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quinta-feira, 8 de março de 2012

HEITOR NOGUEIRA E XERXES GUSMÃO NETO

HEITOR NOGUEIRA E XERXES GUSMÃO NETO

NUMA VISITA AO HORTÃO DE CACHOEIRO ACOMPANHADO DE HEITOR NOGUEIRA, XERXES GUSMÃO NETO E HELIO DÓREA, FOMO CICERONEADOS PELO PREFEITO ROBERTO VALADÃO E O AGRONOMO NASSER YOUSSEF NASR.

NAQUELA ÉPOCA O HORTÃO QUE REVOLUCIONOU A AGRICULTURA ORGANICA, AÓ PRODUZIR FRUTAS, VERDURAS E LEGUMES SEM O USO DE VENENOS E ADUBOS QUÍMICOS, ERA A SENSAÇAO. MUITA GENTE VINHA DE LONGE VER O TRABALHO DO NASSER E APOIADO PELO PREFEITO VALADÃO.

XERXES PARA MEXER COM HEITOR NOGUEIRA, QUE HAVIA NASCIDO EM COLATINA E AMAVA A SUA TERRA, DEIXOU UMA PERGUNTA NO AR:

- HEITOR, COLATINA TEM UM POLÍTICO COM RAÇA PARA TOPAR FAZER UMA OBRA COMO É O HORTÃO AQUI DE CACHOEIRO?

HEITOR RESPONDEU:

TEM, MAS GOSTARIA QUE O VALADÃO LHE RESPONDESSE.

VALADÃO ANTECIPOU E DISSE QUE HAVIA NASCIDO EM COLATINA.

LEMBRO DESTA HISTÓRIA E QUERO FAZER UMA HOMENAGEM A HEITOR E XERXES, QUE HOJE NÃO ESTÃO ENTRE. DOIS AMIGOS VERDADEIROS, QUASE QUE IRMÃOS.

quarta-feira, 7 de março de 2012

HORTÃO DE CACHOEIRO


HORTÃO DE CACHOEIRO

O Centro de Cultura Natural Augusto Ruschi, o Hortão de Cachoeiro de Itapemirim, ligado a Prefeitura e conduzido pelo agrônomo Nasser Yousser Nasr, mereceu destaque por todo Brasil, nos  jornais, revistas e TVs.
Praticamente sem recursos, Nasser mostrou que o caminho e a escalada dos venenos e dos adubos químicos é sem volta e vai condenar o meio ambiente. Mostrou ainda ser possível produzir muito e com qualidade sem o uso de veneno e adubo químico.
O Hortão foi um sucesso e morreu pela força da inveja e da ignorância dos administradores que sucederam o prefeito Roberto Valadão.
Sempre achei que todo ignorante é feliz e que a inveja coloca o invejoso em segundo lugar. Somente falando assim para explicar tamanha infâmia vinda de Cachoeiro de Itapemirim.
Texto 87 do livro- NO CAMINHO DA ROÇA AQUI FALA QUEM FAZ. JORNAL DO CAMPO 20 ANOS E OUTRAS HISTÓRIAS,1999.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O BRIMO NASSER



