sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mercado internacional reconhece perdas do café no Brasil e preços disparam


Analistas e agrônomos já preveem danos para as próximas três safras de café no Brasil 


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café atingiu hoje o maior preço em 25 meses diante da perspectiva de um grande déficit global devido à quebra de safra causada pela seca no Brasil. A agência de notícias Bloomberg informou hoje que, no ano safra que inicia no dia 1º de outubro, a produção mundial vai ter um déficit de 7,1 milhões de sacas, de acordo com informações da consultoria Marex Spectron, baseada em Londres. Esta seria a primeira queda na produção em cinco anos.
O café arábica já subiu 88% este ano, o maior ganho entre 24 matérias-primas acompanhadas pelo índice da Standard & Poor’s. O rally deve provocar o aumento dos custos do café premium em cafeterias como a Starbucks e a J.M. Smucker Co.
“As preocupações com a oferta de café estão aumentando”, afirmou Jack Scoville, vice-presidente do grupo Price Futures, em Chicago. “E este problema provavelmente irá durar mais de uma safra”. 
Estudos e relatórios divulgados nas últimas semanas por órgãos do setor café têm confirmado as perspectivas de grandes perdas para esta e as próximas safras. Depois da pesquisa feita pelo Procafé, a pedido do CNC (Conselho Nacional do Café), que prevê um volume de 40,1 mi a 43,3 milhões de sacas para a safra 2014, os Grupos Técnicos em Cafeicultura (GTEC’s Café) se reuniram em Poços de Caldas-MG para o encontro anual, promovido pela Syngenta, em que discutiram a situação da cafeicultura brasileira. (Leia mais sobre o encontro no final da matéria).
Árvores morrendo
“A produção de café no Brasil deverá ser prejudicada pelos próximos três anos”, afirmou Judy Ganes-Chase, presidente da J. Ganes Consulting, no Panamá. “As árvores não conseguirão recuperar a umidade necessária depois de sofrerem com falta de chuvas e nutrição. As árvores também ficarão mais susceptíveis a doenças e outros problemas que não estão aparentes agora irão se manifestar no futuro”. 

A queda nos preços do café em 2013 fez com que muitos produtores parassem de investir em fertilizantes, além disso, as colheitas na América Central foram prejudicadas pela doença da ferrugem. 
“Não teremos grandes problemas com a oferta de café em 2014, mas enfrentaremos uma situação difícil em 2015-16”, informou a Marex, citando o possível El Niño, poderá trazer um excesso de chuvas ao Brasil e aumentar a incidência de ferrugem em cafezais da América Central. 
Os estoques do café robusta (conillon) monitorados pela Bolsa de Londres (NYSE Liffe) estão em seus menores patamares desde 2002. 
Confirmação de graves danos
Durante o tradicional encontro de integração entre os Grupos Técnicos em Cafeicultura (GTEC’s Café) promovido pela Syngenta, entre os dias 2 e 4 de abril, 220 agrônomos apresentaram suas análises para cada região produtora e apresentaram suas previsões para perda de safra. 

Um dos participantes, o engenheiro agrônomo Sálvio Gonçalves, que atua na região do Sul de Minas, afirma que “estamos presenciando um fato histórico na cafeiculturabrasileira” por conta do clima extremo dos últimos três meses. Ele pede cautela no momento da colheita. “Nós orientamos os cafeicultores a não realizarem prematura durante o mês de abril, apenas pela aparência e cor do fruto. O cafeicultor deve realizar levantamento por amostragem”.
Ao final das apresentações, o percentual de redução de safra com relação à última estimativa da CONAB foi de 17,6%, muito próximo dos 18% apresentado posteriormente em estudo encomendado pelo Conselho Nacional do Café – CNC e realizado pela Fundação Procafé. Embora o método proposto na reunião não tenha o rigor científico, a percepção dos especialistas sobre os impactos do clima sobre a produção de café nas suas regiões de atuação mostrou-se uma eficiente ferramenta de colaboração e de geração de conhecimento.
Os especialistas foram divididos em sete grupos, correspondentes às suas regiões de produção: Sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas, Centro-Oeste Paulista, Mogiana, Conillon e Cooperativas. Cada um dos sete grupos (GTEC´s) realizou reunião isolada dos demais e, posteriormente, foi apresentado o diagnóstico colaborativo regional da cafeicultura.
Assista ao vídeo abaixo com o depoimento de 21 agrônomos que participaram do encontro:


