No dia 13 de novembro me apressei para chegar ao Aeroporto de Vitória para receber o suíço Alfred Müller que pela internet, com seis meses de antecendência, informou-me que chegaria às 18h30. Como suíço é pontual, às 18 horas eu já estava no aeroporto. De repente uma voz clamou: "Ronald, Ronald!". Era Alfred que havia chegado às 14h. O mundo está mudando, até os suíços foram contaminados: agora eles chegam antes do horário programado.
Alfred Müller é um arquiteto que conheci pela internet e que ficou interessado pela imigração suíça para o Espírito Santo e pelo casal Frederich Stauffer e Anna Maria Kobi Stauffer, que chegou com 22 anos de idade no final de 1856. Vieram em busca de sonhos, de vida digna numa terra distante e desconhecida. Vieram para Rio Novo do Sul. Kobi Stauffer é a família de minha mulher Eliane. Estivemos na Suíça e, pelas mãos de Alfred, reencontramos a família Stauffer 153 anos depois da imigração.
No dia 14 de novembro, eu, Eliane, nossa filha Helena e seu namorado Tony Cordeiro levamos Alfred para conhecer uma típica família rural capixaba descendente de europeus. Fomos a Santa Maria do Jetibá na casa de Igo Tesch e Josilene Arnholz Tesch, produtores de hortaliças orgânicas há dez anos. Em dois hectares eles produzem 60 tipos de hortaliças e cuidam de uma criação de aves de postura com 110 galinhas. A produção é destinada à comercialização na feira orgânica que é instalada aos sábados embaixo da Terceira Ponte, em Vila Velha.
Depois de andar por entre canteiros e ouvir a história de vida de Igor e Jozi, Alfred falou: "Pode ser que no começo o interesse principal fosse o dinheiro, porque não podemos viver sem ele, mas hoje o que fazem têm o coração e a consciência. O dinheiro é consequência do que realizam. Vocês fazem a agricultura do futuro. Tenho certeza de que daqui a 20 anos muitos vão fazer o que vocês fazem hoje. Fico admirado com o trabalho que fazem todos os dias e no final da semana colhem, embalam a produção, tomam a estrada e andam 113 quilômetros para chegarem à feira, depois mais 113 para voltar para casa."
No dia 16 fomos levar o guia ao aeroporto. Antes de chegar ao Brasil ele havia passado na Argentina e agora seguiu para o Chile, onde num trabalho voluntário irá encontrar-se com outra família de origem suíça. Na despedida falei para Alfred: "Encontrar para conhecer, conhecer para caminhar juntos e caminhar juntos para amar mais" - texto que tomei emprestado do padre Humberto Pietrogande. O guia suíço foi embora.
ronaldmansur@gmail.com
domingo, 11 de dezembro de 2011
FEIRA ORGÂNICA DE VILA VELHA, ANO SEIS.
A feira orgânica de Vila Velha completou seis no dia 19 de março. Certamente que muitos que a freqüentam tem plena consciência de que estão comprando frutas, verduras e legumes de alta qualidade. Produtos limpos do ponto de vista de resíduos dos venenos usados nas lavouras. Sabem que vão comer um alimento de verdade, um alimento para a vida. Mas o grupo que sabe como foi a luta dos feirantes até o dia de hoje, é pequeno e restrito.
Os agricultores de Santa Maria do Jetibá e Iconha, que estão do outro lado da banca merecem o reconhecimento pelo trabalho que realizam e pelos produtos que nos fornecem, puros e limpos de agrotóxicos. Sou grato a eles que chegam pela noite de sexta-feira e dormem debaixo das barracas. No sábado, bem cedinho iniciam a comercialização. Vida de trabalho. Por isto vou agradecer sempre.
Mas nesta data quero fazer uma viagem ao passado, não muito distante, mas o necessário para não esquecermos. Falo do início do processo que resultou no atual estágio da agricultura orgânica no Espírito Santo. Tenho de fazer uma viagem de pouco mais de 130 quilômetros, sentido sul do Estado, indo até Cachoeiro de Itapemirim. Foi lá que tudo começou no ano de 1985, quando a Prefeitura local (administração Roberto Valadão) e pela condução competente do agrônomo Nasser Youssef Nars montou o que logo ficou conhecido como Hortão Municipal.
