sábado, 31 de agosto de 2013

Pioneiro da internet brasileira conta como se vigia a rede

 29 DE AGOSTO DE 2013

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De que modo certos equipamentos e sistemas (como Windows-8) bisbilhotam usuários. Por que tráfego global é concentrado nos EUA. Como Marco Civil pode inibir vigilância 
No NDIS (Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da Faculdade de Direito da USP)
Durante o mês de agosto o diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Demi Getshko, conversou com a equipe do NDIS sobre a reação brasileira às recentes revelações que os Estados Unidos mantém programas de espionagem de cidadãos brasileiros (e de todo o mundo). Um dos pioneiros da internet no Brasil, Getshko debateu a viabilidade e as consequências das propostas e soluções que surgiram no debate público brasileiro. As perguntas formuladas foram construídas pela equipe do NDIS a partir de uma chamada de perguntas, postada no final de julho.
A denúncia do esquema de monitoramento da NSA (PRISM) causou alarde da opinião pública do mundo inteiro. Depois do escândalo, muito tem se argumentado que essa coleta de dados, especialmente no caso dos brasileiros, foi possível devido a “vulnerabilidades” na “defesa cibernética” nacional. Do ponto de vista técnico, isso faz sentido? Há áreas que carecem de maiores investimentos? Como o investimento nessas áreas poderia salvaguardar os direitos dos usuários?
Demi Getshko: Essa é uma questão da estrutura básica de telecomunicações mundial. E isso sempre foi assim – tanto na telefonia quanto na Internet – você é obrigado a passar por pontos de concentração, o que é tecnicamente razoável. Não faz sentido ter um cabo submarino direto, daqui até Nova Guiné, por exemplo. Você vai passar por algum lugar de concentração – possivelmente Washington, Miami ou Europa para então pegar outro cabo e assim por diante. A estrutura de telecomunicações, da telefonia, sempre teve pontos de concentração. E nesses pontos, o tráfego passa por atacado. Se esses pontos forem submetidos à uma análise, as informações que passam por lá são “bisbilhotáveis”. E isso não denota uma deficiência específica de alguém. Se você está falando com alguém, o tráfego vai para algum lugar e vai passar por diferentes pontos de concentração. Se você está se comunicando com alguém da Austrália por telefone, por exemplo, essa comunicação não vai sair da sua casa e vai até a Austrália nonstop. Portanto, não existe uma deficiência técnica que gere monitoramento – se houver uma deficiência, é uma deficiência ética ou política de quem faz o monitoramento. Da mesma forma, quando você se comunica através da Internet, o seu provedor tem acesso a tudo que passa por lá e ele que deveria tomar providências para não invadir esse conteúdo. Basta pensar que a lei condena o roubo, mas isso não quer dizer que quando houver roubo, vai ter havido uma falha da lei.
Mas também existem algumas sutilezas que podemos analisar quando pensamos nessa questão. Alguns equipamentos vêm com “backdoors. E existem vários argumentos para isso – o fabricante pode querer estatísticas sobre o uso do equipamento ou o governo pode querer ter a possibilidade de acessar alguma coisa em casos de emergências. O contrato de uso da versão 8 do Windows tem uma disposição que reserva à Microsoft o direito de monitorar o que acontece no seu computador para ter informações sobre o funcionamento técnico do software – claro que essa prerrogativa existe sob o argumento de que seja útil para “resolver problemas” mas, evidentemente, essas informações podem ser utilizadas para outros fins. Ou seja, existe a ferramenta. e ela pode ser usada para o bem ou para o mal. Recordo-me de um caso em que um fabricante de celulares, quando fez uma coleção entrega de celulares para a Europa, por exigência de um país, deixou um backdoor específico para caso o governo precisasse de uma via de acesso a esses aparelhos. E esse backdoor acabou sendo descoberto por hackers (ou crackers…), que se aproveitaram dessa brecha. A mesma coisa acontece em sistemas operacionais. Quando existe uma ferramenta dessas, ela pode ser explorada por alguém mesmo que tenha sido criada com a melhor das intenções. O backdoor pode ter sido criado para ser usado em um caso de ataque, ou de alguma emergência. Essa é uma segunda vulnerabilidade que também não é específica de brasileiros.
Antes de adquirir equipamentos, a Telebrás, por exemplo, costuma fazer uma análise de engenharia reversa para identificar possíveis backdoors. Quando eles são detectados, o ideal é que esses equipamentos não sejam adquiridos para que não fiquemos expostos a um monitoramento feito remotamente. Essa é uma vulnerabilidade que pode decorrer do equipamento ou do próprio software. O XKeyscore, programa que consta da apresentação referente a esse escândalo americano, é um software de monitoramento que provavelmente infectava a máquina do usuário para monitorar o que você teclava. Em suma, a gente vive imerso em um mundo em que somos vulneráveis. Mas não diria que há uma vulnerabilidade brasileira especifica; são vulnerabilidades de todo o sistema e nós temos que sempre tentar nos munir de ferramentas que não estejam tão expostas a serem mal usadas.
O senhor comentou que se eu estiver me comunicando com alguém da Austrália, essa comunicação precisa passar por algum lugar. É correto dizer que esse lugar é os Estados Unidos, na maioria das vezes? É nesse sentido que se fala em uma “centralização” da rede que precisa ser combatida?
É verdade. Naturalmente, há uma centralização porque eles geram e consomem muito tráfego. Você pode ter cabos submarinos ligando os lugares diretamente – tem um cabo submarino que vai daqui até a África, por exemplo. Mas se você quiser ganhar tempo e economizar esforço, você vai querer passar por onde é mais rápido. Existem alguns pontos específicos de concentração, tais como Miami, Washington e Europa (região de Amsterdam). E sempre existem pontos de concentração de tráfego naturais. Pense nos pontos de baldeação do metrô. Se você quiser monitorar muita gente que ande de metrô, é mais fácil fazer isso nesses pontos, como por exemplo [em São Paulo] a Praça na Sé.
Nesse sentido, seria viável “descentralizar” a rede ou tecnicamente isso não faz sentido? Essa centralização depende apenas do tráfego que é gerado?