Veja também o gráfico com informações da área a ser colhida e as percepções sobre o tamanho da safra:


Assista aos vídeos na íntegra de cada um dos 7 grupos:
 
GTEC Sul de Minas -  http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51341
GTEC Cerrados - http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51335
GTEC Matas -  http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51339
GTEC Centro Oeste Paulista - http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51334
GTEC Mogiana - http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51340
GTEC Conilon - http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51337
GTEC Cooperativas -  http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51338
 
Fonte: Notícias Agrícolas // Fernanda Bellei

terça-feira, 8 de abril de 2014

Perseguição a Dirceu garante a Barbosa últimos dias de fama


Dirceu foi absolvido do crime de formação de quadrilha, mas sobra a obsessão: continuar a perseguir o inimigo número 1 da grande imprensa.


Lincoln Secco, para o Viomundo
Fellipe Sampaio/STF/SCO
Não basta julgar sem provas, é preciso condenar. Não basta o regime semiaberto, ao qual o apenado tem direito certo, é preciso protelar. Agora, um juiz de Brasília encaminhou ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, o pedido do Ministério Público do DF para investigar um suposto telefonema recebido por José Dirceu no presídio.
 
A razão nada oculta disso é bem sabida. José Dirceu foi absolvido do crime de formação de quadrilha e isto derruba, por extensão, a tese do domínio do fato. Aquela mesma que dizia que mesmo não sabendo “ele tinha que saber”. Uma revisão criminal da condenação por corrupção ativa deveria ser o próximo ato da encenação iniciada em 2005.
 
Judas
 
Por outro lado, Barbosa perdeu a serventia para os que lhe deitam os holofotes e lhe acalentaram o sonho da presidência da República. As candidaturas da direita já foram definidas e ninguém mais precisa da partidarização explícita do STF. Até porque o julgamento de Azeredo um dia poderia chegar lá.
 
Abandonado pelos amigos, Barbosa sente-se numa via crúcis, vendido por Judas. Diante da perda de prestígio, ofereceram-lhe uma vaga na Câmara ou (quem sabe?) no senado em incerta votação. É pouco para um “Cristo” que nasceu na manjedoura. A reação previsível é insurgir-se contra o que ele vê como abrandamento das condenações da ação penal 470. Ataca os colegas de toga, critica a imprensa, e ninguém mais o leva a sério. Afinal, ele mesmo já foi visto por Lula no papel de Judas.
 
Sobra a obsessão: perseguir o inimigo número 1 da grande imprensa, José Dirceu. Só a continuidade da perseguição lhe garante os derradeiros dias de fama. É simples assim.
 
E o PT?
 
Para a esquerda em geral, resta saber que a teoria do domínio do fato pode se tornar um perigo para a Democracia. Daí porque é importante derrubá-la numa revisão criminal do caso de Dirceu. Que antigos companheiros (embora não todos) prefiram abandonar Dirceu é compreensível. Judas fez o mesmo por bem menos: 30 moedas.
 
Os que estão no poder acreditam-se protegidos pelas amizades de ocasião e a volta do líder significaria um incômodo rearranjo de forças internas no PT. Mas também não poupam energias em inventar uma nova lei “contra o terrorismo”, cujo melhor efeito será o de um tiro no pé. Judas, como sabemos, agora é Ministro da Justiça dos homens.
 
O sábado de Aleluia
 
Mas os que estão embaixo já deveriam ter aprendido. Durante um debate na USP no dia 31 de março (corretamente chamado “Às vésperas do golpe”), entre as muitas arbitrariedades da repressão, os representantes dos Advogados Ativistas denunciaram que, recentemente, em Porto Alegre, ocorreu o indiciamento de seis militantes que participaram de protestos no ano passado. O mais surpreendente é que, na impossibilidade de provar o vínculo dos acusados com atos de depredação, o inquérito buscou sustentação na tese do “domínio do fato”…
 
Ao fim do citado debate, os jovens organizadores saíram ao pátio, chutaram e queimaram um boneco representando um General da Ditadura.
 
Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP.

Levantamento encomendado pelo CNC junto à Fundação Procafé aponta perdas significativas

Levantamento encomendado pelo CNC junto à Fundação Procafé aponta perdas significativas, ocasionadas pela estiagem, sobre as safras 2014 e 2015 de café O Conselho Nacional do Café (CNC), frente à inusitada situação climática vivenciada no cinturão produtor do Brasil, no começo deste ano, com falta de chuvas especialmente em janeiro e fevereiro, encomendou, junto à Fundação Procafé, uma pesquisa para apurar os danos causados às lavouras cafeeiras e as consequentes perdas que ocorrerão nas safras 2014 e 2015 do País, o maior produtor mundial.   A avaliação foi realizada pela equipe de técnicos especializados em cafeicultura da entidade, visando estimar, de forma objetiva, os reflexos da estiagem e da falta de chuvas quanto aos aspectos vegetativos e produtivos das lavouras, o que gerou “chochamento” dos grãos e redução do tamanho e do peso dos frutos. O trabalho, em nível de campo, ocorreu ao longo do mês de março, após a retomada de precipitações suficientes para o retorno do processo fisiológico normal dos cafeeiros, cessando, portanto, a maior parte dos efeitos do veranico. De acordo com os estudos, tomando como base a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – 46,5 milhões a 50,1 milhões de sacas de 60 kg – para a safra 2014, dos quais 35,0 a 37,4 milhões de sacas correspondem ao café arábica, foram observadas perdas de aproximadamente 18% sobre a produção desse tipo de café, com o volume total a ser colhido (arábica+conillon) recuando para um intervalo entre 40,09 milhões e 43,30 milhões de sacas. Os pesquisadores da Fundação Procafé explicaram que o efeito da seca e das altas temperaturas foram mais acentuados nos cafezais com menor nível tecnológico, nos quais o produtor utilizou poucos insumos, principalmente os fertilizantes, devido aos preços aviltados do mercado antes da seca. Mas essa situação de carência nutricional se agravou também nos cafeeiros com melhor nível, onde os produtores usaram mais fertilizantes. Premidos pela falta de chuvas, esses cafeicultores conseguiram fazer apenas uma ou duas adubações, quando normalmente são feitas de três a quatro. “Agora, em março, alguns estão tentando suprir com adubações, estimulados pelos melhores preços. No entanto, para a presente safra, isso pouco adianta”, relatam os pesquisadores. SAFRA 2015 – Para 2015, a expectativa inicial, com o reflexo residual da seca e em função da observação dos ciclos produtivos das distintas regiões, espera-se que o Brasil colha de 38,7 milhões a 43,6 milhões de sacas, caracterizando nível baixo, semelhante ao que se espera na safra atual após os efeitos do veranico. Para a definição de qual das pontas desse intervalo será alcançada na temporada seguinte, pesará a recuperação hídrica na pós-estiagem, através de chuvas normais em março, abril e maio, de forma a favorecer a recomposição da folhagem, em final de ciclo de crescimento, e o sistema radicular danificado. Por outro lado, os pesquisadores da Fundação Procafé informaram que, em março, algumas áreas ainda não voltaram ao regime pluviométrico normal, verificando-se chuvas totais na faixa de 70-100 mm, volumes insuficientes para a recomposição de água armazenada em maior profundidade no solo, fato que poderá afetar diretamente a indução floral, já em curso, e, indiretamente, o “pegamento” da florada, via desfolha das plantas. PERCENTUAL DE PERDAS – A equipe da Procafé utilizou-se de metodologia realista e analisou lavouras nas diversas regiões produtoras de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, onde o impacto do veranico e das altas temperaturas foi mais significativo na safra a ser colhida. Abaixo, resumimos os percentuais e volumes de perdas prognosticados pela Fundação em relação à primeira estimativa da Conab. MINAS GERAIS – Sul e Oeste de MG: perda média de aproximadamente 30%, ou 4,0 a 4,2 milhões de sacas a