Centenas de agricultores foram lá para conhecer o que era produzir em escala comercial e com elevada produtividade verduras, folhas e frutas sem o uso de produtos químicos e venenos pesticidas. Era a agricultura natural – que retirava produção da natureza, mas fazendo a menor agressão possível.
Um grupo especial de produtores frequentou com constancia o Hortão e de lá tirou ensinamentos que carregam até hoje. O conhecimento absorvido passou a constituir um bem patrimonial, porque foi passado para os filhos e para as comunidades. Falo das excursões que a Igreja Cristã Evangélica de Confissão Luterana (ICLEB) promoveu para os seus membros. É bom lembrar que nos anos 80 quem falasse em agricultura orgânica era discriminado e tido como um tolo sonhador. Assim procediam muitos agrônomos e dirigentes de empresas ligadas ao Governo Estadual. O tempo passou e muitos dos algozes do passado hoje pensam e agem de forma diferente. Melhor assim.
Por isto que nas manhãs de sábado ao percorrer as barracas da Feira Orgânica da Praia da Costa, faço uma viagem sentimental, mas cheia de fatos, histórias e pessoas. Penso nas ações concretas de pessoas no passado. Desta forma, o pensamento segue no sentido de Cachoeiro de Itapemirim, bairro Aeroporto, onde ficava o Hortão, mais tarde Centro de Agricultura Natural Augusto Ruschi. Ao agrônomo Nasser Youssef Nasr, a nossa gratidão e reconhecimento. Hoje o Hortão não existe mais, fruto da ignorância e da vaidade de pessoas que não sabem reconhecer o trabalho dos outros.
Mas vamos voltar a feira orgânica da Praia da Costa, ponto de compra de produtos de qualidade, também ponto de encontro de amigos e amigas que estão no corre corre da vida durante a semana. No sábado com um ritmo menos acelerado, colocam as conversas em dia e mais tarde vão almoçar uma comida de verdade. Viva o Hortão de Cachoeiro de Itapemirim.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Descendentes de suíços procuram suas origens
A missão foi facilitada pelo arquiteto Alfred Muller, que havia conhecido há oito anos, por meio da Internet. Havia deixado uma mensagem no site da comunidade de Eggiwil, no Cantão alemão de Berna, informando que Friedrich e Ana Maria haviam imigrado para o Brasil e nós estávamos em busca dos parentes. Alfred pesquisou nos informou a data do nascimento, batismo e casamento de Friedrich, bem como os nomes de seus irmãos e pais. Depois nos enviou mais cinco gerações dos membros da família. Mantivemos sempre contato e a expectativa de um dia ir à Suíça.
Neste ano a oportunidade surgiu e na estação de trem de Berna estava a nos esperar, no dia 11, Alfred Muller, arquiteto aposentado dos projetos e das construções físicas, mas agora conhecedor apaixonado de História Familiar e Genealogia, arquitetando e fazendo o encontro de famílias com o seu passado. Em pouco tempo de convivência parecia que já nos conhecíamos há anos, afinal a mesma raiz.
Depois de alojados no hotel, Alfred Muller nos levou a sede da Swissinfo e logo em seguida fomos a um café onde após longa conversa nos mostrou duas pastas com dados sobre as famílias Stauffer e Kobi, bem como toda nossa correspondência trocada nos últimos anos. Logo em seguida apresentou e discutiu conosco a programação para os nossos próximos dias. Meus filhos Vinicius e Helena eram os interpretes em inglês.
No dia 12 de maio, bem cedo começamos a percorrer o Cantão alemão de Berna, em direção da comunidade de Eggiwil, região tradicional e famosa do Emmenthal, onde são produzidos os mais finos queijos da Suíça. Estávamos na terra de Friedrich Stauffer, 153 anos depois de sua partida. Conhecemos a Igreja Protestante Reformada Suíça, onde Friedrich foi batizado no dia 27 de julho de 1834 e casado no dia 8 de junho de 1856.