Não faz sentido na prática. Primeiro, você não vai poder passar um cabo submarino para ligar todos os lugares uns aos outros, como, por exemplo, você não vai construir um cabo de São Paulo até Papua Nova Guiné. Você vai ter que trabalhar no atacado. Segundo, se você usar um dispositivo como um satélite, você cai numa estrutura que é naturalmente universal. Você pode se utilizar do sinal de um satélite que não foi feito para aquela comunicação específica – quando você tiver visibilidade de footprint de determinado satélite, você simplesmente pega o sinal. Então, qualquer comunicação por satélite é intrinsecamente aberta. Você pode usar criptografia mas você está recebendo o sinal. Então, na minha opinião, não há uma maneira de se contornar isso tecnicamente. Isso poderia ser contornado através da criptografia, por exemplo, para tentar de alguma forma tornar a comunicação mais segura. É natural, tecnicamente, que pontos de concentração existam e não haveria sentido econômico em se estabelecer ligações “n a n”, isto é, todas as cidades ligadas a todas as outras cidades. Isso não é viável.
Alguns especialistas em tecnologia e sociedade sugeriram a criptografia ou “encriptação” como ferramenta para evitar a vigilância. O senhor acredita na eficácia e mesmo na viabilidade desse recurso em uma escala ampla e generalizada? Ou seja, a adoção desse novo comportamento por parte dos usuários “comuns” da rede seria possível e se constituiria como uma solução efetiva?
Vou usar uma frase famosa do Vicente Mateus: “a criptografia é uma faca de dois legumes”. Se você olhar o que foi divulgado sobre o XKeyscore, uma das regras era a seguinte, se se descobrir que alguém está usando criptografia, monitore-o intensamente, porque deve existir alguma coisa de errado aí. Então, eu sou a favor do uso da criptografia nas comunicações, mas já aviso: você será colocado na lista dos mais visados. Você passa a ser suspeito em potencial. Como agora nos Estados Unidos são suspeitos todos os donos de panela de pressão…
Outra proposta que tem sido alardeada diz respeito à obrigatoriedade de hospedagem de dados de brasileiros no Brasil, proposta essa que está em vias de ser incluída no texto do Marco Civil. Como o Sr. enxerga essa proposta?
É uma proposta bastante complicada e até risível em alguns aspectos. Ela vai contra a ideia básica da Internet e não acredito que amenize nada os problemas de segurança (por exemplo, tudo o que eu comentei sobre backdoors continua valendo e poderia ser inclusive muito bem explorado a partir do Brasil também). Talvez seja até mais fácil para alguém que queira bisbilhotar dados de brasileiros e que more aqui que esses dados fiquem guardados aqui. Por exemplo, se eu tenho um blog hospedado na Austrália, pode ser ruim para quem queira verificar dados sobre mim na Austrália, mas se me obrigarem a colocá-los aqui, eu fico mais exposto. Não vejo isso como nenhuma proteção específica para o indivíduo, mas sim como mais uma abertura que pode gerar mais problemas. Além disso, pensando economicamente, isso pode desestabilizar muitos pequenos, que podem optar por se hospedar aqui ou fora, a depender de questões ligadas aos seus modelos de negócio.
Nunca houve vedação a isso. Na verdade, até um portal oficial brasileiro durante um tempo esteve hospedado no Vale do Silício. Eu não sou a favor disso. Acho que dados do governo brasileiro devem ficar no país. Mas eu não acho útil obrigar que dados de brasileiros em geral sejam trazidos pra cá. Isso é contra a ideia da rede! Você não vai poder trazer a contribuição de alguém de um blog hospedado lá fora. Ou ainda se eu tuitar algo no Twitter, não faz o menor sentido obrigar que isso fique aqui. Muito menos tecnicamente.
E também não acho que ajude na proteção à privacidade. Pelo contrário, cria mais uma brecha. O Brasil sempre se notabilizou por ser um dos países com maior número de pedidos de quebra de sigilo de dados (para o Google ou outras redes sociais). Se esses dados estiverem aqui, isso fica mais fácil de ser obtido. Lembro do caso de um pedido que o STJ julgou procedente para se quebrar o sigilo das comunicações de um político de Rondônia cujos dados estavam nos servidores do Google dos Estados Unidos – ele estava usando o Gmail – e a justiça deu provimento a isso. Certamente é mais difícil executar isso lá do que se esses dados estivessem aqui.
Essa tentativa de obrigar que os dados de brasileiros sejam hospedados aqui tem aparecido como alternativa para viabilizar uma suposta “descentralização” da rede…
Você está na verdade centralizando a rede.
Exatamente. O argumento é de descentralização mas você não parece estar pensando no tráfego da rede mas sim em onde os dados estão armazenados. É isso?
Os dados naturalmente tenderão a estar onde são consumidos. Existe um outro argumento nessa história que é o seguinte: que erros de topologia aumentem a sua exposição ao risco (o que é uma bobagem e sempre fomos contra). Então, se eu mandar um email pra você, e você está no Rio e eu em Rondônia, não é razoável que esse email passeie pelo mundo antes de chegar em Rondônia; é razoável que um email que nasce no Brasil e morre no Brasil mantenha o seu trânsito dentro do país. Às vezes isso não é possível. Digamos que em Rondônia a única saída é via satélite. E digamos que seu satélite tenha um foco em Homestead (Flórida), então você vai baixar o dado que saiu de Rondonia na Flórida e ele virá por um cabo submarino até o Rio. Às vezes tecnicamente você não tem fibra chegando até o lugar e recorre, então, a um trecho via satélite. Atualmente, os satélites são todos internacionais. Mas não é bom que uma comunicação que comece dentro do país e se destine a outro ponto dentro do país, saia para fora do país. Uma das formas de se impedir isso é construir pontos de troca de tráfego cada vez maiores intensos e ativos dentro do país. Temos batalhado muito pra ter isso e talvez sejamos o quarto ou quinto melhor país em pontos de tráfego no mundo.