menos. – Zona da Mata de MG: perda média de 19,2% (1,014 milhão de sacas) da safra esperada antes da seca. – Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de MG: com o regime de chuvas, em janeiro e fevereiro, melhor em relação a outras áreas do Estado, e com muitas lavouras irrigadas, a perda média percentual estimada foi de 10 pontos - 630 mil sacas -, com a ocorrência sendo mais observada nas áreas de sequeiro e nas sub-regiões mais quentes. – Jequitinhonha, Mucuri e Norte de MG: na média, chegou-se a uma perda estimada de 12%, equivalente a um intervalo entre 70 e 80 mil sacas. Com base nos cálculos acima, o principal Estado produtor de café do Brasil registrou perda média levemente superior a 22% em relação ao primeiro levantamento da Conab, com sua produção sendo prevista, agora, entre 19,77 milhões e 20,97 milhões de sacas. ESPÍRITO SANTO Os especialistas da Procafé relataram que as regiões cafeeiras capixabas tiveram condições climáticas um pouco mais favoráveis do que as demais analisadas. Primeiramente, em dezembro de 2013, quando houve excesso de chuvas (mais de 500 mm), causando graves enchentes, em especial nas partes central e norte do Estado. Seguiram-se precipitações regulares na região mais baixa e mais ao norte, onde se cultiva o café robusta, que, portanto, não sofreu perdas consideráveis, por isso a variedade não foi objeto de avaliação. No que diz respeito ao café arábica, foi registrada uma quebra média de 11%, representando cerca de 300 mil sacas, o que reduziu a produção total para valores entre 2,47 milhões e 2,73 milhões de sacas. SÃO PAULO As principais perdas ocorridas nos cafezais paulistas foram registradas na região da Mogiana, o que conduziu a redução no Estado para um percentual de 10 pontos, ou entre 250 mil e 300 mil sacas a menos a serem colhidas. Dessa forma, a nova projeção passou a ser de 3,95 milhões a 4,40 milhões de sacas. O LEVANTAMENTO Para a realização desse trabalho, a Fundação Procafé levou a campo 12 pesquisadores e uma equipe de suporte com mais 13 profissionais, que visitaram 11 regiões produtoras de café no Brasil. Essas zonas foram estratificadas em sub-regiões, de acordo com suas condições climáticas semelhantes, conforme tipo de vegetação e solo, altitude, etc. Dentro de cada sub-região, foram eleitos os municípios de maior representatividade para, de forma aleatória, serem realizadas visitas às propriedades, onde o técnico verificou os impactos em cinco tipos de lavouras: até segunda safra; adultas com carga alta; adultas com carga baixa; recepadas; e esqueletadas do ano de safra. Nessas lavouras, foram observados o enchimento e o tamanho dos frutos e a incidência de cercosporiose e da broca-do-café. A determinação foi efetuada colhendo grãos do ramo inteiro, colocando-os em água para aferir o percentual de “boias” e, naqueles que boiaram, foram feitos cortes transversais para a determinação das características da fava internamente – se preta ou parcialmente afetada –, objetivando estimar a perda de peso. Na coleta, observou-se uma amostra média entre o lado que mais recebeu sol e o lado de sombra da planta, em suas três alturas: na saia, no terço médio e no ponteiro. Por fim, na verificação da folhagem, determinou-se o nível de escaldadura, o tamanho das folhas e o número médio de nós do crescimento para a safra seguinte. SOBRE A FUNDAÇÃO PROCAFÉ A Fundação Procafé, localizada em Varginha, no Sul do Estado de Minas Gerais, tem como objetivo principal a realização de pesquisas nas áreas de produção, preparo e qualidade do café, gerenciamento agrícola, diagnósticos e estudos socioeconômicos, entre outros. Também promove e apoia treinamento de pessoal vinculado à cafeicultura e realiza eventos técnico-científicos e de transferência de tecnologias diretamente ou em parceria com órgãos públicos e privados. Atenciosamente, Silas Brasileiro Presidente Executivo do CNC   - See more at: http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=51201#sthash.cNzhHjbg.dpuf