Neste dia a grande emoção, encontramos a família Stauffer. Foram horas de conversas, lembranças e buscas num tempo passado, um resgate. Quando o sangue e a emoção se apresentam, o suíço tido como frio desaparece, surge uma relação verdadeira. Lá deixamos com Monika Stauffer uma bandeira do Espírito Santo e informações sobre a imigração para o Brasil, dela recebemos um livro de História, todo marcado, da sua época de estudante. De volta ao hotel nós nos perguntávamos se era realidade ou sonho o que estávamos vivendo.
No dia 13, o nosso guia e orientador Alfred Muller estava firme a nos esperar para mais jornada de buscas e agradáveis surpresas. Em Rapperswil, ainda no Cantão de Berna ficamos sabendo que Cristian Kobi, sogro de Friedrich Stauffer, que também veio para Rio Novo do Sul, havia sido professor na comunidade. Conhecemos a casa onde ele dava aulas, hoje uma residência.
Ainda no dia 13 nós fomos conhecer a casa onde morou o também imigrante Johann Scheidegger e sua família, já no Cantão Frances de Jura, pouco antes de deixar a sua Pátria. Aqui entramos e em torno de uma imensa mesa conversamos longamente com a família Von Daniken. À noite fomos ao jantar festivo dos 37 anos do casamento de Alfred e Marie, na casa dos nossos guias e orientadores.
No dia 14, vimos um pedaço da imigração suíça para o Espírito Santo no Arquivo Nacional, o manuscrito do livro Barão Johann Jokob Von Tschudi que esteve no Espírito Santo em 1860 em busca de seus compatriotas em Rio Novo do Sul, Domingos Martins e Santa Leopoldina. Dos documentos brotaram informações e dados. Em reação natural, a garganta ficou seca, o coração bateu acelerado e a emoção deixou os olhos cheios de lágrimas. Era História Viva e Familiar
A nossa História está por ser escrita. Nos arquivos dos países que tiveram parte de suas populações vindas para o Espírito Santo, estão documentos que precedeu a vinda deles. Estão a espera que quem os vá descobrir e divulgá-los.
É preciso mergulhar na História. Um retorno ao passado pode explicar os nossos dias. Quando saltamos da vida familiar para a vida da comunidade, entendemos a força que empurrou e a força que atraiu as famílias suíças para a aventura de mudar para novas terras. No final da jornada um registro:
- Agradecer é o mínimo que podemos fazer. A acolhida nos marcou. O teu esforço e dedicação em abrir caminhos e portas, colocaram luzes no nosso passado, na nossa História. Seremos eternamente gratos. Encontrar para conhecer. Conhecer para caminhar juntos. Caminhar juntos para amar mais. padre Humberto Pietrogrande. Alfred e Marie: a vida vale à pena quando: o coração, a espírito, a razão, a solidariedade, a emoção e o amor andam juntos e no guiam. Até o Brasil. A nossa casa é a casa de vocês. Venham!
As famílias capixabas não devem perder a oportunidade de conhecer as suas histórias. É cansativo, às vezes trabalho em vão, mas uma ação que faz muito bem ao espírito e às gerações que nos seguirão. Construir o futuro no presente, mas conhecendo de fato o passado, é o que interessa de fato.
Vivemos um sonho, mas real e com a certeza de que podemos e devemos avançar muito mais, por isto: Obrigado, Alfred Muller, o nosso guia suíço.
ronaldmansur@gmail.com
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
ALEGRE, O PEQUENO LÍBANO
A cidade do Alegre foi um grande pólo de atração de famílias árabes, creio que proporcionalmente é a que tem a maior concentração de famílias de brimos do Brasil. A maioria é Cristã, mas alguns eram Drusos e Ortodoxos. Outro dia voltei lá e almocei num self-service que oferecia três pratos da nossa culinária: quibe, charuto e tabule. No Alegre as empregadas domesticas fazem comida árabe com fazem o arroz e o feijão tradicional.
