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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POUSADA ÁGUAS DE PINON


ROQUE PINON
O caderno de turismo do jornal A Gazeta trouxe uma reportagem sobre a Pousada Águas de Pinon, Alfredo Chaves. O texto de Kária Fraga fascinou-me. Um dia fui conhecer a pousada, gostei mais ainda.
Roque Pinon e Lourdes reformaram uma casa centenária e hoje recebem de pessoas que podem se deliciar em duas cachoeiras e em conversas agradáveis que fazem bem ao espírito.
É impossível que quem vai lá, não voltar.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ADOLFO AGOSTINI, O ARTESÃO.



Adolfo Agostini, neto de imigrantes vênetos, nasceu no município de Alfredo Chaves, e dentro do regime patriarcal que o imigrante italiano trouxe, continuou a tarefa do avô e do pai: dedicou-se à agricultura na terra que herdou.

As alterações da economia que afetaram todos os descendentes de e imigrantes de sua geração que se dedicavam a agricultura num regime de pequena propriedade, o forçaram a vender um terreno de poucos alqueires e ir pra cidade. Um outro motivo apressou a sua saída de Alfredo Chaves: a saúde da mulher, que precisava de constante acompanhamento médico..

Na cidade nada tinha a fazer, porque pouco tinha a oferecer em Cachoeiro de Itapemirim, um mercado saturado de profissões de baixa renda. Passou então a se valer de sua habilidade manual e na casa pobre do bairro do Valão começou a dar forma às cenas que a sua memória guardava da vida na roça, onde ficara mais de 40 anos. É a palha de milho, de coco, o cipó e a taquara, tornaram matéria prima que ele transformava em burros de carga, em lavradores com enxada nas costas, na galinha com uma ninhada de pintos, no trabalhador acompanhado do seu cachorro, sanfoneiros e violeiros, cavaleiros, juntas de boi puxando carroça, agricultor colhendo milho com balaio às costas. E num dragão propositadamente feio, atacado por um cavaleiro armado, esta a ligação com a religiosidade herdada de seus antepassados.

Mas o tempo – já há quase 20 anos na cidade – vai fazendo com que o lado das lembranças da vida rural, acrescente a influencia do meio. Não é de admirar que Adolfo Agostini já tenha começado a produzir modelos Wolkswagen em madeira. A diversidade de sua produção está presente na maioria dos estados brasileiros e em algumas partes do Mundo, levadas por visitantes que passam em Cachoeiro.

Lá o ponto de referencia de Adolfo Agostini não é a sua casa no Valão, e sim a de Nair Coelho dos Santos, mulher que reúne as condições de viúva, professora do Sesi, doceira de fino gosto e um pouco de mãe de todos. A sobrevivência de Adolfo Agostini como artesão esta diretamente ao coração de mãe de Nair, que vai passando os seus trabalhos às pessoas que freqüentam a sua casa, e que não são poucas.

Através de Nair, Adolfo ganhou outro divulgador, neto de italianos, como ele: Augusto Ruschi. Em 1975 Nair entregou a Adolfo um pôster da Companhia Souza Cruz e uma folhinha da mesma empresa, com figuras de beija-flores voando e se alimentando de néctar. Poucos dias depois ele voltava com figuras dos pássaros idêntica ao do pôster e da folhinha. O trabalho de Adolfo Agostini foi parar nas mãos de Ruschi, o homem que havia feito as fotografias. O cientista ficou satisfeito, porque via em suas mãos, em forma de artesanato, o reconhecimento de sua obra, vindo de um descendente de imigrantes como ele. Hoje, Augusto Ruschi é um grande comprador dos trabalhos de Adolfo Agostini e seu divulgador.

Com mais de 60 anos, Adolfo se sente enfraquecido, depois de dois longos períodos hospitalizado. E enquanto espera sua aposentadoria, não como artesão, recusa-se a adptar-se a certas técnicas modernas de mercado, como a venda a prestação. Certa vez vendeu um burrinho e demorou quase um ano para receber as prestações da venda. Decidiu então que aquela seria a primeira e a última vez: quem tem a arte como sobrevivência não pode dar-se a esses luxos.