Líbano terá série de mostras culturais sobre o Brasil


Centro Cultural Brasil Líbano começa a organizar exposições de fotos, esculturas e artesanatos do País em Beirute. Primeira exibição tem início dia 10 deste mês com imagens do Rio de Janeiro.


São Paulo – O Centro Cultural Brasil Líbano, que fica em Beirute,  organiza uma série de exposições sobre os diversos estados brasileiros a partir deste mês. A primeira mostra, Rio com muito amor, tem início dia 10 deste mês, com imagens da cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro.
Elio Haddad
O Rio de Janeiro nas lentes do libanês Elio Haddad
“Vamos fazer de todos os estados, começando pelo Rio. Resolvemos fazer do Rio porque ele desperta muito o interesse dos libaneses. Eles amam o Rio”, conta Samia Yakzan, diretora do centro.

As exposições trarão fotos, esculturas, artesanato e até peças de reciclagem produzidas no Brasil. “É o lixo transformado em obra de arte”, destaca Yakzan. A próxima mostra planejada é sobre o Amazonas. “Vamos de Norte a Sul, incluindo Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, São Paulo. Cada mês vai ser um estado”, revela a diretora.

Yakzan conta que a ideia de fazer as exposições é desfazer as imagens já formadas sobre o Brasil no exterior. “A gente quer tirar os estereótipos de que o Brasil é só samba e futebol. Queremos mostrar que o Brasil tem uma cultura muito rica”, afirma. “É um projeto inusitado no Líbano. Vamos mostrar o Brasil de uma maneira mais verdadeira e mais genuína.”

Amor pelo Rio de Janeiro

As 28 imagens da exposição Rio com muito amor são do fotógrafo libanês Elio Haddad, que morou por 27 anos no Brasil. “Estou levando imagens do Rio que fiz enquanto estive lá. É uma visão poética da beleza do Rio”, diz.

Para ele, a capital fluminense é caótica, como tantas outras, mas se destaca pelo seu verde e pela Floresta da Tijuca, que permeia sua paisagem. Além de fotógrafo, Haddad também é artista plástico e escultor.

Enquanto morou na capital fluminense, ele trabalhou ainda como guia turístico. “Nos meus passeios, saía para fotografar tanto no centro quanto na floresta e tinha esse carinho com a cidade”, lembra. Ele também se recorda da impressão que o lugar deixava nos visitantes. “Via no rosto dos turistas o quanto eles ficavam boquiabertos com a beleza do Rio”.

De volta a seu país natal há um ano, Haddad estará presente na abertura da exposição em Beirute. O Centro Cultural Brasil Líbano é ligado à embaixada no Brasil naquele país.

Serviço
Exposição “Rio com muito amor”
Centro Cultural Brasil Líbano
Abertura: 10 de abril, às 20h
Visitação até 10 de maio, de segunda à sexta, das 10h às 20h
Endereço: Mar Mitr street, Trad building nº176 Achrafieh - Beirute
Entrada gratuita

Embaixador brasileiro lança livro sobre o Iraque


Em 'Iraque, dos primórdios à procura de um destino', Bernardo de Azevedo Brito conta a história do país desde 1921 até os dias atuais. Ele reabriu a embaixada brasileira em Bagdá na década passada.


São Paulo – O embaixador Bernardo de Azevedo Brito lança esta semana o livro Iraque: dos primórdios à procura de um destino, que conta a história do país desde 1921 até os dias de hoje. O diplomata foi embaixador do Brasil na nação árabe de 2006 a 2011 e acompanhou de perto a realidade local.

A obra publicada pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) será lançada oficialmente no dia 10, às 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, onde Brito mora, mas no dia 09 ele estará às 10 horas naCâmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, para fazer uma apresentação sobre o livro.
Arquivo/Câmara Árabe
Brito dá entrevista à TV iraquiana em 2008
“O livro fala do Iraque desde [Winston] Churchill [então secretário de Estado das Colônias Britânicas], em 1921, até agora, e mostra que os problemas de hoje já existiam naquela época”, afirmou o embaixador por telefone à ANBA. As fronteiras definidas sob influência britânica colocaram no mesmo território três grandes grupos étnicos e religiosos, os curdos, os árabes sunitas e os árabes xiitas, o que, na avaliação de Brito, tornou “difícil a formação de uma nação, e isso se reflete até hoje”.

