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domingo, 4 de março de 2012

CASA DE BASTIANELLO 2



Quando chegamos a casa de Bastianello ele apressou em mostrar um pequeno burrinho com balaios e feita de palha de coco que eu lhe havia presenteado numa das suas visitas ao Espírito Santo e ao Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES), com o qual ele sempre colaborou.
Com o burrinho nas mãos ele agradecido me falou que “ele fica no espaço mais apreciado desta casa, junto com as minhas garrafas de vinho.” Este artesanato era feito por Adolfo Agostini, um filho de imigrantes italianos que vieram para Alfredo Chaves.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ADOLFO AGOSTINI, O ARTESÃO.



Adolfo Agostini, neto de imigrantes vênetos, nasceu no município de Alfredo Chaves, e dentro do regime patriarcal que o imigrante italiano trouxe, continuou a tarefa do avô e do pai: dedicou-se à agricultura na terra que herdou.

As alterações da economia que afetaram todos os descendentes de e imigrantes de sua geração que se dedicavam a agricultura num regime de pequena propriedade, o forçaram a vender um terreno de poucos alqueires e ir pra cidade. Um outro motivo apressou a sua saída de Alfredo Chaves: a saúde da mulher, que precisava de constante acompanhamento médico..

Na cidade nada tinha a fazer, porque pouco tinha a oferecer em Cachoeiro de Itapemirim, um mercado saturado de profissões de baixa renda. Passou então a se valer de sua habilidade manual e na casa pobre do bairro do Valão começou a dar forma às cenas que a sua memória guardava da vida na roça, onde ficara mais de 40 anos. É a palha de milho, de coco, o cipó e a taquara, tornaram matéria prima que ele transformava em burros de carga, em lavradores com enxada nas costas, na galinha com uma ninhada de pintos, no trabalhador acompanhado do seu cachorro, sanfoneiros e violeiros, cavaleiros, juntas de boi puxando carroça, agricultor colhendo milho com balaio às costas. E num dragão propositadamente feio, atacado por um cavaleiro armado, esta a ligação com a religiosidade herdada de seus antepassados.

Mas o tempo – já há quase 20 anos na cidade – vai fazendo com que o lado das lembranças da vida rural, acrescente a influencia do meio. Não é de admirar que Adolfo Agostini já tenha começado a produzir modelos Wolkswagen em madeira. A diversidade de sua produção está presente na maioria dos estados brasileiros e em algumas partes do Mundo, levadas por visitantes que passam em Cachoeiro.

Lá o ponto de referencia de Adolfo Agostini não é a sua casa no Valão, e sim a de Nair Coelho dos Santos, mulher que reúne as condições de viúva, professora do Sesi, doceira de fino gosto e um pouco de mãe de todos. A sobrevivência de Adolfo Agostini como artesão esta diretamente ao coração de mãe de Nair, que vai passando os seus trabalhos às pessoas que freqüentam a sua casa, e que não são poucas.

Através de Nair, Adolfo ganhou outro divulgador, neto de italianos, como ele: Augusto Ruschi. Em 1975 Nair entregou a Adolfo um pôster da Companhia Souza Cruz e uma folhinha da mesma empresa, com figuras de beija-flores voando e se alimentando de néctar. Poucos dias depois ele voltava com figuras dos pássaros idêntica ao do pôster e da folhinha. O trabalho de Adolfo Agostini foi parar nas mãos de Ruschi, o homem que havia feito as fotografias. O cientista ficou satisfeito, porque via em suas mãos, em forma de artesanato, o reconhecimento de sua obra, vindo de um descendente de imigrantes como ele. Hoje, Augusto Ruschi é um grande comprador dos trabalhos de Adolfo Agostini e seu divulgador.

Com mais de 60 anos, Adolfo se sente enfraquecido, depois de dois longos períodos hospitalizado. E enquanto espera sua aposentadoria, não como artesão, recusa-se a adptar-se a certas técnicas modernas de mercado, como a venda a prestação. Certa vez vendeu um burrinho e demorou quase um ano para receber as prestações da venda. Decidiu então que aquela seria a primeira e a última vez: quem tem a arte como sobrevivência não pode dar-se a esses luxos.

EM TEMPO:
Este texto foi publicado na Revista CUCA, Número zero, de fevereiro de 1977, Fundação Cultural do Espírito Santo, editada por Hesio Pessali. Eu quando ia a Cachoeiro trazia os trabalhos de Adolfo Agostini e os revendia durante o meu trabalho na Redação e nos locais onde ia fazer reportagens. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ADOLFO AGOSTINI



Adolfo Agostini foi um artesão que usava casca de coco seca para fabricar as lembranças de sua infância, em Alfredo Chaves. Eram vacas, cavalos, São Jorges e carroças.

Saía pelas ruas de Cachoeiro de Itapemirim garimpando seu curto dinheiro, o sustento da família. Por muito tempo vendi em Vitória as suas peças.

Adolfo Agostini dizia não concordar com as pessoas que queriam comprar as suas peças, mas pagar a prazo.