Lá morei dos 8 aos 12 anos e tenho na memória o nome de muitas famílias. Fiz a minha lista e busquei ajuda com a brima Odete Jamil Amim e com a prima de sangue Zélia Cassa de Oliveira, do Instituto Histórico e Geográfico de Alegre. A listagem cresceu. Lá estão ou por lá passaram as famílias: Abdalla Assad, Adib Julião, Amim Moussi Chalhub, Adelaide Tannure Simão, Aduan Rachid Aduan, Assad Mileip, Amim Sader Tannure, Abdalla Rachid, Adma Hanzi Rachid, Alla Abikair, Adile Julião, Amim Cade, Assad Cade, Amim José Demian, Alice Najar Assad, Adélia Jourdi, Amim Mileip, Assad Felipe, Abraão Nicolau, Antonio Miguel, Amaro Feti, Alfredo Alcure, Andume Tannure, Assad Faissal, Chicri Tannus Quezem, Calisto, Cecim Tannure, Cheim, Cecília Francis Simão, Chebel Tannure Simão, Chicri Sily, Carolina Farah Alcure, Camilo, Calil Miguel Salim, Chequer Jabour, Calil Julião, Calil Cecim Tannure, Calil Salim Calil, Elias Alcure, Etien Khoury, Emily Gaebi Tannure, Espiridião Nascif, Gabriel Simão, Gastão Zeitum, Hend Farah Faissal, Hala Faissal Halim Azoury, Hend Cade, Hend Alcure Faissal, Halim Demian, Heston Ali Zeitum, Helena Abraão, Issa Jorge Kede, Jamil Cade, Latuf, Lucia Assad Tannure, Luzia Chebel Tannure Simão, Lizala Cheim, Noemia Tannure, Nahle Matar Tannure, Nadima Jabour, Nacib Cade, Nagib Farah Alcure, Jamil Amim, Nagib Abikair, Nagib Auad, Nagib Azoury, Nagib Sader Tannure, Nagib Amim, Nazira Cade, Salim Chebel Tannure, Salomão David Cade, Simão Alcure, Simão Hadid Tannure, Sayd José Demian, David Thomé, Simão Haufuche, Salim Nassar, Simeão Guenin Simão, Said Aby Mohamed, Salim Chalhub, Salim Simão. Não sei se faltam famílias, por isto peço que me enviem as devidas correções.
Lembro de muitos fatos interessantes, segue alguns. Amin Felipe da Silva, filho de libaneses, era professor de frances, fui seu aluno. O professor Amin avançava no horário além do meio dia. Para enfrentar nossa agonia, ele apresentava uma solução para quem desejasse sair no horário normal: na próxima aula haverá prova oral. Quem acertar tudo pode levar 10. Quem errar terá zero. Nunca vi ninguém sair no horário normal.
Jamil Mauche tinha carro de praça e possuía uma adaga- uma faca, com o nome da sua cidade de nascimento. Uma figura marcante da colônia libanesa foi Rachid Abdalla, funcionário do IBGE e que tinha um serviço de auto-falantes nos postes que funciona há 50 anos.
No Bar Pico da Bandeira, de Pedro Tannure, vendia quibe cru e frito, lembro da sua inauguração. A Casa Dois Irmãos onde meus pais compravam sapatos para toda família. Gastão Zeitum gostava de galos de briga, meu irmão Francisco, não saía de lá. Lembro de uma moldura com a foto do galo chamado Oculista, porque nas lutas ele furava os olhos do adversário.
Temos de levantar, registrar e preservar a nossa História. Se cada família se dispusesse a contar a sua jornada, teremos um rico material. Quando falamos da imigração libanesa para o Estado, Alegre nunca deve ser esquecida. Brimos, uni-vos.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
NECESSIDADE, POSSIBILIDADE E VONTADE
No ano de 1969 a necessidade de ser ter uma educação rural apropriada em Alfredo Chaves fez surgir a Escola Família Agrícola (EFA). Por onde passaram centenas de pessoas. Filhos e filhas dos primeiros alunos e alunas também passaram pela EFA. Certamente que alguns netos e netas dos pioneiros hoje estudam aqui. Do ensino básico dos primeiros anos hoje temos um ensino técnico. Uma evolução natural. Como será o amanhã. A necessidade gerou a EFA.
A possibilidade da EFA surgiu depois que a comunidade teve necessidade de olhar mais longe. O surgimento da escola tem ligação direta com a capacidade de organização e de traçar metas das famílias rurais.
No pátio desta EFA eu vi nascer e dar os primeiros passos a organização dos produtores de banana. Primeiro em forma de associação, depois como uma cooperativa. Lembro bem disto. Foi um passo e uma ação que se perdeu no tempo. Mas a EFA continuou sua trajetória, ajudando e sendo levada pelas famílias. Não é por acaso que daqui de Alfredo Chaves seguiu para a Itália em 1967 o jovem Ednis Orlandi para se preparar e depois vir a ser monitor na EFA. Foi. Voltou. Até hoje tem íntima ligação com a EFA, doando parte de seu tempo ao movimento que o acolheu no passado.
Foi também aqui em Alfredo Chaves que no ano de 1979 o Movimento de Educação e Promocional do Espírito Santo (Mepes) realizou uma memorável assembléia. Os governantes da época queriam colocar um ponto final na vida do Mepes. Naquele ano a EFA de Rio Novo do Sul por ocasião da festa do município apresentou no desfile, profeticamente, as mazelas que vivemos nos dias de hoje: álcool, êxodo e drogas. O tema central da CNBB - Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil era: saúde para todos. A EFA representou o tema da CNBB.
Por causa deste desfile o Governador Eurico Rezende chamou o padre Humberto Pietrogrande no Palácio e disse: vocês não são subversivos, vocês são de oposição. Padre Humberto respondeu: mas não estamos à venda. Na assembléia ocorrendo. A pressão política quase sufocou e acabou com o Mepes. Eu disse quase.
Hoje mais um passo: os ex-alunos e alunas tomam a iniciativa de fazer uma ação no sentido de manterem e preservarem uma relação mais presente com a instituição onde tiveram a oportunidade de terem formação educativa em todos sentidos. O ato fortalece a escola. Exemplo que poderá ser seguido por ex-alunos e alunas de outras unidades que compõem o Mepes. Não tenho dúvida que esta ação mostra que a Pedagogia da Alternancia é uma ação concreta no meio rural capixaba.
A Escola Família Agrícola nestes 42 anos sempre teve o objetivo de ser um acessório da família, mas nunca substituí-la. Como diz João Martins, agricultor de Rio Novo do Sul, a Escola Família Agrícola não tem e nunca teve como objetivo fixar o homem e a mulher no meio rural, a proposta é a liberdade de escolha e a formação de pessoas que tenham livre arbítrio, sejam corretas nas suas ações, competentes no se determina fazer, comprometidas com causas justas e solidárias para com os seus irmãos. A necessidade mostrou que havia possibilidade de mudança na realidade há 42 anos. A vontade de mudar gerou a possibilidade. Agora existe a necessidade de fortalecer a EFA de Alfredo Chaves, mas existe a possibilidade de agir neste sentido, desde que exista a vontade de agir hoje, com o conhecimento da história, com os pés no chão e sonhos na cabeça de cada um. Por consequencia teremos um Mepes forte. Necessidade, possibilidade e vontade, vamos novamente unir estas palavras e viver o futuro. Contem comigo para mais um desafio.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A MINHA FAMÍLIA
O meu núcleo familiar é igual a qualquer outro. No mapeamento familiar materno, tenho registros que dão mergulho em Portugal e com passagem em Minas Gerais. Aliás, grande parte dos capixabas tem sua origem histórica nas terras mineiras, tudo obra do isolamento do Espírito Santo ter permanecido intocado praticamente até o XVIII. Por obra e a ação de pesquisa de anos da prima Zélia Cassa de Oliveira, que percorreu dezenas de cidades mineiras, em Cartórios, Paróquias e Arquivos Particulares, para nos brindar com o: Os Alves Araujo Ribeiro Soares – homens e mulheres forjados na luta. Agora sei de onde vim e que tipo de gente tenho na origem materna.
Zelia nos faz viajar numa estrada que começa em Portugal, passa por Minas e em 1866 toma como destino as terras capixabas, quando os descendentes dos Alves de Araujo Ribeiro Soares ‘’tomaram conhecimento de que uma nova fronteira agrícola se abria, desta vez para as bandas da Serra do Caparaó- naquele momento conquistado por um poderoso rei – O CAFÉ.’’
Na imensidão de informações que Zélia nos passa, abaixo uma transcrição sobre meu bisavô, Lino Ribeiro de Assis.