No início do mês de abril estive em Brasília para um encontro da Confederação das Entidades Líbano-brasileiras, a Confelibra, que é um movimento fundamentado na necessidade imperiosa de não esquecer e não abandonar o Líbano. Fazermos da terra de nossos antepassados fonte inesgotável de reverência. É assim que o presidente Habib Tamer Elias Merhi Badião sempre enfatiza. É dessa forma que os libaneses e descendentes que de fato amam a Pátria Mãe agem e procedem. A omissão hoje é um voto para o fim do Líbano democrático e plural do ponto de vista ideológico e religioso – é o fim da casa dos que nos antecederam.
Nestas reuniões é sempre uma oportunidade para rever os nossos brimos. Nasser Youssef Nasr é um deles, imigrante da década de 50 é um deles. Depois de muito trabalho ele é hoje um empresário em Brasília, onde também preside o Clube Monte Líbano. Eu o conheci em São Paulo, também numa reunião da Confelibra. Uma pessoa amável que parece conhecermos há anos, é o sangue libanês que propicia figuras admiráveis como ele. Bom de conversa, aliás, como todo libanês que veio ao Brasil vender de porta em porta. É o mascate com suas malas e mulas, levando novidades aos fregueses. Querendo saber de sua história e sua trajetória, para saciar a minha curiosidade de jornalista, na primeira oportunidade fui direto ao pote, perguntei:
-Brimo Nasser, quando o senhor veio para Brasília?
Ele mansamente falou:
- Eu vim no ano de 1960. Estava em São Paulo e enchi um caminhão com laranjas para vender no dia da inauguração da cidade.
Fiquei imaginando o que era sair de São Paulo a 51 anos, percorrer mais de mil quilômetros e chegar a Brasília com um caminhão lotado de laranjas.
Mas em seguida ele falou:
- Brimo Mansur, quando aqui cheguei a metade das laranjas estavam estragas.
Falei:
- Que azar brimo.
Ele rapidamente acrescentou:
- Azar nada brimo a outra metade vendi por dez vezes mais.
Era o sangue fenício falando mais alto. Gostou tanto de Brasília que por lá fincou raízes fortes, como as do cedro. São histórias e relatos desse tipo que ando ouvindo sempre que converso com os libaneses que vieram ao Brasil com dois propósitos. O primeiro era o de fazer fortuna. O segundo, uma extensão do primeiro: voltar para a Pátria Eterna, o Líbano.
Muitos voltaram para as suas aldeias. Mas os que ficaram representam um número bem mais expressivo. Ficaram e hoje nós vemos a marca libanesa nas casas comerciais, nos nomes de ruas e nos nomes das pessoas. O Brasil foi adotado e adotou os nossos antepassados. Somos um povo de convivência fraterna. Temos duas Pátrias.
O registro que faço é no sentido de que os nossos brimos e brimas de sangue libanês saiam do imobilismo, da acomodação e do desânimo.
Texto publicado em A GAZETA, 25 de julho de 2011.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AGRICULTORES ORGÂNICOS



Há quase quatro anos a minha rotina nas manhãs de sábado praticamente não se alterou. Saio de casa e percorro 50 metros na Avenida Hugo Musso até chegar ao cruzamento com a Avenida Champagnat, depois sigo no sentido do centro de Vila Velha até o vão da Terceira Ponte, já avisto as barracas da feira orgânica. Uma nova caminhada de outros 50 metros. Apresso o passo para agradecer aos feirantes pelos alimentos que levarei para casa. Assim, a rotina do sábado é um encontro marcado, que vai completar quatro anos no dia 19 de março. Lá encontro amigos e amigas do dia a dia urbano, mas o mais importante encontro é com produtores.

      Um encontro feito também por centenas de pessoas interessadas em ter uma alimentação normal e produtores em paz com meio ambiente. Assim tem sido uma relação bem acima da troca de dinheiro por hortigranjeiros, onde o valor da mercadoria é em termos nutricionais.

      A feira orgânica tem pelo lado do consumidor um grupo formado por funcionários públicos, aposentados e profissionais liberais. Uma parte busca produtos saudáveis, outro segmento deseja produtos mais frescos e um terceiro grupo está na busca de preço. Mas tem gente que consegue reunir todos os pontos. A feira é uma festa e ponto de encontro e de bate papo de muita gente. Aliás, como deve ser uma feira de verdade.

        Falar destes quatro anos é fácil. Difícil foi a chegada deles até hoje. A agricultura orgânica no estado é bem disseminada graças a ação pastoral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana que além de se preocupar com as coisas do Divino, sempre esteve preocupada com as coisas aqui da Terra. Foi a igreja que levou os agricultores até ao Centro de Agricultura Natural Augusto Ruschi, da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, que era dirigido pelo agrônomo Nasser Youssef Nars, na década de 80. Foi lá que a agricultura orgânica deu os primeiros passos.

       Os 20 produtores de Santa Maria do Jetibá, todos descendentes de pomeranos chegam na noite de sexta feira, armam as suas barracas e dormem debaixo delas até a madrugada do sábado. Os três produtores de Iconha chegam na manhã do sábado. Uma vida dura e sofrida, como é a vida do trabalhador do campo.

        No início, a falta de apoio do governo era quase unânime. Raras exceções aconteceram empenho pessoal de técnicos isolados. Hoje a realidade mudou e seria uma inverdade dizer que os órgãos governamentais continuam alheios e omissos. Um fato merece registro, é preciso mais ação além das bancas da feira. É preciso umapoio na comercialização, porque em termos de produto e qualidade eles são mestres para qualquer doutor.