Outra coisa que é importante é o chamado balanço de tráfego. O Brasil paga a comunicação internacional porque traz três vezes mais tráfego do que sai, então existe um desbalanceamento e as companhias brasileiras têm que pagar uma quantia às companhias estrangeiras por esse déficit. Mas isso é absolutamente esperado. Isso porque o Brasil é parte do mundo e naturalmente tem mais coisas no mundo do que no Brasil. Vai ter sempre um desbalanceamento que é contra qualquer país específico. O balanceamento é sempre contra o país individualmente tomado porque fora dele existe o conteúdo do resto do mundo. Isso pode ser racionalizado. Os grandes provedores de informação criam caches ou espelhos, que são repositórios parciais das coisas mais usadas no país dentro do próprio país. Essas empresas naturalmente querem estar perto dos usuários, não por benevolência, mas por racionalidade. Naturalmente essas empresas – não por generosidade ou boas intenções – trazem esse conteúdo para cá. Não é preciso obrigá-las a fazer isso porque elas farão isso naturalmente. É uma questão estratégica trazer o conteúdo para perto dos consumidores.
Supondo que o MCI obrigue o Google, por exemplo, a sediar os dados de brasileiros aqui, se você usar o Gmail pra enviar um email à Austrália, o tráfego vai passar fora do país, certo? Isso então não resolve a questão de se impedir que exista alguma ingerência em dados de brasileiros, correto?
Sim. Se todos os países quisessem que o Google deixasse os dados de cada país em cada um, isso seria inviável tecnicamente. É mais ou menos como exigir que todas as companhias telefônicas tenham uma central telefônica internacional em cada cidade, não teria como. É o mesmo caso da ligação direta de todos os pontos, que já comentamos. O que se deve garantir – e aí é uma questão do usuário – é se o provedor de fato tem ética, se o provedor cede à primeira pressão para entregar dados ou se resiste (claro que, quando houver uma ordem judicial, estamos sujeitos a isso). Nesse ponto, acho que o usuário tem algum poder e ele não é desprezível. Quando o Facebook mudou uma política que teoricamente violava a privacidade, todo mundo reclamou e voltaram rapidamente atrás.
No caso do PRISM especificamente, seria muito bom saber especificamente até que ponto houve colaboração e de quem. Dizem que parte dos dados do PRISM veio diretamente de provedores de serviço de internet. Todos alegaram inocência e que só entregaram aquilo que a Justiça mandou entregar. Se foi isso, é um fato da vida. Agora se, de fato, houve colaboração e se eles têm um mecanismo automático de deixar o governo bisbilhotar, aí a questão é muito mais grave e devíamos ser contra.
Voltando para a questão da defesa cibernética e do papel do CGI. O decreto que estabeleceu a chamada Estratégia Nacional de Defesa não menciona o CGI.br, listando atribuições a ministérios e às forças armadas. O senhor acredita que o CGI.br, como uma entidade de grande participação da sociedade civil, deveria ter papel ativo na elaboração desse tipo de política pública?
O CGI.br não é ativo nessa área e nem pode ser ativo, ele é recomendador. O CGI é um órgão de aconselhamento; ele não é um órgão regulador. Então, ele não poderia agir na defesa cibernética mas ele poderia participar dando “boas normas” e ele tem feito isso. O CGI ajudou, por exemplo, na Rio+20 (2012). Ele não participou da defesa da feira mas sim das reuniões sobre isso. O CGI é um modelo internacionalmente aplaudido como multiparticipativo, tem gerado boas resoluções, foi a origem do Marco Civil da Internet. Estranhamente, no Brasil, o CGI tem sido ultimamente muito pouco referenciado. Veja a posição brasileira na reunião da UIT (União Internacional de Telecomunicacões), basicamente a posição da Anatel, que é quem fala sobre telecomunicações. Mas o tema envolveu Internet e eu não me lembro de o CGI ter sido consultado sobre a posição que o Brasil levou (apoio a uma centralização multigovernos e que teve oposição de praticamente toda a Europa e de vários países da América Latina). Sem entrar no mérito desse posicionamento, foi uma posição do órgão regulador de telecomunicações sobre o tema Internet e sem uma consulta maior. No caso do Marco Civil, por exemplo, apesar da origem dele ter sido aqui, hoje a discussão está muito mais centrada na área de governo. Espero que o CGI continue a ser sempre consultado e ouvido.
Qual é a postura do CGI.br em relação ao uso dos recursos de deep packet inspection (DPI), especialmente diante da Recomendação UIT-T Y.2770?
O Brasil assinou em Dubai um padrão da UIT sobre como fazer DPI. É claro que o padrão técnico é uma coisa e o uso do padrão técnico é outra – mas para que fazer isso se nós somos a favor de uma atitude que proteja mais a privacidade? O CGI tem uma resolução contrária a isso, por exemplo, no caso de isso ser explorado por provedores de acesso. O Marco Civil trata disso e bem quando diz que privacidade é muito ligada ao contexto. Então quando você transporta um indivíduo, você não tem que saber o que ele vai fazer lá, você não tem que entrar no mérito de quais são as URLs. Sua função é só jogar ele na rede. As teles podem ter interesse em ter conhecimento dessas informações para eventualmente fazer marketing em cima disso, o que é inadequado. É diferente de um vendedor de livros que tem que saber qual é o seu endereço, tem que saber o que você compra porque ele tem transação comercial com você. Esse não é o caso do provedor de conexão. Ele é apenas o “motorista”; ele tem que te levar até a loja mas não tem que perguntar o que você vai comprar lá ou o qual o prato que você vai pedir no restaurante. Nada disso diz respeito a quem provê seu acesso à rede…
Por fim, como a aprovação do Marco Civil poderia ter contribuído nesse caso? Teria feito alguma diferença se ele já estivesse em vigor?
Pouca diferença do ponto de vista prático. Mas teria feito diferença do ponto de vista principiológico: você teria uma clara noção do que está sendo violado em relação a você. Como eu disse, a lei que criminaliza o roubo, não impede o roubo; quem impede o roubo é a polícia, que fiscaliza se está havendo roubo ou não. Mas você precisa de uma lei dizendo que aquilo é um roubo. O MCI daria um pano de fundo muito importante além de estabelecer esses limites na área de privacidade, que estão muito difusos e todo mundo quer avançar o sinal. É importante estabelecer limites para impedir que o sinal não seja avançado na calada da noite. Por enquanto, isso só tem sido feito de forma pontual. O MCI seria a consolidação desse tratamento não-pontual. Isso não pode ser feito caso a caso.