-Adolescente ainda, tomando consciência das míseras e degradantes condições de vida dos negros, nas grandes fazendas de café da região, dedicou-se a defesa da causa abolicionista, para desespero do pai Vicente, proprietário de algumas dezenas de escravos. Nessa aventura era coadjuvado pelo primo Manoel Ribeiro de Souza Cassa, menino de porteira na tropa do Velho Cassa.
-Para alimentar a campanha operacionalizada de porta em porta, nos ranchos – centro de convergência de tropeiros – Manoel recolhia panfletos, jornais e revistas abolicionistas – que passava às mãos de Lino. Nessas ocasiões, o abolicionista pacientemente explicava a absurda existência de pessoas tratadas com “coisas” vendidas como animais. Outras vezes, era na praça ou na porta da sua venda, que, através de discursos inflamados manifestava a sua indignação.
-Ao ser substituída a mão de obra escrava pela do imigrante, Lino, voltou a sua atenção para a situação do semi escravismo na qual se debatiam os colonos europeus, nas mesmas fazendas, antes escravocratas. Revoltado com tais circunstâncias, Lino dedicava parte do seu tempo criticando os fazendeiros como tratavam os patrícios e Dona Filomena Vicvaqua, por estar esta senhora sempre ao lado do Padre José Evaristo Villa – com quem Lino comprava brigas homéricas.
-As divergências contra Dona Filomena se acirravam quando nascia mais uma filha na casa do casal Lino e Carlota (dez filhas no total). Protegida pela altura do seu sobrado, Filomena chegava à janela e gritava: você já comprou a enxada para a sua filha? O piano para a minha filha já chegou.
A briga entre “piano” e ‘enxada, costumava durar semanas, dividindo a comunidade entre “pianistas’’ partidários de Filomena e enxadeiros correligionários de Lino; até que ela ou ele, por algum ouro motivo, corriqueiro ou sério, dava motivo para o recomeço de novas querelas. Num destes ‘’entreveros’’ o padre Vila excomungou Lino e a sua família até a quarta geração.
Se toda famílias tivessem uma Zélia, certamente teriam mais informações sobre o passado, que é a base do futuro. Em tempo, o livro que tem centenas de informações ainda não está a disposição do público, por isto convoco todos os Alves de Araujo Ribeiro Soares interessados em conhecer um pouco da sua história familiar a entrarem em contato comigo.
ronaldmansur@gmail.com
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
AGRO INDÚSTRIA E TRADIÇÕES
Por ser um Estado ainda jovem, o Espírito Santo guarda uma boa gama de traços culturais dos imigrantes que aqui aportaram, embora estes traços venham sendo esquecidos. Esta colocação que faço é um apelo no sentido de refletirmos sobre as nossas condições sócio-culturais. Com uma urbanização crescente nas últimas décadas, a relação campo cidade teve uma grande inversão. De uma sociedade rural, com a população morando nas propriedades e em pequenos aglomerados, vamos assistindo um adensamento populacional, com todas as suas vantagens e também carregando todos problemas.
O ajuntamento das pessoas em centros urbanos gerou necessidades de cunho pessoal para muitos. Afinal de contas a grande parte de nossa população possui um vinculo direto com o campo. Poucas famílias são raiz totalmente urbana.
Mas a urbanização gerou para uma grande parte da população uma necessidade de estar em contato com o campo e dele fazer sua extensão de lazer e convívio familiar. É justamente neste ponto que no meio rural muitas famílias entram oferecendo uma gama de produtos. Aqui na verdade é a constatação direta do que dizem os planejadores e os consultores da era moderna: o empreendedorismo. A ação que grande parte destes empreendedores do campo, ou mesmo localizados nos pequenos aglomerados urbanos, estão fazendo é uma busca desesperada para permanecer onde estão. Não querem tomar o rumo das cidades, como já fizeram milhares e milhares de capixabas. Sabem que o que vão encontrar: violência, miséria, desemprego e coisas piores. Sabem que é uma caminhada sem volta. O êxodo é uma realidade que a comunidade rural assiste todos os dias.
O que retratei acima é para fazer um pano de fundo em informações que venho colhendo no interior do Estado onde nos últimos 32 anos vou toda semana para produzir o programa Jornal do Campo da TV Gazeta. Os órgãos ditos fiscalizadores e normatizadores com relação a indústria artesanal rural estão na verdade espalhando um terror descabido junto a comunidade que processa e produz.
O Espírito Santo precisa com urgência deixar a mediocridade de lado e trabalhar com o seu Povo e ao lado dele. As tradições de nossa culinária que vieram com imigrantes italianos, pomeranos, espanhóis, portugueses, árabes, africanos, poloneses, suíços e outras etnias são hoje usadas como alternativas para a permanência do campo, mas estão sendo motivo para uma pressão por parte do esquadrão fiscalizatório do Governo do Estado. O que o nosso meio rural descobriu e pratica é unir a produção ao turismo, o que denominamos de Agroturismo, um caso de sucesso reconhecido por todo Brasil, mas que está vendo as mãos invisíveis chegando ao seu pescoço. Lembro que logo no início do Agroturismo no início da década de 90, a família Carnielli após ter sido mostrada no Jornal do Campo como uma família empreendedora recebeu uma “visita” de um veterinário do Governo do Estado colocando defeito em tudo e querendo vender um resfriador de leite. Na época comuniquei ao Secretario de Agricultura Adelson Salvador que no outro dia mandou outro veterinário a Venda Nova do Imigrante pedir desculpas pelo acontecido. Governador Casagrande, eis a questão econômica e social hoje, mas amanhã certamente será policial.
ronaldmansur@gmail.com
O ajuntamento das pessoas em centros urbanos gerou necessidades de cunho pessoal para muitos. Afinal de contas a grande parte de nossa população possui um vinculo direto com o campo. Poucas famílias são raiz totalmente urbana.
Mas a urbanização gerou para uma grande parte da população uma necessidade de estar em contato com o campo e dele fazer sua extensão de lazer e convívio familiar. É justamente neste ponto que no meio rural muitas famílias entram oferecendo uma gama de produtos. Aqui na verdade é a constatação direta do que dizem os planejadores e os consultores da era moderna: o empreendedorismo. A ação que grande parte destes empreendedores do campo, ou mesmo localizados nos pequenos aglomerados urbanos, estão fazendo é uma busca desesperada para permanecer onde estão. Não querem tomar o rumo das cidades, como já fizeram milhares e milhares de capixabas. Sabem que o que vão encontrar: violência, miséria, desemprego e coisas piores. Sabem que é uma caminhada sem volta. O êxodo é uma realidade que a comunidade rural assiste todos os dias.
O que retratei acima é para fazer um pano de fundo em informações que venho colhendo no interior do Estado onde nos últimos 32 anos vou toda semana para produzir o programa Jornal do Campo da TV Gazeta. Os órgãos ditos fiscalizadores e normatizadores com relação a indústria artesanal rural estão na verdade espalhando um terror descabido junto a comunidade que processa e produz.
O Espírito Santo precisa com urgência deixar a mediocridade de lado e trabalhar com o seu Povo e ao lado dele. As tradições de nossa culinária que vieram com imigrantes italianos, pomeranos, espanhóis, portugueses, árabes, africanos, poloneses, suíços e outras etnias são hoje usadas como alternativas para a permanência do campo, mas estão sendo motivo para uma pressão por parte do esquadrão fiscalizatório do Governo do Estado. O que o nosso meio rural descobriu e pratica é unir a produção ao turismo, o que denominamos de Agroturismo, um caso de sucesso reconhecido por todo Brasil, mas que está vendo as mãos invisíveis chegando ao seu pescoço. Lembro que logo no início do Agroturismo no início da década de 90, a família Carnielli após ter sido mostrada no Jornal do Campo como uma família empreendedora recebeu uma “visita” de um veterinário do Governo do Estado colocando defeito em tudo e querendo vender um resfriador de leite. Na época comuniquei ao Secretario de Agricultura Adelson Salvador que no outro dia mandou outro veterinário a Venda Nova do Imigrante pedir desculpas pelo acontecido. Governador Casagrande, eis a questão econômica e social hoje, mas amanhã certamente será policial.
ronaldmansur@gmail.com
Assinar:
Postagens (Atom)