Andrew Greeley, o patrão de Marx, foi talvez o maior formador de talentos do jornalismo.
Paulo Nogueira
Paulo Nogueira
Greeley era dono de uma prosa brilhante. É atribuída a ele a criação da primeira página de editoriais da história da imprensa. Todo dia ele escrevia um editorial no qual defendia alguma de suas múltiplas causas: o fim da escravatura e o pacifismo, por exemplo. Chegava ao jornal ao meio dia e só ia embora quando tudo estava pronto. Isso significa, naqueles dias, meados do século 19, cinco da manhã. Ele dizia que provavelmente ninguém tinha visto tantos nasceres do sol quanto ele.
Marx disse que ele era a “voz da burguesia americana”, mas Greeley foi mais que isso.
Foi talvez o maior formador de talentos da história do jornalismo. Do Tribune, depois de aprender com o duríssimo professor que era Greeley, sairiam dois futuros barões da imprensa. Um deles, Charles Dana, comandaria o Sun, altamente influente no final dos anos 1800 nos Estados Unidos, e um precursos dos tablóides como os conhecemos. Foi um subordinado de Dana, John B. Bogart, que cunhou a frase que simboliza o jornalismo: se um cachorro morde um homem, não é notícia. Se um homem morde um cachorro, é.
Greeley ensinou tudo de jornalismo a ambos. Mostrou também como reagir a insultos. A um desafeto que disse que limpava o traseiro com o jornal de Greeley, ele respondeu: “Continue a fazer isso. Logo sua bunda será mais inteligente que seu cérebro.”

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