sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Artesanato indígena traduz modo de vida


Distribuídos pelo Brasil Rural Contemporâneo 2012 nos espaços de suas regiões ou na Praça dos Povos e Comunidades Tradicionais, há indígenas das mais diferentes tribos. Uns falam seus dialetos, outros só o português. Têm aqueles que trabalham com barro e os que preferem madeira, sementes ou penas. Apesar de características que os individualizam, possuem em comum o orgulho por suas origens e o talento para expressar em arte suas vivências.
Apayupi Wara, 42 anos, é artesão, assim como sua esposa, os oito filhos e a maior parte da tribo. Ele veio para a VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária vender as peças fabricadas de barro e contas produzidas no Xingu em Mato Grosso. Apesar de não falar muito bem português, deixa clara sua opinião sobre o evento. “Muito boa essa feira. Vem muitas pessoas e a gente vende muito”, conta.
Já Luciana Alves, 38, se expressa muito bem em português, e gosta de se apresentar com seu nome de batismo, embora, em casa, seja chamada de Iranay, nome indígena que significa “aquela que cura”. Ela fica no espaço do Nordeste, e veio representando o Comitê Intertribal de Mulheres Indígenas (Coim) trouxe os produtos de cerca de 70 mulheres de 11 povos diferentes. O grupo participa do evento desde a primeira edição e faz sucesso com os visitantes.
A índia Xucuru Kariri, do município de Palmeira dos Índios em Alagoas, aprendeu o ofício do artesanato com a mãe e ensinou aos filhos. Assim, toda família trabalha na produção de colares, cocares, maracas, e outras peças que trazem um pouco da história e modo de vida de seu povo.
Os apitos emitem sons dos pássaros com os quais convivem à beira da mata e dos quais colhem as penas durante o período de muda para se enfeitar. Os instrumentos musicais são os mesmos que usam nos rituais. E as lanças, arcos e flechas são itens muito procurados como peças de decoração.
Trabalho e renda
O trabalho com artesanato ocupa metade da mão de obra da tribo e é o principal responsável pela geração de renda. As peças são vendidas em feiras locais e mandadas para outras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A atividade também é um meio de se manterem ligados às raízes junto com as festas, as danças e a agricultura.
O cultivo é, muitas vezes, financiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e conta com assistência técnica para dinamizar a produção, mas sem perder as características produtivas do povo. “Sempre que a gente precisa de ajuda, eles ajudam”, afirma Iranay, a índia que traz no rosto, pintado a lápis, a esperança. “Esperança de um futuro melhor, de um Brasil melhor, não só para nós indígenas como para todos os brasileiros”, emenda com simplicidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário