domingo, 1 de julho de 2012

Incaper integra missão da ONU no Haiti






Divulgação
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) é a única instituição de pesquisa agropecuária a integrar o projeto da Organização das Nações Unidas (ONU) para a recuperação do Haiti. A missão internacional é liderada pelo governo japonês por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

Neste fim de semana, uma comitiva formada por três representantes do Incaper viaja até o Haiti. Os capixabas levam na bagagem o conhecimento desenvolvido nas áreas de cafeicultura, fruticultura, culturas alimentares e florestais, para contribuir na recuperação econômica do país por meio da agricultura.

A missão tem por objetivo gerar emprego e renda no Haiti e, assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. O País foi devastado por um terremoto em janeiro de 2010, e passa por um processo de recuperação econômica e social. Como se trata de um acordo de cooperação, há benefícios para todos os envolvidos. “Quando se fala em tecnologia, o Japão é referência. Esta é uma boa oportunidade para mostrarmos o potencial da nossa ciência, nossa tecnologia, para todo o mundo”, disse Evair Vieira de Melo, diretor-presidente do Incaper.

O acordo de cooperação técnica também abre mercado para que os produtos brasileiros, em especial os cultivados no Espírito Santo, entrem no Japão. “Ao escolher o Incaper para integrar essa missão internacional, o Japão percebeu a preocupação do Espírito Santo no que se refere à segurança alimentar. Ganhamos credibilidade, e isso abre espaço para os produtos cultivados no Estado no mercado japonês”, complementou Evair.

Além disso, é uma forma ainda de capacitar os profissionais capixabas. “Os técnicos do Incaper que integram a comitiva vão ampliar seus conhecimentos. Poderão pesquisar, por exemplo, as pragas e doenças que atingem as plantações do Haiti devido à situação adversa, a convivência com o déficit hídrico, e trazer os resultados para melhorar a agricultura capixaba no que se refere à defesa fitossanitária”, finalizou o diretor presidente do Incaper.

Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação – Incaper
Eduardo Brinco/Juliana Esteves/Luciana Silvestre
Texto: Juliana Esteves
comunicacao@incaper.es.gov.br
Tel: 3636-9865/3636-9868/9850-2210/9964-0389
Twitter: @incaper

AQUI O ESPÍRITO É SANTO

                 Espírito Santo, mistura de raças que no dia a dia vai formando uma comunidade dona do seu destino. Na mistura dos sons e ritmos, passando pela culinária vai sendo erguida a base do futuro de todos.

                 Convento da Penha o grande marco do Espírito Santo, que encanta aos que aqui chegam, representa o registri da união da fé dos que vieram do além mar e a força dos nativos do paraíso capixaba.
                 Na caminhada pelas praias as belezas naturais se destacam até mesmo para o olhar menos atento. Aqui a natureza mostra as suas curvas, que enchem os olhos, embala os sonhos e encanta.
                 A mão generosa do Criador nos privilegiou, já que em poucos instantes podemos deixar as ondas do mar e o majestoso mangue e chegar as montanhas sinuosas ainda cobertas por florestas, é a Mata Atlântica. Florestas harmoniosas que como pequenas lágrimas formam os riachos e as belas cachoeiras de águas puras, cenário deslumbrante que ajuda a descansar o corpo e a alma.
                 Na agricultura feita em terreno adverso e um grande esforço, o homem do campo mostra a sua capacidade e competencia, vencendo duros obstáculos, gerando trabalho e colheita farte.
                 O Espírito Santo é tudo isto.
                 Mas o Espírito Santo da cidade é também um povo que trabalha e transforma as riquezas naturais em produtos que ganham o Mundo, geram riquezas, trabalho e colheita farta. É assim o cotidiano dessa gente capixaba.
                 O Espírito Santo é tudo isto.
                 Mas a marca definitiva do Espírito Santo representada pela beleza do beija flor, que ao se aproximar e tocar a flor, é como um avisar a todos que aqui é um lugar diferente e que o espírito é santo 

JORGE ABIB, MANDOU...


                  Jorge Abib foi um professor de Geografia, nascido em Castelo, sempre foi uma pessoa diferente.
                  Lembro que logo no início da década de 60, no início do ano letivo no Colégio Estadual João Bley, ele falou para todos estudante que estavam perfilado para irem em seguida para as suas classes, "vamos ter uma biblioteca sem portas". Jorge estava dizendo como seria o Colégio e seu funcionamento naquele ano.
                 Eu com 14 anos de idade levei ao pé da letra as palavras do Mestre.             Chegando em casa arranquei a duas portas de corredor da estante e dei um fim nelas.
                Hoje olhando o passado fico refletindo sobre a visão de Jorge Abib e a ação de um menino que tempos depois entendeu a mensagem:
                - temos de ter livros livres, para que as pessoas sejam igualmente livres e felizes.

APOSENTADORIA


              Um dia fui abordado por um funcionário jovem público, que havia acabado de se aposentar, com a seguinte pergunta:
             - Seus pais tinham terra, propriedade rural?
             Já sabendo o resto da conversa falei que libanês não tem terra, libanês tem esquina.
             Assim evitei uma proposta indecorosa para fraudar documentos e também me aposentar.

A MISS E EU


             Em 1972 comecei a trabalhar como repórter no jornal O Diário.
             Um dia aparecerem várias misses na redação. o chefe de reportagem, Paulo Bonates, fez uma entrevista com uma delas. Assistindo a conversa vi que a moça não gostou nada quando Bonates falou que Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino e Rubem Braga estavam espalhado que namoravam com ela.
             Meio sem graça a miss disse que não era verdade e ''ainda mais com os tres de uma vez." Lembro que me diverti muito e ficava pensando: quanta ignorância, não conhecer os monstros sagrados da literatura brasileira.
             Tempos depois fui fazer uma entrevista com Kleber Andrade que era presidente do Rio Branco. Para minha surpresa a secretária era a miss que havia sido entrevista por Bonates. Fiquei lembrando da época da entrevista na redação do Diário e a ignorância da miss.
              De repente a minha ficha caiu: seu conheço os monstros sagrados e ela não, quem era o ignorante. Pedi licença a secretária e desci e na loja Samorini, que fica perto, comprei um livro de autoria de um deles e dei presente  para a miss.
               Naquele dia fiquei um pouco menos ignorante. Lá se vão 40 anos de uma lição que aprendi e carrego comigo.

UMA HISTÓRIA DE ALEMÃES QUE AJUDARAM A CONSTRUIR O BRASIL



O casal Herdana e Dieter Freifrau von und zu Fraunberg chegou ao País na década de 60, colaborando com desenvolvimento social de Crissiumal (RS) e Salvador (BA)
Quando alguém se dedica à uma comunidade agregando valores e ajudando no desenvolvimento social, podemos dizer que isso é uma atitude nobre. E é por aí que iniciamos a contar a história de Herdana Freifrau von und zu Fraunberg, nascida em 4 de abril de 1942, na cidade de Fraunberg, na Alemanha. A família de origem literalmente nobre de Herdana vive desde os anos 1000 D.C. naquela localidade da região alemã da Bavária e seus antepassados eram senhores feudais e muitos deles, cavaleiros. Até então, essa história parece um tanto quanto distante do Brasil. Mas foi em 1963 que Herdana, hoje com 70 anos vivendo em um castelo germânico medieval construído em 1245 e seu marido, Dieter Freiherr von und zu Fraunberg, desembarcaram em solo brasileiro. Dieter na época era um jovem estudante de teologia e já sonhava em atuar como pastor em algum templo cristão da Igreja Luterana da Alemanha. E esse sonho acabou se concretizando. Dieter poderia optar entre Nova Guiné e Brasil. Escolheu o país sul-americano. Dieter e Herdana casaram-se em 1961, um ano depois nascia a primeira filha do casal - Birgit e em abril de 1963, chegavam ao Brasil de navio, desembarcando em um porto no sudeste do País.

Logo após chegar ao Brasil, o casal soube que iria para o Rio Grande do Sul, adaptando-se ao RS com uma pequena estada em Ijuí, no noroeste gaúcho. Não demoraria muito,e, assim, já em outubro de 1963, Herdana e Dieter chegaram a Crissiumal, onde permaneceram por 12 anos. Ao chegar no município, localizado na divisa com a Argentina, o casal alemão encontrou desafios e desafios. Um deles era concluir a construção do templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) que estava pela metade em um momento em que a população daquela cidade enfrentava graves problemas na infraestrutura da localidade. "A comunidade refletia se queria continuar mantendo a escola. Um médico tão somente atendia a uma população de 20 mil habitantes. O hospital privado na cidade era muito pequeno, a casa pastoral era muito precária com risco de desmoronamento e nas comunidades da paróquia, no interior, as igrejas de maderia estavam igualmente muito precárias", conta Herdana.

Para iniciar o enfrentamento daqueles desafios, Herdana e Dieter começaram a encontrar nas comunidades lideranças dispostas a abraçar as causas da população. Ao lado destas comunidades, todas as igrejas foram reformadas. Com a chegada do médico José Carlos Togni a Crissiumal, iniciaram os planos para a construção de uma nova casa de saúde no município. "Para a construção definitiva dos novos prédios do Hospital de Caridade de Crissiumal conseguiu-se verbas da Central Evangélica de Desenvolvimento de Bonn, da Alemanha", destacou Herdana.

Com a vinda do professor Ruben Goldmeyer, hoje diretor do Instituto de Educação Ivoti (IEI), à Crissiumal, iniciou a construção de um novo prédio para a escola comunitária. "Alegramos-nos com este esforço coletivo para construções e reconstruções. Era agradável este planejamento em conjunto com a comunidade com vistas às necessidades e continuidade dos projetos iniciados, mantendo-os", relata emocionada Herdana.

A alemã, hoje septuagenária, comenta que sempre esteve muito ligada a Crissiumal, principalmente porque lá nasceram três dos seus filhos. E a convivência transparente com as pessoas descomplicou qualquer dificuldade que pudesse aparecer, assim como um trabalho com muito apoio estão nas recordações de Herdana. "O sentimento de que coletivamente se pode buscar objetivos comuns, superando desafios trouxe realização pessoal e a certeza de dever cumprido. Registre-se, que, de outro lado foi uma época de trabalho estressante, pois Dieter, como pastor, além da comunidade de Crissiumal atendia mais 14 comunidades filiais, assim nominadas", conta Herdana.

Os desafios decorrentes do jardim de infância, da escola comunitária com projetos de construção e conclusão do Hospital de Caridade com observância de "absurdas burocracias", significaram para Herdana muitas horas na descrição de projetos e traduções. "Só quando se é jovem, se pode dar conta de tantos desafios", relata.

Salvador

Em 1975, a IECLB solicitou que a mudança do casal para Salvador, na Bahia, por onde permaneceram por cinco anos. No nordeste brasileiro, o desafio de Herdana e Dieter era auxiliar na reconstrução da comunidade, onde existia uma plena heterogeneidade: velhos comerciantes alemães, jovens técnicos alemães, engenheiros, químicos, profissionais liberais e suas respectivas famílias vindas do sul do País, que se incorporavam à comunidade evangélica luterana de Salvador. "O trabalho era desenvolvido de forma bilíngue, iniciando formas diferenciadas de cultos. Durante a semana as atividades concentravam-se no trabalho com senhoras e crianças, pois a atuação profissional dos homens acontecia em locais distantes de Salvador", conta Herdana.

A vida em um castelo

Na década de 80, Herdana e Dieter acabaram retornando à Alemanha, passando a viver em um castelo medieval, construído em 1245, em Fraunberg, com muros e riachos ao redor. "O castelo foi muito atingido e quase destruído na Guerra dos 30 anos (1618 – 1648) e posteriormente restaurado em 1690", relata Herdana.

No último século, o castelo sofreu com as duas grandes guerras, a crise mundial industrial e a necessidade de encontrar espaços para prisioneiros de guerras, fugitivos, e migrantes. O pai e o irmão de Herdana foram vítimas da guerra. "De 1987 a 1993 saneamos a restauração do muro do castelo, recebendo subsídios do governo alemão pois o mesmo é patrimônio cultural. Tínhamos aprendido a lidar com relatórios e prestações de conta em Crissiumal na construção de hospital e escola", disse Herdana.