Saúde: buscando respostas às perguntas erradas


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Não se pode negar atendimento médico à população desassistida alegando que “falta infraestrutura”. Mas doutores estrangeiros são saída de emergência — não solução
Andressa Pellanda
Um dos principais debates que tomou o governo, a mídia, as redes sociais, as esquinas e os botecos nas últimas semanas tem girado em torno do mais recente programa do governo federal, o Mais Médicos. A pergunta que se faz e que se tenta responder é como levar médicos para os mais distantes rincões deste país. O governo respondeu com um salário de R$ 10 mil e o convite a médicos estrangeiros. O Conselho Federal de Medicina, com uma enxurrada de críticas ao programa, defende a passagem por uma avaliação de conhecimento anterior e obrigatória à atuação profissional, o Revalida.
A resposta é simples: erraram por terem feito uma só pergunta. É óbvio que a preocupação do governo está focada na necessidade de atendimento de uma parcela da população, que não pode esperar a melhoria da infraestrutura como um todo e/ou dos reflexos de maiores investimentos em saúde pública para ter seu direito básico garantido. Os méritos desta ação não podem ser deixados de lado. Porém, também não pode ser adiada uma discussão mais efetiva, e de médio e longo prazos, acerca do tema. É preciso questionar o por quê de a taxa de médicos por 1000 habitantes variar tanto de um estado para o outro; se essa discrepância no sistema de saúde pública e as taxas de mortes evitáveis no Brasil serão reduzidas com a uma melhoria na distribuição de médicos; e, para além disso, se os médicos são o foco do problema.
De acordo com o Datasus 2010, a média de médicos por habitante no Brasil é de 1,86 médicos por 1000 habitantes, acima do valor ideal estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1 médico para cada 1000 habitantes. Olhando somente para este dado, conclui-se que o Brasil tem médicos suficientes, o que significaria um quadro quantitativo de médicos satisfatório. Para se ter um verdadeiro panorama da saúde no país, porém, é preciso ir além.
A média de médicos por 1000 habitantes não representa a realidade de muitos estados: alguns não atingem a média e outros a elevam. No Maranhão, por exemplo, a taxa é de 0,53; no Amapá, de 0,75; e no Pará, de 0,77. Em contrapartida, o Distrito Federal alcança a maior razão, com 3,61. Atrás dele estão o Rio de Janeiro, com 3,52; São Paulo, com 2,5; o Paraná, com 1,97; e Santa Catarina, com 1,68 médicos para cada 1000 habitantes.
Para piorar o quadro, o cruzamento com um dado elementar se faz necessário: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil de 2010 – para compararmos laranjas com laranjas – o município que ganhou o troféu e o carimbo de melhor IDH foi São Caetano do Sul e o pior, Fernando de Falcão. Até aqui, isso não diz muita coisa. É importante, aí, observar que os quinze municípios no topo do ranqueamento estão situados nas regiões sul e sudeste e os quinze últimos no norte e nordeste. Coincidentemente, municípios do Maranhão, Amapá, e Pará não só estão no final da lista de IDH mas como são os que figuram como últimos da lista da relação médico/habitante.
O índice de desenvolvimento humano, entretanto, engloba outros dados que não somente de saúde – educação e renda – e, por conta disso, esta comparação poderia ser considerada rasa. Não seja por isso. As taxas de mortalidade infantil (antes de completar um ano de idade) e de mortalidade na infância (até cinco anos) seguem o mesmo padrão. Em 2010, a taxa de mortalidade na infância por 1000 habitantes no Pará foi de 25,6; no Amapá, de 29,5; no Maranhão, de 25,8. O dobro das de São Paulo, de 13,9; Rio, de 16,7; DF, de 13,8; e Santa Catarina, de 12,9. Muitas delas morreram por causas simples e evitáveis. No Pará, por exemplo, 3,3% das mortes de crianças menores de cinco anos foi por doença diarreica aguda, comparadas a 1% em São Paulo.
É claro que mortes como esta não são causadas somente por falta de acesso a médicos e a saúde. Há muito por trás desses índices entristecedores. O saneamento básico – e a falta dele – é um dos grandes fatores que contribuem para o problema de saúde no país. Quase que de olhos fechados é possível adivinhar a conjuntura: novamente, os estados do norte e nordeste são os mais precários – Pará tem 29% de serviço de esgoto; Amapá, 22%; Maranhão, 25% – enquanto que os do sul e sudeste os mais bem servidos – São Paulo, com 90%; Rio, com 85% e Santa Catarina, com 75%, segundo dados do Datasus de 2010.