EM TEMPO:
Este texto foi publicado na Revista CUCA, Número zero, de fevereiro de 1977, Fundação Cultural do Espírito Santo, editada por Hesio Pessali. Eu quando ia a Cachoeiro trazia os trabalhos de Adolfo Agostini e os revendia durante o meu trabalho na Redação e nos locais onde ia fazer reportagens. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE SÃO BENTO DO CHAPÉU 1


Flávio Wruck, em 1990, tinha 18 anos, havia apenas cursado até a quarta série do primeiro grau, mas a vontade de voltar a estudar era muito grande.
A extensionista da Emater, Catarina Alves Lamas falou da existência da Escola Família Agrícola (EFA) de Alfredo Chaves. Flávio logo imaginou e começou a realizar seu sonho.
Flávio já era por natureza bem alto, mas em Alfredo Chaves encontrou jovens na idade de 11 anos. Era um gigante no meio de anões.
A família de Flávio e a comunidade de São Bento do Chapéu, Domingos Martins, foram conhecer a EFA. Gostaram do que viram. Eles que estavam brigando com a prefeitura que insistia em fechar a escola da primeira a quarta série, resolveram lutar para terem também séries da quinta a oitava. A luta foi grande e a vitória apareceu com a criação da EFA de São Bento do Chapéu.
Tudo começou com a determinação de um jovem que queria estudar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NECESSIDADE, POSSIBILIDADE E VONTADE

No ano de 1969 a necessidade de ser ter uma educação rural apropriada em Alfredo Chaves fez surgir a Escola Família Agrícola (EFA). Por onde passaram centenas de pessoas. Filhos e filhas dos primeiros alunos e alunas também passaram pela EFA. Certamente que alguns netos e netas dos pioneiros hoje estudam aqui. Do ensino básico dos primeiros anos hoje temos um ensino técnico. Uma evolução natural. Como será o amanhã. A necessidade gerou a EFA.
A possibilidade da EFA surgiu depois que a comunidade teve necessidade de olhar mais longe. O surgimento da escola tem ligação direta com a capacidade de organização e de traçar metas das famílias rurais.
No pátio desta EFA eu vi nascer e dar os primeiros passos a organização dos produtores de banana. Primeiro em forma de associação, depois como uma cooperativa. Lembro bem disto. Foi um passo e uma ação que se perdeu no tempo. Mas a EFA continuou sua trajetória, ajudando e sendo levada pelas famílias. Não é por acaso que daqui de Alfredo Chaves seguiu para a Itália em 1967 o jovem Ednis Orlandi para se preparar e depois vir a ser monitor na EFA. Foi. Voltou.  Até hoje tem íntima ligação com a EFA, doando parte de seu tempo ao movimento que o acolheu no passado.
Foi também aqui em Alfredo Chaves que no ano de 1979 o Movimento de Educação e Promocional do Espírito Santo (Mepes) realizou uma memorável assembléia. Os governantes da época queriam colocar um ponto final na vida do Mepes. Naquele ano a EFA de Rio Novo do Sul por ocasião da festa do município apresentou no desfile, profeticamente, as mazelas que vivemos nos dias de hoje: álcool, êxodo e drogas. O tema central da CNBB - Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil era: saúde para todos.  A EFA representou o tema da CNBB.
Por causa deste desfile o Governador Eurico Rezende chamou o padre Humberto Pietrogrande no Palácio e disse: vocês não são subversivos, vocês são de oposição. Padre Humberto respondeu: mas não estamos à venda. Na assembléia ocorrendo. A pressão política quase sufocou e acabou com o Mepes. Eu disse quase.
Hoje mais um passo: os ex-alunos e alunas tomam a iniciativa de fazer uma ação no sentido de manterem e preservarem uma relação mais presente com a instituição onde tiveram a oportunidade de terem formação educativa em todos sentidos. O ato fortalece a escola. Exemplo que poderá ser seguido por ex-alunos e alunas de outras unidades que compõem o Mepes. Não tenho dúvida que esta ação mostra que a Pedagogia da Alternancia é uma ação concreta no meio rural capixaba.
A Escola Família Agrícola nestes 42 anos sempre teve o objetivo de ser um acessório da família, mas nunca substituí-la. Como diz João Martins, agricultor de Rio Novo do Sul, a Escola Família Agrícola não tem e nunca teve como objetivo fixar o homem e a mulher no meio rural, a proposta é a liberdade de escolha e a formação de pessoas que tenham livre arbítrio, sejam corretas nas suas ações, competentes no se determina fazer, comprometidas com causas justas e solidárias para com os seus irmãos. A necessidade mostrou que havia possibilidade de mudança na realidade há 42 anos. A vontade de mudar gerou a possibilidade. Agora existe a necessidade de fortalecer a EFA de Alfredo Chaves, mas existe a possibilidade de agir neste sentido, desde que exista a vontade de agir hoje, com o conhecimento da história, com os pés no chão e sonhos na cabeça de cada um. Por consequencia teremos um Mepes forte. Necessidade, possibilidade e vontade, vamos novamente unir estas palavras e viver o futuro. Contem comigo para mais um desafio.