A família de Herdana vive desde os anos 1000 D.C., em Fraunberg, na região alemã da Bavária. Entre os antepassados de Herdana estão senhores feudais e muitos cavaleiros. Eles passavam terras a agricultores que entregam percentuais da colheita. "Os senhores feudais assumiam o compromisso de zelar pelo Direito, Lei e Ordem e proteger os vâssalos em épocas de guerras. Estes senhores feudais tinham de outro lado contato com príncipes e reis. O castelo, ao longo de séculos, era um centro cultural da localidade. A igreja  da localidade foi construída por antepassados. Eles opinavam e decidiam sobre os pastores que viriam a atuar aqui e sobre os professores que trabalhavam na localidade", conta Herdana.
Muitos dos antepassados de Herdana – eram católicos – e, assim, foram bispos, arcebispos, freiras e abadessas. Outros estavam comprometidos com a administração local, inclusive funcionários reais.

Família e história para crianças

Hoje, Herdana dedica-se à família e ao trabalho com crianças. "O mais importante para mim é ter tempo para a família. Os filhos ao lado dos genros, nora, nove netos e minha mãe com quase 99 anos de idade", conta. Herdana integra ativamente a pequena comunidade, em que reside, próxima ao aeroporto de Munique. A comunidade atualmente passa por dificuldades. "Nessas horas, aquela nossa experiência em Crissiumal a serviço da comunidade conta muito e é sempre valiosa", destaca.

Herdana faz questão de contar a história de sua família para as crianças, perpetuando assim também parte de seu legado. "Quando passo nos diferentes quartos do castelo conto-lhes como as pessoas viviam antigamente e como as crianças eram educadas, o que elas tinham que aprender, que armas os cavaleiros utilizavam, como as pessoas se alimentavam e o que não se conhecia da medicina que hoje é de domínio público, como eram os trabalhos manuais das senhoras e os passatempos", relata.
Herdana conta ainda que tenta fazer com que as crianças vivenciem aqueles momentos. "Ao natural, sempre se interessavam pela época dos cavaleiros que, com a descoberta de armas e com o início da Guerra dos 30 anos, deixaram de existir", conclui.