Para além desse cenário da desigualdade regional da saúde, há outros fatores que contribuem significativamente para a piora do quadro dos municípios mais carentes do Brasil. Uma pesquisa desta semana do Estadão Dados, a partir do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, mostrou que para cada ponto percentual retirado da taxa de analfabetismo da população de 18 anos ou mais, a taxa de mortalidade de crianças até 5 anos cai 4,7 pontos. Na prática, se 1% dos adultos de uma cidade é alfabetizado, em média, mais 47 crianças sobrevivem à primeira infância, a cada 10 mil nascimentos.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) não deixa de ter razão ao alardear sobre a falta de infraestrutura para os médicos no interior do país. Não é somente uma visão classista. Uma boa sugestão é a criação de carreira médica no serviço público, semelhante à de juízes e promotores, como propõe a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 454/2009. “Que fique registrado, contudo, que a resolução do problema do atendimento integral não depende somente da melhor distribuição geográfica de médicos, mas também de estrutura adequada à assistência. Atualmente, repetimos, o SUS enfrenta um grave subfinanciamento e também distorções no processo de gestão. Por consequência, pleiteamos o aumento da destinação de verbas federais para 10% da Receita Bruta, e a criação de mecanismos adequados à fiscalização da gestão”, ressalvou Renato Azevedo Jr, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).
O movimento Saúde + 10, Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, foi criado em 13 de março do ano passado por diversas organizações, dentre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Nacional de Saúde (CNS), entre outras. O objetivo no movimento foi a coleta de assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que assegure o repasse efetivo e integral de 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde pública brasileira, alterando, dessa forma, a Lei Complementar no 141, de 13 de janeiro de 2012. A ideia era agregar 1,5 milhão de assinaturas para o projeto de lei, objetivo alcançado neste mês, com a apresentação do projeto, no dia 05/08, que contou com 1,8 milhão de assinaturas.
Não há, entretanto, uma rede de incidência política articulada e permanente na área de saúde no Brasil, como ocorre para a educação com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A Campanha é considerada hoje a articulação mais ampla e plural no campo da educação básica no Brasil, constituindo-se como uma rede que articula mais de 200 grupos e entidades distribuídas por todo o país, incluindo movimentos sociais, sindicatos, organizações não-governamentais nacionais e internacionais, fundações, grupos universitários, estudantis, juvenis e comunitários, além de centenas de cidadãos na defesa de uma educação pública e de qualidade.
Em sua história de lutas, obteve diversas conquistas, como a criação do Fundeb (Fundo da Educação Básica); a reformulação e melhoria do texto do Plano Nacional de Educação (PNE) 2010-2020, com a aprovação de diversas de suas emendas; e a mais recente aprovação do PL 323/2007, que destina 50% do Fundo Social do Pré-Sal e 75% de seus rendimentos para a Educação – sendo os outros 25% para a saúde. Um movimento como este para a saúde seria uma grande plataforma para a exigir o cumprimento pelo Estado de seu dever de garantir o direito à saúde pública de qualidade para todos nas mais longínquas comunidades pelo país.
Portanto, o problema da saúde pública no país e, especialmente, nos pequenos municípios do norte e nordeste é muito mais profundo e amplo que a má distribuição de médicos. Há má distribuição de médicos, de saneamento, de unidades de saúde, de escolas, de professores, de recursos e, principalmente e de forma basilar, de um olhar igualitário, que parece não existir neste sistema social. Para que efetivas mudanças sejam feitas na sociedade é necessário que o grito por elas venha de quem tem seus direitos violados. Por isso, se faz cada vez mais necessária a organização, o engajamento e a incidência política da sociedade civil. É aí que reside a força motriz das mais profundas transformações sociais.

