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Distribuídos pelo Brasil Rural Contemporâneo
2012 nos espaços de suas regiões ou na Praça dos Povos e Comunidades
Tradicionais, há indígenas das mais diferentes tribos. Uns falam seus
dialetos, outros só o português. Têm aqueles que trabalham com barro e os que
preferem madeira, sementes ou penas. Apesar de características que os
individualizam, possuem em comum o orgulho por suas origens e o talento para
expressar em arte suas vivências.
Apayupi Wara, 42
anos, é artesão, assim como sua esposa, os oito filhos e a maior parte da
tribo. Ele veio para a VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma
Agrária vender as peças fabricadas de barro e contas produzidas no Xingu em
Mato Grosso. Apesar de não falar muito bem português, deixa clara sua opinião
sobre o evento. “Muito boa essa feira. Vem muitas pessoas e a gente vende
muito”, conta.
Já Luciana Alves, 38,
se expressa muito bem em português, e gosta de se apresentar com seu nome de
batismo, embora, em casa, seja chamada de Iranay, nome indígena que significa
“aquela que cura”. Ela fica no espaço do Nordeste, e veio representando o
Comitê Intertribal de Mulheres Indígenas (Coim) trouxe os produtos de cerca
de 70 mulheres de 11 povos diferentes. O grupo participa do evento desde a
primeira edição e faz sucesso com os visitantes.
A índia Xucuru
Kariri, do município de Palmeira dos Índios em Alagoas, aprendeu o ofício do
artesanato com a mãe e ensinou aos filhos. Assim, toda família trabalha na
produção de colares, cocares, maracas, e outras peças que trazem um pouco da
história e modo de vida de seu povo.
Os apitos emitem sons dos pássaros com os quais convivem à beira da mata e dos quais colhem as penas durante o período de muda para se enfeitar. Os instrumentos musicais são os mesmos que usam nos rituais. E as lanças, arcos e flechas são itens muito procurados como peças de decoração.
Trabalho e renda
O trabalho com artesanato ocupa metade da
mão de obra da tribo e é o principal responsável pela geração de renda. As
peças são vendidas em feiras locais e mandadas para outras cidades como Rio
de Janeiro, São Paulo e Brasília. A atividade também é um meio de se manterem
ligados às raízes junto com as festas, as danças e a agricultura.
O cultivo é, muitas vezes, financiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e conta com assistência técnica para dinamizar a produção, mas sem perder as características produtivas do povo. “Sempre que a gente precisa de ajuda, eles ajudam”, afirma Iranay, a índia que traz no rosto, pintado a lápis, a esperança. “Esperança de um futuro melhor, de um Brasil melhor, não só para nós indígenas como para todos os brasileiros”, emenda com simplicidade. |
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