Imigrantes Alemães no Espírito Santo



Igreja Luterana em Domingos Martins - ES
Se comparado com os estados do sul do Brasil, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Espírito Santo recebeu um número pequeno de imigrantes alemães. No entanto, uma rápida visita à região serrana do estado, principalmente nos municípios de Domingos Martins e Santa Maria de Jetibá, entre outros, não deixa dúvidas da presença germânica. Seja na arquitetura, na língua ou na atuação da igreja luterana, a marca do imigrante alemão se faz sentir em solo capixaba tão forte quanto em terras gaúchas ou catarinenses.
Os hunsrücker (1847)
Os primeiros alemães a chegarem ao Espírito Santo eram do Hunsrück, região entre os rios Mosel e Rhein, então denominada de província prussiana do Rhein, no atual estado do Rheinland-Pfalz. Da região do Hunsrück já haviam partido muitos dos primeiros alemães para o Brasil durante os anos de 1824 e 1830. Após um período onde os gastos com a imigração foram proibidos pelo governo imperial, na década de 1840 novas levas começaram a chegar ao porto do Rio de Janeiro de onde eram destinados, em sua maioria, para a região centro-sul do país.
Em 1846, por intermédio do então presidente da província, Luiz Pedreira do Couto Ferraz, o Imperador D. Pedro II, permitiu que um grupo pequeno fosse enviado para Vitória, onde chegaram em 21 de dezembro de 1846. Depois de desembarcados no porto da capital, subiram o rio Jucu em canoas até chegarem à região serrana, em um lugar denominado pelos índios botocudos de “Cuité”, fundando no dia 27 de janeiro de 1847 a colônia de Santa Isabel, a primeira colônia de imigrantes alemães em solo capixaba. Eram 39 famílias, sendo 16 evangélico-luteranas e 23 católicas, cerca de 160 pessoas.
As primeiras famílias eram: Bastian, Bohn, Chall, Christ, Degen, Effgen, Faller, Feiper, Flotinger, Franz, Gerhardt, Gilles, Hand, Ludwig, Marx, Mildenberger, Morjer, Rhein, Schmidt, Schneider, Stein, Stumm, Trarbach, Trenkbluth, Waiandt, Wahler e Velten.
Cada família recebeu do governo imperial cerca de 50 hectares de terra para o cultivo e uma ajuda de custo por tempo determinado. Naturalmente os católicos se aproximaram de Viana, cidade povoada por católicos açorianos, e lá frequentavam o comércio e a igreja local. Em 1852 a primeira igreja católica foi consagrada na vila de Santa Isabel e tinha como Padroeiro São Bonifácio.
As divergências religiosas impeliram as famílias luteranas a subirem ainda mais a serra, para um local denominado de “Campinho”, atual Domingos Martins. Ali deram inicio a construção de uma igreja no final da década de 1850. Em 20 de maio de 1866, ainda sem torre, como ordenava a Constituição Brasileira, a igreja foi consagrada. Mais tarde, coordenados por Johann Nikolaus Velten, determinados e insatisfeitos com a situação que consideravam humilhante, deram inicio a construção da torre, que apesar dos entraves do governo imperial foi concluída e inaugurada em 30 de janeiro de 1887, sendo a primeira igreja protestante adornada com torre no Brasil.
Para o historiador Joel Guilherme Velten, entre os primeiros imigrantes havia muitos calvinistas que se agruparam com os luteranos e passaram a receber assistência de pastores com formação luterana à exemplo do que ocorreu também no sul do Brasil, especialmente nas colônias de São Leopoldo (1824) Três Forquilhas (1826).
Os pomeranos (1859)
O primeiro grupo de pomeranos no Espírito Santo chegou à Vitória no dia 28 de junho de 1859. Eram 117 imigrantes que haviam deixado sua pátria através do porto de Hamburg. Assim como os hunsrücker haviam feito 12 anos antes, subiram o rio Jucu em canoas até chegarem à região serrana, onde receberam terras em Santa Leopoldina, atualmente Santa Maria de Jetibá, e descobriram uma paisagem totalmente nova: ao contrário dos primeiros alemães a chegarem na região, os pomeranos desconheciam montanhas; a Pomerânia, no norte da Alemanha, é uma região costeira e plana.
Vencidos os desafios de adaptação, se integraram a nova realidade. Novas levas, cerca de 2.200 imigrantes de origem pomerana, chegaram principalmente entre os anos de 1868 e 1874, transformando o Espírito Santo no estado brasileiro com maior concentração de descendentes de pomeranos no Brasil.
Na década de 1970 o jornalista alemão Klaus Granzow veio para o Brasil e visitou a região, queria conhecer os descendentes de pomeranos que viviam no país. Descobriu que no Espírito Santo, assim como no Rio Grande do Sul (especialmente em São Lourenço do Sul) e Santa Catarina (Pomerode), ainda se falava o pomerano, dialeto que já não existia na antiga região da sua Pomerânia natal, dividida entre a Alemanha (Oriental) e a Polônia após 1945.
Granzow nasceu em 1927, em Mützenow, na Pomerânia, hoje parte do território polonês. Ele escreveu e publicou, antes de falecer em 1986, „Pommeranos unter dem Kreuz des Südens“, sobre sua viagens pelas colônias alemãs no Brasil, livro recentemente publicado em português pelo APEES - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo e pela ACAES – Associação da Cultura Alemã no Espírito Santo. Granzow descreve no livro hábitos comuns que foram preservados pelos imigrantes e seus descendentes mesmo estando tão longe da terra natal, sendo o principal deles o dialeto e o casamento pomerano.
Sejam hunsrücker ou pomeranos, os descendentes investem em grupos de dança, de música, de estudos da língua e várias outras iniciativas que buscam preservar a cultura de seus antepassados, mantendo viva, no Espírito Santo, a tradição trazida da Alemanha a mais de 160 anos.
 


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Informações


Autor: Rodrigo Trespach
Âmbito: IECLB / Sinodo: Espírito Santo a Belém
Natureza do Texto: Artigo
Século: 19