A obra aborda os diferentes momentos da história moderna da região, começando pela monarquia imposta pelos ingleses, passando pela república e o regime de Saddam Hussein, a Guerra Irã-Iraque, a invasão do Kuwait, as sanções que se seguiram, a invasão norte-americana de 2003 e os acontecimentos mais recentes que afetaram o país e o mundo árabe.

Brito diz, por exemplo, que a Primavera Árabe mostrou que a população consegue mudar regimes ditatoriais no Oriente Médio “sem a necessidade de intervenção externa”. “O povo encontra sua solução”, afirmou. Para ele, a ocupação do Iraque pelos Estados Unidos “foi uma agressão”.

Realidade

O embaixador decidiu escrever o livro para trazer à luz ao leitor brasileiro uma realidade pouco conhecida, para além da violência sectária que marcou o país após a invasão norte-americana. “Há atentados, há a insatisfação da minoria sunita, existem problemas, mas há também outra realidade”, declarou.

De acordo com o diplomata, fazem parte desta outra realidade uma economia em expansão e a recuperação da indústria do petróleo. “É um país próspero e de grandes perspectivas na região”, destacou. Mesmo na seara política Brito vê avanços. Para ele, a jovem democracia iraquiana é problemática, mas é uma democracia, e a Constituição de 2005 “é bastante avançada”.

Ela é avançada, diz Brito, na medida em que prevê um instrumento chamado “geometria variável” que, em tese, permite que diferentes regiões do país tenham autonomia sem que isto signifique a separação da união. “É que no Iraque e no Oriente Médio há mais do que o princípio de ‘um homem, um voto’, há também a questão das minorias”, destacou.

O embaixador se diz “otimista” com o futuro do país. “Eu diria que o livro é realista, mas há uma dose equilibrada de otimismo”, ressaltou. A obra, em sua avaliação, deve interessar a acadêmicos e a empresários que querem fazer negócios no Iraque. “As empresas brasileiras devem ter uma presença maior no país, mas eu dou elementos para uma presença consciente, uma perspectiva das dificuldades”, acrescentou.

Brito foi o principal incentivador da participação de companhias brasileiras em feiras na região do Curdistão, no norte do Iraque, primeiro em Suleimaniyah e depois em Erbil. A Câmara Árabe, o Itamaraty e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) organizam anualmente o estande do Brasil na Feira Internacional de Erbil, que em 2014 será realizada de 22 a 25 de setembro.

Brito entrou na carreira diplomática em 1958, trabalhou nas embaixadas brasileiras em Copenhague, na Dinamarca, e Oslo, na Noruega, e foi cônsul em Sevilha, na Espanha. Ele integrou a missão Brasileira na ONU, foi representante do País na Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e embaixador do Brasil em Zâmbia, Zimbábue, Finlândia e Estônia.

O embaixador, que hoje tem 78 anos, se aposentou após ter servido como chefe do escritório de representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, órgão que ele mesmo inaugurou em 2004. Foi chamado de volta à ativa para reabrir a embaixada brasileira em Bagdá, que estava fechada desde o início dos anos 90. “Sou duas vezes aposentado”, brincou.

Serviço

Iraque, dos primórdios à procura de um destino
Bernardo de Azevedo Brito
Editora UFSC
376 páginas
Preço: R$ 58,00
Onde comprar: www.editora.ufsc.br

Lançamento
Quarta-feira, 09/04, às 10 horas
Local: Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Av. Paulista, 326, 11º andar, Bela Vista São Paulo, SP
O evento é voltado apenas para associados da Câmara, convidados e jornalistas
Mais informações: (11) 3283-4066, ou pelo e-mail members@ccab.org.br

Quinta-feira, 10/04, às 19 horas
Local: Fundação Badesc, Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, SC
Tel.: (048) 3224-8846
Site: http://fundacaoculturalbadesc.com/

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A mídia que abraçou a ditadura não faz mea culpa, faz peça publicitária


A oposição feroz entre os grandes grupos de 

comunicação e a censura na ditadura civil-militar

 é só a imagem que a grande mídia quer projetar 

de si mesma.


Caio Hornstein
Arquivo
Não é novidade que a imprensa brasileira teve participação efetiva na articulação civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Com a exceção de alguns poucos veículos de comunicação, como o jornal carioca Última Hora e a TV Excelsior, que se colocaram em defesa da ordem democrática e foram posteriormente perseguidos pelo regime militar, todos os principais grupos de mídia deram apoio explícito à intervenção militar.
 
Passados cinquenta anos do episódio histórico que deu início a uma ditadura que durou mais de 21 anos, os veículos de mídia que apoiaram o golpe têm se visto na obrigação de dar explicações que relativizem sua participação no evento. Valendo-se de desavergonhado contorcionismo retórico, os editoriais dos jornalões têm, em linhas gerais, justificado a opção pelo golpismo como fruto de um período conturbado em que extremismos de todos os lados não teriam permitido um posicionamento moderado.
 
A leitura de tais editorais deixa claro que esse mea culpa não representa um genuíno arrependimento por parte dos barões da mídia, que mantêm até hoje os mesmos vícios e práticas de 1964; ao contrário, são apenas peças publicitárias que pretendem blindar os veículos de comunicação de possíveis críticas, como se estes tivessem rompido absolutamente com seu passado autoritário.
 
Uma mentira ajuda a fortalecer a imagem redentora que os grupos de comunicação querem projetar de si mesmos: a ideia de que, depois de terem contribuído para o sequestro da ordem democrática, arrependeram-se e passaram a fazer oposição heroica à ditadura. A prova irrefutável dessa postura redentora e do rompimento do casamento entre mídia e militares, defendem, teria sido a implacável censura de que foram vítimas.
 
Mentiras que desmoronam à luz dos fatos. O livro Cães de Guarda – jornalistas e censores, do AI-5 à constituição de 1988, da historiadora Beatriz Kushnir, é fundamental para compreender as relações entre mídia e censura durante a ditadura civil-militar. Contrariando a posição revisionista dos grupos de comunicação, a obra de Kushnir rememora episódios em que houve colaboracionismo explícito entre militares e veículos de comunicação, trazendo à tona o emblemático exemplo da Folha da Tarde, periódico cuja redação foi dominada por policiais. Além disso, Cães de Guarda esmiúça a relação entre censores e jornalistas, expondo uma convivência por vezes muito menos tensa do que se supõe.
 
Em entrevista à Carta Maior, Beatriz Kushnir desconstrói o mito de que houve oposição ferrenha entre a censura do regime militar e os grandes grupos de comunicação. Confira.
 
Carta Maior: Os grandes grupos de comunicação no Brasil realmente fizeram um enfrentamento combativo à ditadura militar?
 
Beatriz Kushnir: A cada vez que escuto uma pergunta como esta, eu penso: se houve tanta resistência, por que a ditadura perdurou 21 anos? Creio ser mais que oportuno, nesse momento de ponderações sobre os 50 anos do Golpe, retomar uma ideia apontada, quando dos 30 anos do AI-5, pelo jornalista Jânio de Freitas.
 
Freitas, na época, publicou na Folha de S. Paulo, uma advertência ainda não cumprida por seus pares: "a imprensa, embora uma ou outra discordância eventual, mais do que aceitou o regime: foi uma arma essencial da ditadura. (...) Os arquivos guardam coisas hoje inacreditáveis, pelo teor e pela autoria, já que se tornar herói da antiditadura tem dependido só de se passar por tal". Portanto, traçar os papeis da imprensa no período, é fazer um mergulho profundo nestes acervos. E ao cotejá-los com entrevistas orais, perceber as duas imagens: a que salta das páginas dos jornais, e a construção atual das memórias de si.
 
CM: Quando se fala em censura aos grandes veículos de imprensa durante a ditadura militar, a publicação de versos de Camões no jornal Estado de S. Paulo e de receitas culinárias no Jornal da Tarde em espaços censurados é uma lembrança recorrente. Esse tipo de atitude incomodava efetivamente o regime militar?
 
BK: O jornalista Oliveiros Ferreira, que por décadas trabalhou no Estadão, me contou, em entrevista, que a Redação recebia ligações indagando que a receita de bolo na primeira página do Jornal da Tarde estava errada. O bolo solava. Ou, como sublinhou Coriolano de Loyola Cabral Fagundes, censor desde 1961 e que atuou no Estadão, os poemas de Camões foram ali uma concessão.
 