Cinco empresas querem nossas sementes


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MDG : Seed : Plowing a field and sowing seeds in Ethiopia
Contrariando recomendações da ONU, deputado tenta liberar tecnologia que permite a transnacionais decidir (e vender) o que agricultores plantarão
Por Julian Perez-Cassarino Luciana Jacob
O paradigma da modernização agrícola se impôs por meio da chamada “Revolução Verde” a partir do final do século XIX. Ao mesmo tempo em que se legitimava pelo domínio da técnica, da ciência e da política, ela silenciou milhares de anos de experiência camponesa sobre suas formas de produzir e reproduzir socioculturalmente no campo. A noção de progresso técnico trouxe como estandarte um modelo produtivo estruturalmente dependente de insumos industriais e de energia não-renovável e teve a penetração do capital na agricultura como elemento fundante. A agricultura industrial, predominante na atualidade, é resultado de um processo histórico no qual formas tradicionais de produzir foram absorvidas e destruídas, enquanto se impunha o modelo tecnológico que agora conhecemos. Uma nova racionalidade produtiva – tecnológica e econômica – reconfigurou no último século a lógica camponesa e estabeleceu, através de processos de dominação coloniais, hierarquias epistemológicas, silenciamentos, exclusões e liquidação de conhecimentos.

Este impulso ocorreu, por um lado, vinculado a avanços científicos e inovações tecnológicas, incluindo o desenvolvimento de gigantescas corporações para a produção de sementes, fertilizantes, agrotóxicos, infraestruturas de irrigação, máquinas, entre outras coisas. Por outra via, este projeto, hoje representado pelo agronegócio, encontrou na esfera política e nas instâncias legislativas os necessários impulsos e apoios econômicos e políticos para garantir sua viabilização e possibilitar a construção de sua hegemonia, consolidando a monocultura de um caminho único para a agricultura em escala global.
A hegemonia do agronegócio no Brasil tem, em boa medida, se pautado pela difusão e uso indiscriminado de uma série de tecnologias cuja liberação não conta com os necessários estudos, debates e participação social no sentido de avaliar seus efeitos ambientais, sociais, econômicos e culturais, além dos danos à saúde humana. A aprovação pouco cuidadosa do cultivo de transgênicos no país configura-se como um dos exemplos mais concretos de imposição tecnológica, que tem como resultado a degradação dos recursos naturais e a ameaça à soberania alimentar. A primeira aprovação do plantio de Plantas Geneticamente Modificadas (PGMs) no Brasil aconteceu em 2003, após introdução ilegal de soja transgênica no país.
Sob pressão do fato consumado e de grupos representantes das grandes corporações da área de sementes e pesticidas, foi aprovada em 2005 a Lei de Biossegurança (Lei 11.105 de 2005), que efetivou a liberação de uso de PGMs, desde que aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). É assustador constatar que até hoje não foi negado nenhum pedido sequer de liberação de PGM por parte das transnacionais. São intensos, entretanto, os embates que se passam no interior da CTNBio: há profundas discordâncias entre seus membros. Porém, a influência maciça de representantes dos interesses transnacionais prevalece, para além das denúncias que vêm sendo sistematicamente feitas quanto às indiscriminadas liberações de transgênicos.
E se somos Severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte Severina
Dentre as possibilidades de transgenia, uma das mais preocupantes em estudo e desenvolvimento pelas grandes multinacionais na área de sementes trata das Tecnologias de Restrição de Uso Genético (GURTs, sigla em inglês), mais conhecida como tecnologia terminator. Essa tecnologia foi criada em 1998 pela empresa Delta & Pine (adquirida pela Monsanto em 2007),em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Atualmente, cinco das seis transnacionais que controlam as sementes transgênicas em nível mundial têm patentes do tipo terminator. As sementes terminator são incapazes de germinar em sua segunda geração, ou seja, ao serem cultivadas elas germinam normalmente, a planta cresce, floresce, o grão se desenvolve e a planta produz uma colheita normal – exceto pelo fato de que um dispositivo transgênico destrói o germe do grão, caracterizando o que popularmente se difundiu como “sementes suicidas”. Separa-se, dessa forma, a produção da reprodução e, ao separá-las, impede-se o agricultor de participar de forma autônoma e livre de seu processo produtivo. Por trás desta tecnologia está a intenção de acentuar a privatização das sementes, fortalecendo a capacidade de cobrança de royalties por parte das empresas, impedindo os agricultores de multiplicarem suas sementes e obrigando-os a adquirir em todas as safras sementes patenteadas.
