulho de Ronald Mansur por sua (nossa) ascendência: "Líbano - minha alma veio de lá".
Aldo José Barroca, Goiabeiras - Vitória.

obrigado Aldo. ronald mansur

quinta-feira, 1 de março de 2012

Imigrante no século do isolamento: 1870-1970


Não faz duas horas, às 21 horas recebi o seguinte texto via email, vindo de Venâncio Aires, Rio Grande do Sul

Boa noite, Mansur. 
Segue o link para acessar o livro publicado no site Estação Capixaba.
É muito gratificante ver mais uma obra “decolando”. Que outros pesquisadores aproveitem as informações nela transcritas!
Com um grande abraço
Ivan Seibel

Em resposta mandei uma mensagem.
Ivan
Eu imagino a tua alegria, que deve ser muitas vezes a minha.
Eu estou super contente com o caminho que a tua obra vai tomando e vai nos tomando de emoção. Quando escrevemos, queremos passar aos demais, os nossos sentimentos e queremos que mais pessoas, muitas pessoas,um monte de pessoas tomem conhecimento das nossas palavras e da nossa crença – que é uma só, participar e estar presente.
Um grande abraço e queria que você o dividisse com que ama e compartilha as alegrias e as dores.
Ronald Mansur

Em tempo: acesse estacaocapixaba.com.br

Imigrante no século do isolamento: 1870-1970

outro dia eu falo quem é Ivan Seibel, um 
capixaba que mora no Rio Grande do Sul.





























CULTURA E LIBERDADE



O Império Romano foi o maior império da antiguidade. A história afirma que a sua superioridade estava na grandiosidade do seu exército. Assim conquistava e dominava por séculos outros povos. Mas para dominar um povo, por menor expressão que este tenha, era necessário dominá-lo também culturalmente. Por isso os romanos imediatamente destruíam seus deuses, suas estátuas, sua religião, sua arquitetura e sua língua e impunham a sua ordem, seus deuses e seu idioma. Tentaram fazer isso inclusive com a cultura cristã. Mas o Cristianismo dos hebreus, inferior numérica, econômica e belicamente foi um grande movimento de resistência cultural mesmo custando a morte de seu mentor: Jesus Cristo, o que é o Cristianismo hoje?
O exemplo mais recente de dominação está relacionado com os Estados Unidos que culturalmente, depois dos anos de 1980, vem dominando o mundo. Aqui não foi preciso exército para impor sua dominação. Os meios de comunicação, especialmente “Hollywood”, através do cinema popularizaram a língua inglesa, com ela, o heroísmo do americano, como se esse fosse o “mocinho” do mundo. Com isso hoje não é só chique falar inglês, mas para se comunicar em qualquer parte do mundo é necessário e ter dólar no bolso. É através da cultura que dominamos ou somos dominados.
Seguindo esse esquema norte-americano, aqui no Brasil, a televisão e o rádio usavam a música inglesa nos anos de 1980 para monopolizar a cultura vendendo um estilo de vida americano. Essa dominação cultural chegou a tal ponto que cantores brasileiros gravam musicas em inglês, tinham o nome artístico inglês e se diziam dos Estados Unidos para conquistar o público, pois ser brasileiro era ser caipira, atrasado, da periferia do mundo.
Assim teríamos outros exemplos na nossa história. Mas estes bastam para perceber que como diz o sociólogo gaúcho Pedrinho Guareschi, a cultura é a alma de um povo. É aquilo que anima uma nação. Dá sentido a vida de um povo. Um povo sem cultura é um povo alienado, dominado e morto. Um povo sem identidade baseada na sua história não desenvolve, não tem raízes, não tem argumentação, não tem alma e facilmente dominado por outro povo. A cultura eterniza um povo tornando-o resistente. A cultura é mais importante que o pão de cada dia. Sem cultura você não saberá nem produzir o pão. Terá que adquiri-lo. Cultura fortalece a liberdade, a auto-estima, a fé.
Cultura é tudo que fazemos. Quando você enfeita seu quarto com um quadro estará fazendo cultura. Quando você consome uma comida local ou de fora você está tomando uma posição cultural. Cultura é tudo que curtimos. Mas um povo que tem consciência da sua histórica e prioriza esse curtir para assim contribuir no desenvolvimento local e sustentável. As comunidades tradicionais no interior dessa grande nação chamada Brasil estavam profundamente ameaçadas de extinção pela globalização com a chegada da energia elétrica, geladeira, parabólica, internet. Mas as comunidades que se preparam com escolas e têm governantes locais comprometidos com seu verdadeiro papel histórico, invertem essa ameaça. Usaram o avanço tecnológico, a televisão e a internet para mostrar ao mundo a sua identidade cultural. Vendem a sua cultura. Viraram sujeitos da história, produtores e não só consumidores de cultura. Assim a cultura não é só a melhor forma de resgatar a auto-estima, mas também gerar inclusão, renda e mais qualidade de vida a essas comunidades, por mais tradicionais que elas sejam. Uma cultura não pode dominar a outra, no máximo se integrar para juntos construir uma sociedade mais justa e mais humana. Todo movimento cultural deve dialogar com a ética cristã. Isso significa combater a pobreza. Dignificar e buscar o pobre, o excluído. Dar sentido a vida. Respeitar o meio ambiente. Isso significa combater eventos onde o fanatismo religioso, entre outras festas só levam o nosso pouco dinheiro em troca de milagres. Fazer cultura é enfrentar, resistir permanentemente a esse “império romano” ainda hoje disfarçado de cordeiro. Fazer cultura é concretizar o conceito de libertação no mais profundo e eterno sentido cristão dessa palavra.

TEXTO DE: Jorge Kuster Jacob é sociólogo, professor e secretário municipal de Cultura e Turismo de Vila Pavão, ES.

HORÁRIO DO JORNAL DO CAMPO



Logo no início da Escola Família Agrícola (EFA) de Garrafão, Santa Maria do Jetibá, fomos registrar a iniciativa.
Na saída o Pastor Sigmund Berg perguntou em domingo a matéria iria ao ar. Conversa vai, conversa vem, acertamos a data. O Pastor programou o culto para terminar um pouco antes do Jornal do Campo ir ao ar. Naquele domingo a EFA estaria em festa e as autoridades do município e a comunidade estariam presentes.
A reportagem e o debate que seguiu ajudou a abrir a cabeça de muita gente. A EFA funciona até hoje.
Texto do livro: Jornal do Campo 20 anos, no caminho da roça aqui fala quem faz e outras histórias, 1999. Texto de número 71, de um total de 99.