Certamente a censura federal apostava que o leitor não entenderia o porquê destas estratégias. O ponto fundamental da lógica censória é, como brilhantemente descreveu o jornalista Cláudio Abramo, não se deixar capturar pelo equívoco de que "(...) no Brasil, o Estado desempenha papel de controlador maior das informações. Mas não é só o Estado, é uma conjunção de fatores. O Estado não é capaz de exercer o controle, e sim a classe dominante, os donos. O Estado influi pouco, porque é fraco. Até no caso da censura, ela é dos donos e não do Estado. Não é o governo que manda censurar um artigo, e sim o próprio dono do jornal. Como havia censura prévia durante o regime militar, para muitos jornalistas ingênuos ficou a impressão de que eles e o patrão tinham o mesmo interesse em combater a censura".
 
CM: Uma característica do controle da imprensa no regime militar foi a existência da autocensura em diversas redações. Ou seja, o governo transferia a responsabilidade da censura para os próprios administradores dos veículos de comunicação, que deveriam julgar o que é ou não publicável. Qual o significado dessa medida?
 
BK: A autocensura não foi inventada naquele momento. A autocensura é uma prática constante em qualquer empresa de comunicação. Todo jornalista sabe disto. O jornal, a rádio, a TV são exemplos de empresas, negócios, lucros. Vende-se um serviço de utilidade pública: a notícia. Os governos, quando querem calar as vozes de oposição nos meios de comunicação, soltam verbas publicitárias. Como toda empresa tem um dono, nos meios de comunicação só é publicado o que o patrão acha conveniente.
 
CM: Em seu livro Cães de Guarda, você expõe a trajetória da Folha da Tarde, periódico do grupo Folha que contou com policiais em sua redação e se notabilizou por ocultar e distorcer a morte de militantes políticos. Além de um enfrentamento passivo aos abusos do regime militar, é possível dizer que, em muitas ocasiões, os grandes grupos de mídia foram colaboracionistas?
 
BK: Em vários graus e tonalidades, em momentos diferenciados, as grandes corporações de comunicação apoiaram e pediram o golpe; aproveitaram-se do momento autoritário e repressivo para ampliar seus universos de atuação, diversificando os negócios; no pós-1979, criaram uma visão para si de resistência. A trajetória deste setor, como de diversos outros da sociedade brasileira, demonstra as raízes autoritárias e conservadoras que nos seguram e que estão distantes da imagem idealizada de que somos democratas.

CM:  É correto afirmar que, à exceção de divergências pontuais, os grandes veículos de imprensa estavam, em linhas gerais, satisfeitos com a condução política do governo militar e concordavam sobre a necessidade de repressão após o AI-5?
 
BK: Os dirigentes das empresas brasileiras estavam satisfeitos com o milagre econômico e, os que souberam, aproveitaram muitíssimo daquele momento. Certa vez, ouvi uma explicação que o fim da ditadura estava intimamente ligado à crise do milagre. Não creio que precisamos ser tão simplistas. Mas este é um ponto importante a se considerar.

Jornal Nacional” tem queda no Ibope; diretor-geral põe culpa nas novelas


Por  em 
Jornal Nacional - William Bonner e Patrícia Poeta
Em baixa
O “Jornal Nacional”, apresentado por Willian Bonner e Patrícia Poeta, vem enfrentando dificuldades para registrar bons índices na audiência. O jornalístico só fechou com 24 pontos na média mês de março.
Um dos principais motivos é os baixos números alcançados pela novela “Além do Horizonte”, que antecede o principal telejornal da emissora, que ficou com média de 21 pontos em março.
Além disso, a atração que sucede o noticiário, a novela “Em Família”, e que tem um papel importante na audiência do “JN”, também vem enfrentando dificuldades para garantir bons números. Em março, o folhetim das 21h obteve apenas 29 pontos.
Procurado, Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da TV Globo, também afirmou que o problema está nas novelas. ”Como sanduíche de duas novelas, ele depende essencialmente da audiência das novelas”, contou.
Apesar disso, o “Jornal Nacional” segue como o jornal mais visto do Brasil.


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