segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Destaques da agenda internacional para a semana


Destaques da agenda internacional para a semana

Na terça feira acontece a abertura oficial da Feira de Livros de Frankfurt, uma das mais importantes da Europa e do mundo. A Feira já começa com pelo menos uma polêmica envolvendo o Brasil. O escritor Paulo Coelho, que integra a lista oficial, anunciou que não vem e fez uma série de críticas ao governo brasileiro. No cenário internacional, continua o impasse do financiamento do governo dos EUA e a doença de Cristina Kirchner preocupa. Por Flávio Aguiar.

Berlim - Na terça feira (8) acontece a abertura oficial da Feira de Livros de Frankfurt, uma das mais importantes da Europa e do mundo, senão a mais importante. As primeiras edições da Feira começaram logo depois que Gutenberg inventou a imprensa de tipos móveis. Foi a mais importante da Europa até o século XVIII, quando a Feira de Leipzig tomou-lhe a primazia, situação que se estendeu pelo século XIX e século XX. Entretanto depois da Segunda Guerra, a partir de 1949, a Feira de Frankfurt retomou seu galardão.

Nesta edição de 2013 haverá 7.100 quiosques, 100 países representados e 1.500 escritores presentes em delegações oficiais. A Feira se divide em duas partes: a primeira, de dois dias, é reservada para escritores, editoras, agentes literários, representantes de agências oficiais e de governos. É um enorme mercado livreiro, onde se agilizam trocas, programas, traduções, etc. A segunda, no fim de semana, é aberta ao público. Esperam-se de 250 a 300 mil visitantes.

O país homenageado (sempre há um) deste ano é o Brasil (pela segunda vez; a primeira foi em 1994), aoresentado comom um país de “múltiplas vozes” e em “processo de auto-afirmação. Espera-se a presença do vice-presidente Michel Temmer na abertura oficial.

Entretanto a Feira já começa com pelo menos uma polêmica envolvendo o Brasil. O escritor Paulo Coelho, que integra a lista oficial, anunciou que não vem. Em entrevista ao jornal Welt am Sonntag – O mundo no domingo, seção do jornal Die Welt, declarou que desistiu de vir em protesto por ser a lista não representativa. Diz inclusive que sem empenhou em incluir determinados nomes na lista, sem sucesso. Acrescenta que dos 70 nomes escolhidos 50 são desconhecidos, e que devem ser os amigos da comissão e os amigos dos amigos, etc. De quebra, faz uma série de críticas ao governo brasileiro, dizendo que a maioria da população não se beneficia com seus programas, e critica a realização da Copa, etc.

Coelho parece estar pegando carona – com algum atraso, é verdade – nas manifestações de junho. Posso afiançar uma coisa: li a lista dos 70, e devo dizer que conheço pessoalmente 50 deles. Dos outros 20, alguns já me passaram pelas retinas, outros não. Mas pode ser simplesmente desconhecimento meu. Pode haver discordâncias, é claro, faltou fulano, ciclano seria melhor do que beltrano, mas não dá para dizer que “50 são desconhecidos”. Estarei na Feira, e vamos ver o que vai rolar.

Outros destaques:

Continua a impasse do financiamento do governo nos Estados Unidos, e ele promete se agravar. Não há vislumbre de negociação entre republicanos, democratas e governo. No dia 17/10 termina o prazo para o Congresso autorizar o Executivo a elevar o teto de seu endividamento. Se isto não for feito, o governo norte-americano terá de declarar moratória, “calote” ou falência. Uma ameaça em escala mundial. Os chineses e o resto do mundo aguardam.

A doença de Cristina Kirchner, hospitalizada por uma concussão cerebral em decorrência de um acidente tempos atrás, às vésperas de eleições legislativas nacionais, repercute em toda a mídia internacional. Assinala-se que é uma defecção importante dentro do processo eleitoral, e teme-se também pelas possíveis sequelas – pessoais e políticas. Assinala-se também uma nova tensão com o Uruguai por causa das usinas “papeleiras” na região fronteiriça entre os dois países.

Se a situação interna dos EUA é de grave crise, no plano internacional há vislumbres de melhora em sua atuação, apesar de novo conflito com a Líbia pela captura de um suspeito de pertencer à Al Qaida em território daquele país. Na Síria começa a destruição das armas químicas estocadas pelo governo e das matérias primas para compô-las, sob fiscalização de representantes da ONU. Estados Unidos pressionam conjuntamente para que comecem negociaçòes de paz entre as partes da guerra civil dentro de um mês, em Genebra. 

Enquanto isto, a aproximação entre EUA e Irã prossegue, permitindo vislumbrar-se um processo de distensão na região. O aiatolá Ali Khamenei , apesar de fazer algumas ressalvas, deu luz verde para o prosseguimento do diálogo começado entre os presidentes Obama e Hassan Rouhani. A situação provoca forte descontentamento no governo israelense, na monarquia saudita e entre os rebeldes sírios. A Turquia, inimiga do regime de Bashar Al Assad, apoiado pelo Irã, fica em compasso de espera.

No Egito a violência recrudesceu. Os militares chamaram uma manifestação na Praça Tahir, no Cairo, lembrando o 40* aniversário da Guerra de 1973 contra Israel. Partidários do ex-presidente deposto Muhammad Morsi tentaram participar, mas foram recebidos à bala. Houve conflito em outras cidades, com 51 mortos e centenas de feridos. Não há pacificação à vista. 

Na Alemanha prosseguem as arrastadas negociações entre a CDU de Angela Markel, a CSU bávara e o SPD social-democrata. Numa perspectiva de avanço, a CDU mostra-se favorável à proposta do SPD de adoção de um salário mínimo nacional, coisa que não existe na Alemanha. Na CSU há mais resistências, como havia antes no FDP, que compunha o governo de Merkel e ficou fora do Bundestag por não atingir a cláusula de barreira. Porém o SPD anunciou que quer pleitear o Ministério das Finanças, o que tiraria o cargo de Wolfgang Schäuble, um dos “cardeais” da CDU. A ver.

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