Dada a indignação da sociedade civil diante desta forma deliberada de monopólio das sementes, as empresas e os órgãos de pesquisa a ela vinculados adequaram seu discurso, apontando as GURTs como um meio para controlar a contaminação transgênica, afirmando que dessa forma se evitaria a dispersão de sementes contaminadas. A fragilidade desta argumentação reside em vários fatores, entre os quais se pode destacar as pesquisas que apontam falhas na tecnologia, pois não há garantia de que todas as sementes não venham a germinar. Em outro sentido, esta suposta solução não evita a contaminação na primeira geração, fazendo com que agricultores percam suas sementes próprias pelo cruzamento com as sementes terminator. A ideia da utilização dos GURTs como resposta aos problemas de contaminação configura-se como uma falácia que esconde a possibilidade de controlar e cobrar os direitos às sementes, inclusive abrindo a possibilidade do uso da estratégia de contaminação deliberada.
Um grupo técnico de especialistas contratado pelas Nações Unidas avaliou os impactos potenciais das GURTs sobre agricultores familiares, camponeses e comunidades tradicionais e concluiu que os impactos negativos dos GURTs superam os impactos positivos, caracterizando-se como uma forte ameaça à garantia da soberania e da segurança alimentar destas comunidades.
Entre os impactos da tecnologia terminator abordados no relatório destacam-se a possibilidade de reduzir e limitar as práticas tradicionais de intercâmbio de sementes, bem como a capacidade de inovação e o conhecimento local das comunidades sobre melhoramento de plantas. Além disso, o uso destas sementes pode reduzir ou afetar negativamente a agrobiodiversidade local, resultando na deterioração dos sistemas tradicionais de conhecimento. A dependência de sementes e as perdas de cultivo são consequências esperadas, havendo ainda o risco de se causar, de maneira irreversível, alterações ambientais negativas resultantes do cruzamento entre variedades terminatore plantas normais.
Estas preocupações levaram a comunidade internacional, por meio da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), a decretar uma moratória à realização de pesquisas de campo, desenvolvimento, comercialização e difusão de sementes com o uso de Tecnologias de Restrição de Uso Genético. Esta decisão vem sendo reafirmada em todas as Conferências das Partes (COP) aderentes à Convenção desde o ano de 2006, quando o encontro foi realizado no Brasil. No contexto brasileiro, as preocupações em torno do avanço desta tecnologia levaram à sua proibição por meio da Lei de Biossegurança.
Não obstante, encontra-se em andamento no Congresso Nacional um Projeto de Lei que visa a liberação do terminator no Brasil. O PL 5575\2009, de autoria do Deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), possibilita a utilização de tecnologia de restrição de uso genético e tramita em regime de prioridade no Congresso Nacional, devido ao apensamento de outro Projeto de Lei, o PL 5263/2013, de autoria do Deputado Nazareno Fontelles (PT-PI). Quando há o apensamento de um projeto a outro, automaticamente este passa a tramitar em regime de prioridade. O PL apensado trata das atribuições da CTNBio e do aprimoramento dos mecanismos de avaliação para liberação de transgênicos. Este apensamento representa uma distorção do conteúdo de ambos os projetos, pois apesar de tratarem de alterações na Lei de Biossegurança não são análogos, sequer semelhantes, configurando-se completamente distintos em seu mérito.
Preocupada com a iminência da autorização de uso de terminator no país, a sociedade civil vem se manifestando fortemente contra esta perigosa liberação. Recentemente, foi elaborada e enviada uma moção de apelo aos parlamentares do Congresso Nacional, em particular ao seu presidente, Deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), durante o III Encontro Internacional de Agroecologia (EIA) em Botucatu-SP. Os mais de 2.500 participantes pediram o desapensamento imediato do PL 5263/2013 ao PL 5575/2009 e a suspensão do PL 5575\09, que contraria os parâmetros definidos pela Lei de Biossegurança. Além disso, apelaram para a sustentação da posição brasileira e da comunidade internacional à moratória da tecnologia terminator e para a permanência clara e firme desta posição do governo no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica nas futuras COPs. A partir da moção, foi disseminada pela internet uma petição eletrônica para ampliar a visibilidade e fortalecer seu propósito junto à sociedade civil.
Além disso, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgão que assessora a Presidência da República, demonstra sua preocupação em relação aos impactos desta tecnologia desde o ano de 2008, quando enviou uma exposição de motivos ao então presidente Lula, recomendando o arquivamento de projetos de lei que visem sua liberação, bem como a manutenção da posição brasileira em relação a moratória. Esta posição foi reafirmada por um comunicado em 2010 e, recentemente, em função da moção aprovada no Encontro Internacional de Agroecologia, o Consea emitiu nova nota reiterando as demandas apresentadas.
A sociedade civil organizada tem reafirmado sua posição pela soberania alimentar, pelo uso livre das sementes, pela produção de alimentos de qualidade e pelo princípio da precaução na liberação de novas tecnologias. Considera-se o respeito aos direitos dos agricultores e agricultoras familiares, camponeses e camponesas, extrativistas, indígenas e povos e comunidades tradicionais a produzirem e reproduzirem suas sementes como elemento fundamental para o estímulo à agroecologia e o respeito à diversidade ambiental, social e cultural e garantam a preservação da vida no planeta.

