Maristela Basso vem falando bobagens há um bom tempo.
Paulo Nogueira
Paulo Nogueira
Presença frequente na mídia
A boa notícia, para a advogada Maristela Basso, professora de direito internacional da USP, é que ela acaba de virar verbete na Wikipedia.
A má notícia é que o que a conduziu à Wikipedia foi uma estupidez extraordinária na qual se misturaram arrogância, desconhecimento e um sentimento de supremacia racial em geral associado ao nazismo.
Num trecho do Jornal da Cultura que discutia o caso do senador boliviano Roger Pinto, Maristela disse que a Bolívia é “insignificante”. Por isso, não haveria sentido em levar tão a sério o caso do senador.
Antes de chegar à Wikipedia, Maristela, à base de opiniões parecidas com a que emitiu sobre a Bolívia, já se tornara uma personagem frequente na mídia tradicional.
É um clássico do Brasil moderno: diga coisas de direita, seja bem reacionário, e as portas da mídia se abrirão, magicamente, para você.
Foi o que aconteceu com Maristela.
Algumas semanas atrás, num programa da Bandnews, ela foi convidada a comentar os protestos de junho. Cobrou, na ocasião, presença maior da polícia para “conter” os manifestantes.
A Síria, pelo que entendi, é uma espécie de Bolívia do lado de lá: para que discutir tanto sobre um país tão insignificante?
Também sobre Assange Maristela já se manifestou. “Assange acovardou-se na embaixada de um pequeno país distante”, escreveu ela num artigo na Folha. “O caso Assange perdeu a importância. Os governos não temem mais a divulgação de segredos de Estado e a imprensa faz o trabalho de Assange com a mesma desenvoltura.”
Pausa para rir.
O caso Snowden, ocorrido alguns depois do artigo de Maristela na Folha, transforma em piada este ponto. E a Folha, se olhasse para o espelho, teria suprimido o disparate da última frase, a que dá um caráter heroico, aspas, à imprensa.
Para Maristela e seus pares de ideologia, erros não cobram preço nenhum. Eles continuam a ser frequentes na mídia, mesmo que suas opiniões sejam tortas, enviesadas – ou simplesmente “insignificantes”, para usar o adjetivo que a levou, em circunstância de honraria duvidosa, à Wikipedia.

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