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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

NOSSAS RAÍZES ITALIANAS



Imagine você confortavelmente instalado numa imensa sala bem arejada e com ótima luminosidade tomando conhecimento de histórias e fatos sobre a imigração italiana no Espírito Santo. Foi assim que me senti outro dia logo após receber o livro Nomes e Raízes Italianas de Luiz Busatto.
Um trabalho primoroso e detalhado que foge aos padrões dos livros tradicionais, na forma e na maneira como Busatto mostra situações que passam batidas normalmente. São 114 páginas de puro e valioso conteúdo. São mais de cem documentos e fotografias que ilustram o texto sempre tranqüilo e que nos leva a seguir sempre em frente. É começar a ler e mergulhar nas histórias e fatos, mas é um não querer parar, tamanha a doçura. Luiz Busatto mostra a importância da História na vida de cada um.
A primeira fotografia é imensa, cobre duas páginas do livro, ela não tem data, mas tem o registro de dezenas e dezenas de pessoas num dia de festa em Barra do Triunfo, Ibiraçu. Na foto vemos uma predominância da cor clara, uma banda de música e o relato de Busatto “a capela ainda não tinha torres e os sinos aparecem à parte. No pasto, resto de um tronco carbonizado”.
Daí para frente é uma imensa viagem no tempo. Na apresentação Busatto nos lembra que “o imigrante ítalo-veneto que veio para o Espírito Santo na década 70 do século dezenove se encaixava no perfil de trabalhador de que o Brasil Império precisava. Havia uma recomendação de que não se trouxessem ou aceitassem, no Brasil, trabalhadores artesãos ou possíveis desocupados das cidades. O Brasil de então precisava de pequenos proprietários agrícolas que não só substituíssem os escravos em via de serem emancipados mas que também ocupassem as vastas regiões desertas e desabitadas do seu território.”
 Luiz Busatto fala sobre passaporte, certidão de casamento, o dote, a correspondência e títulos de terras tudo com fotos de documentos que já passam de bem mais de 100 anos, que ajudam a reconstruir e recontar a luta dos imigrantes. Até a página 39 o autor nos levou a um agradável passeio mais geral na imigração. Da página 40 em diante entramos numa fase, que imagino mais intimista, porque vai falar de seu entorno familiar. Aqui prossegue um grande número de fotografias de alta qualidade que mostram famílias inteiras que vieram em busca de um futuro.
Um capítulo sobre o imigrante Luigi Varnier, que retorna a Itália no ano de 1908, consome 21 páginas com relatos emocionantes. Registra o reencontro desta família com grande numero de fotografias e correspondência. Aqui a gente pode imaginar a dura vida do imigrante. Mas Luiz Busatto vai mais longe e nos entrega informações e histórias de Luigi, Modesto, Antonio (todos Zuccolotto e Giuseppe Pellizzon. Aqui também o registro fotográfico é de primeira qualidade e de imenso valor histórico, não somente para as famílias, mas para nos ajudar a fazer um retrato do povo capixaba.
Sempre digo que quem não conhece a sua História, é como se tivesse deixado o seu futuro no passado. Luiz Busatto mostra a realidade da imigração e a sua relação com o nosso tempo de hoje, de forma simples e envolvente. Que venham outros livros do calibre e precisão de Nossas Raízes Italianas, para preencher o vazio da nossa memória. Luiz Busatto, obrigado.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SANTA TERESA, O RESGATE


Santa Teresa é a cidade mais italiana do Estado, em todos os sentidos. Algumas construções, do tempo dos primeiros imigrantes que lá chegaram ano de 1874, ainda se sustentam. Um olhar mais atento no que vem sendo feito em Santa Teresa, por parte de sua população, indica uma esperança no que diz respeito a preservação de nossa História.
Na culinária muitas famílias ainda seguem mantendo o padrão e tradição dos antepassados, com o agnoline, tortei de abobora, polenta com lingüiça, macarrão e torta todesca. Podemos citar também a produção de uva para a produção de vinho e para o consumo in natura, vem ganhando destaque e importância.
O modo de agir da população como um todo, revela uma característica interessante, parece que vive num conflito latente e constante entre pessoas e grupos. Mas esta observação é fruto de anos e anos de uma proximidade que mantenho com a cidade. É uma marca teresence.
Este conjunto de situações vem agregado a ação de empreendedores locais, de que é sempre possível preservar, viver e sobreviver com os valores do passado.
A tradição do vinho, que os imigrantes trouxeram da Itália e que aos poucos foi se perdendo, ganha força na ação de famílias que tiveram os seus esforços ajudados e incentivados por programas da municipalidade, do Sebrae e do Estado. Ter mantido acesa a chama do passado, ao preservá-lo, deu a base para que hoje muitos ganhem a vida com dignidade e competência. O imigrante não tendo a uva, fez da jabuticaba, a sua uva. Fez o vinho que encanta o turista. Revela o empreendedor nato, que viu a possibilidade de substituir uma tradição milenar, que ficou distante na velha Itália. Uma lição de coragem e adaptação Numa nova terra, longe de Pátria original, o fato concreto e real é viver a realidade e dela tirar o melhor partido. Assim a segunda Pátria para os imigrantes, mas a Pátria verdadeira para os seus descendentes.
São as pequenas cantinas familiares e artesanais que vão se consolidando, gerando produção, trabalho e renda. É aqui que a ação visando o bem comum, deixa de lado as desavenças familiares e políticas, ficam apenas como referencias históricas. É comum vermos nos rótulos nomes como Melicio, Rasseli, Labiata, Mattiello, Romagna, Tomazelli, Ziviani, Caravaggio e Brum. O tempo de hoje é tempo de ação e exige estender a mão para a coletividade e aos turistas. Muitos estão fazendo as suas compras de garrafas e embalagens em conjunto, o que possibilita um custo menor. Eles estão fazendo cursos e viajando em busca deconhecimento.
Mas é de lá o maior e o mais importante capixaba fruto da imigração. É lá que se encontra o Museu Mello Leitão, idéia, criação e trabalho de Augusto Ruschi, o homem que viveu na floresta e fez dela a sua vida, Ruschi conseguiu ver muito mais longe, bradou em defesa da Natureza. Lia o futuro auxiliado pela beleza guiado pela beleza das orquídeas e bromélias, com velocidade dos beija flores. 
A gente descobre Santa Teresa indo lá e convivendo com a sua população. Um amigo, Walter Pianna, que também anda por lá, certa vez me disse que Santa Teresa teria grande futuro se escolhesse bem os seus parceiros. Aliás, Pianna me fez um desafio: registre as boas coisas que a comunidade faz. Foi fácil, porque eles escolheram o trabalho e a competência. A História eles herdaram. Nestes tempos modernos, com o individualismo fazendo as suas vítimas, sempre será possível agir em comunidade e por ela.