Julian Perez-Cassarino é professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Luciana Jacob é pós-doutoranda do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

CHUPA XERIFE OBAMA. VOCÊ VAI PERDER MAIS UM VEZ PLAYBOY



O Xerife Obama anda meio nervoso e querendo fazer funcionar e disparar as suas armas de guerra e de mortes. Agora o alvo é a Síria. O Xerife tá pressionando os seus parceiros da Otan para mais uma empreitada.

O Xerife já mandou dizer que desta vez não vai mandar tropas, apenas bombas. Ele deve estar pensando no Vietnam onde os Estados Unidos foram expulsos, depois de dividir um povo, destruir e envenenar o seu solo. Os franceses já haviam provado da força do povo vietnamita, de lá saíram às pressas.

O Xerife quer apenas despejar alguns milhares de toneladas de bombas sobre Síria, certamente fazer algumas experiências com novas tecnologias de morte. Ele precisa renovar a sua fábrica de morte para que a sua indústria não pare de funcionar.

O Xerife do Mundo precisa ouvir:
CHUPA XERIFE OBAMA. VOCÊ PERDER MAIS UM VEZ PLAYBOY 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Universidades públicas irão apoiar implantação de planos estaduais de segurança alimentar


30/08/2013 08:50
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) abriu edital para selecionar nove instituições, que irão assessorar gestores estaduais e do Distrito Federal. Prazo para envio de propostas termina no dia 27 de setembro
Brasília, 30 – Universidades públicas federais e estaduais irão apoiar os estados e o Distrito Federal na implantação da política de Segurança Alimentar e Nutricional. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) lançou edital e deu prazo até o dia 27 de setembro para que as instituições de ensino superior enviem suas propostas, voltadas à assessoria na elaboração de políticas públicas, capacitação, campanhas e extensão universitária. As ações visam o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). No total, estão disponíveis R$ 7,25 milhões até 2015.
Nove instituições de ensino superior serão selecionadas para atender a grupos de estados. Poderão ser financiados projetos no valor de até R$ 1 milhão para a região Norte (lotes 8 e 9) e até R$ 750 mil para as demais regiões brasileiras (veja o quadro).
Lotes
UF
1
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
2
Paraná
São Paulo
3
Rio de Janeiro
Espírito Santo
Minas Gerais
4
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Goiás
Distrito Federal
5
Bahia
Sergipe
Alagoas
6
Pernambuco
Paraíba
Rio Grande do Norte
7
Ceará
Piauí
Maranhão
8
Pará
Amapá
Tocantins
9
Amazonas
Roraima
Acre
Rondônia

Segundo o secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Arnoldo de Campos, a ação vai proporcionar também um fortalecimento das ações intersetoriais nos municípios e estados. “O SISAN fortalece a gestão das ações de combate à fome e de segurança alimentar e nutricional nos municípios. As universidades são importantes parceiras nesta tarefa, porque viabilizam ações de assessoria, capacitação, cursos, dentre outros meios de formação”, explica.
O apoio das universidades será direcionado aos Conselhos Estaduais de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEAs) e às Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISANs), para a implantação de políticas e o monitoramento dos planos estaduais da área. Além disso, o edital prevê a promoção de capacitações para gestores públicos, conselheiros e representantes da sociedade civil e a realização de campanhas educativas que estimulem hábitos alimentares saudáveis para combater problemas como a desnutrição, obesidade, diabetes e hipertensão.
Ascom/MDS
(61) 2030-1021
www.mds.gov.br/saladeimprensa

PF prende homem com dezenas de cartões clonados de segurados do INSS

30/08/2013 - 18h06

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – A Polícia Federal em Niterói, na região metropolitana do Rio, prendeu um homem de 36 anos, residente em São Paulo, quando sacava benefícios do INSS com cartões clonados em uma agência bancária. A nova modalidade de crime foi descoberta na manhã de hoje (30), por policiais federais, em ação conjunta com o setor de segurança de uma instituição bancária.
Foram apreendidos 21 cartões de benefício do INSS pertencentes a terceiros, com informações de senha e data de pagamento do benefício. Somente esta semana, o criminoso – que não teve o nome revelado para não atrapalhar as investigações – fez três saques em Niterói. A Polícia Federal tem informações de que o estelionatário clonou cartões de benefícios do INSS em São Gonçalo e em outras cidades de São Paulo.
Ele foi autuado em flagrante por furto qualificado e encaminhado ao Presídio Ary Franco. Pode pegar de dois a oito anos de reclusão. A Polícia Federal em Niterói informou que vai continuar investigando o caso para descobrir outros integrantes da quadrilha.
Para recolher os dados dos segurados do INSS, os criminosos instalam equipamentos conhecidos por chupa cabra, que são leitores/coletores de dados, nos caixas eletrônicos dos bancos. Com os números, o cartão da vítima era clonado pela organização criminosa.

Mais Médicos: MPT quer conhecer convênio entre Cuba e Organização Pan-Americana da Saúde


30/08/2013 - 19h34
Aline Leal Valcarenghi
Repórter da Agência Brasil
Braília – O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Sebastião Caixeta disse hoje (30) que o Programa Mais Médicos precisa de atos complementares para delinear seu modo de funcionamento. Na primeira audiência do inquérito que investiga o programa, Caixeta pediu ao Ministério da Saúde acesso à documentação que embasa o convênio firmado entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o governo de Cuba, um dos países que vão enviar médicos para o programa.
No começo desta semana, a Federação Nacional dos Médicos pediu ao MPT uma investigação sobre o programa e apontou a falta de publicidade desse documento como como um alerta.
"O programa tem de respeitar os valores das relações de trabalho garantidas na Constituição Federal”, disse, em nota, o procurador, que está conduzindo o inquérito. A investigação foi aberta na última quarta-feira (28) para averiguar descompassos entre os termos da medida provisória e as notícias veiculadas na mídia, “inclusive pelo site do Ministério da Saúde”.
Na audiência, o representante do Ministério da Saúde, Jean Keij Uema, entregou a documentação que compõe o arcabouço jurídico que fundamenta o programa e se comprometeu a entregar na segunda-feira (1º) cópia do convênio entre a Opas e o governo de Cuba. O Tribunal de Contas da União vai investigar a documentação em parceria com o MPT.
Depois de decisões favoráveis na Justiça, o Ministério da Saúde iniciou ontem (29) no Rio Grande do Sul o processo de emissão dos registros profissionais provisórios para os profissionais formados no exterior que vão atuar no Mais Médicos. Hoje (30) a pasta entrou com o processo no no Distrito Federal e nos demais estados que receberão médicos.
Os registros profissionais provisórios são emitidos pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde o médico vai atuar. A entidade tem 15 dias para liberar o documento, depois da entrega dos papéis dos médicos formados no exterior. Esses profissionais receberão registros para atuação restrita ao Programa Mais Médicos, cujas atividades concentram-se exclusivamente na atenção básica de saúde.
Na próxima segunda-feira (2), os médicos formados no Brasil começam a atuar. Os que se formaram fora do país começam no dia 16 de setembro, depois de concluírem a ambientação de três semanas, que começou na segunda-feira (26).