         Eles merecem a nossa homenagem, porque trabalham com competência para ter produção e depois vendê-la, e levar o dinheiro para casa. Mas a memória de Albertino Uhlig, agricultor que lutou para a agricultura orgânica capixaba chegar ao atual nível merece um registro especial. Eu o vi defendendo uma causa que há 25 anos parecia utópica e maluca: produzir sem usar adubo químico e agrotóxico. Se todos fossem como Albertino, que maravilha viver, já dizia o poeta.

 ronaldmansur@gmail.com

domingo, 29 de janeiro de 2012

FEIRA ORGÂNICA DE VILA VELHA, 2011, ANO SEIS.


 A feira orgânica de Vila Velha completou seis no dia 19 de março, 2011. Certamente que muitos que a freqüentam tem plena consciência de que estão comprando frutas, verduras e legumes de alta qualidade. Produtos limpos do ponto de vista de resíduos dos venenos usados nas lavouras. Sabem que vão comer um alimento de verdade, um alimento para a vida. Mas o grupo que sabe como foi a luta dos feirantes até o dia de hoje, é pequeno e restrito.
           Os agricultores de Santa Maria do Jetibá e Iconha, que estão do outro lado da banca merecem o reconhecimento pelo trabalho que realizam e pelos produtos que nos fornecem, puros e limpos de agrotóxicos.  Sou grato a eles que chegam pela noite de sexta-feira e dormem debaixo das barracas. No sábado, bem cedinho iniciam a comercialização. Vida de trabalho. Por isto vou agradecer sempre.
           Mas nesta data quero fazer uma viagem ao passado, não muito distante, mas o necessário para não esquecermos. Falo do início do processo que resultou no atual estágio da agricultura orgânica no Espírito Santo. Tenho de fazer uma viagem de pouco mais de 130 quilômetros, sentido sul do Estado, indo até Cachoeiro de Itapemirim. Foi lá que tudo começou no ano de 1985, quando a Prefeitura local (administração Roberto Valadão) e pela condução competente do agrônomo Nasser Youssef Nars montou o que logo ficou conhecido como Hortão Municipal.
           Centenas de agricultores foram lá para conhecer o que era produzir em escala comercial e com elevada produtividade verduras, folhas e frutas sem o uso de produtos químicos e venenos pesticidas. Era a agricultura natural – que retirava produção da natureza, mas fazendo a menor agressão possível.
           Um grupo especial de produtores frequentou com constância o Hortão e de lá tirou ensinamentos que carregam até hoje. O conhecimento absorvido passou a constituir um bem patrimonial, porque foi passado para os filhos e para as comunidades. Falo das excursões que a Igreja Cristã Evangélica de Confissão Luterana (ICLEB) promoveu para os seus membros. É bom lembrar que nos anos 80 quem falasse em agricultura orgânica era discriminado e tido como um tolo sonhador. Assim procediam muitos agrônomos e dirigentes de empresas ligadas ao Governo Estadual. O tempo passou e muitos dos algozes do passado hoje pensam e agem de forma diferente. Melhor assim.
           Por isto que nas manhãs de sábado ao percorrer as barracas da Feira Orgânica da Praia da Costa, faço uma viagem sentimental, mas cheia de fatos, histórias e pessoas. Penso nas ações concretas de pessoas no passado. Desta forma, o pensamento segue no sentido de Cachoeiro de Itapemirim, bairro Aeroporto, onde ficava o Hortão, mais tarde Centro de Agricultura Natural Augusto Ruschi. Ao agrônomo Nasser Youssef Nasr, a nossa gratidão e reconhecimento. Hoje o Hortão não existe mais, fruto da ignorância e da vaidade de pessoas que não sabem reconhecer o trabalho dos outros.
           Mas vamos voltar a feira orgânica da Praia da Costa, ponto de compra de produtos de qualidade, também ponto de encontro de amigos e amigas que estão no corre corre da vida durante a semana. No sábado com um ritmo menos acelerado, colocam as conversas em dia e mais tarde vão almoçar uma comida de verdade. Viva o Hortão de Cachoeiro de Itapemirim.
ronaldmansur@gmail.com

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ÉS INCLIBE



Jorge Pereda, um agricultor argentino, Província de Santa Fé, muito ligado ao Espírito Santo por laços de trabalho e afetividade com a Escola Família Agrícola (EFA), visitou o Centro de Cultura Natural Augusto Ruschi, em Cachoeiro de Itapemirim. Ao ver o agrônomo Nasser Youssef Nasr colher belas e imensas cenouras em canteiros totalmente cobertos de mato, sem adubo químico e venenos, meio espantado disse:
-És inclibe, és inclibe.