quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Itaipu: as hidrelétricas não precisam destruir



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Corredor ecológico de 43 milhões de árvores: um dos vinte programas do Cultivando Água Boa
Após pressões da sociedade, usina estimula vinte programas ecológicos de grande relevância. Teólogo Leonardo Boff foi um dos criadores da mudança
Em novembro do ano passado, ao participar de um encontro em Foz de Iguaçu, o teólogo Leonardo Boff não economizou palavras. Ele qualificou o programa Cultivando Água Boa (CAB), articulado pela usina hidrelétrica de Itaipu como “a experiência ecológica mais bem realizada em escala mundial”. Dois anos antes, já havia publicadoartigo em que equiparava o CAB a uma “miniatura de biocivilização”.
Uma reportagem recente realizada pelo jornalista André Trigueiro, para a TV Globo, ajuda a compreender o porquê do entusiasmo. Desde 2003, a usina estimula vinte grandes programas ambientais, em 29 municípios da bacia do rio Paraná. Num corredor ecológico de 27 quilômetros de extensão, por 70 metros de largura, foram plantadas 43 milhões de árvores, para garantir a biodiversidade da região. Matas ciliares, foram recompostas nas margens dos rios que deságuam no Paraná, abrangendo 132 km. Para evitar a poluição das águas, os dejetos das criações de bovinos e suínos são processados em biodigestores. Desenvolveu-se, no lago da represa, a piscicultura sustentável. Produtores rurais foram estimulados a adotar a produção orgânica, livre de agrotóxicos e transgênicos.
Tudo começou em 2003, quando novos gestores — Jorge Samek e Nelton Friedrich – assumiram a direção da usina. Ao invés de rechaçarem as críticas a Itaipu, decidiram empregar seu poderio econômico para desenvolver projetos que a tornassem mais sustentável. Para conceber o Cultivando Água Boa, convidaram defensores ativos do ambiente — entre eles, o próprio Boff. E envolveram, desde o início, as comunidades locais. A cada ano, um novo encontro geral do CAB, realizado em Foz do Iguaçu, debate avanços, desafios e meios de expandir o programa.
Para Boff, a iniciativa revela espaço para uma nova concepção, “não-reducionista”, de Ecologia. Ao invés de enxergar o ser humano como inimigo do ambiente, ela deveria concentrar sua crítica nas lógicas de destruição típicas do capital — e buscar alternativas a ela. O problema não está na hidrelétrica em si, parece sugerir Boff, mas em enxergar a energia como uma mercadoria a ser produzida a qualquer custo, sem respeito às populações e ao ambiente. Em sintonia com ele, o ambientalista e blogueiroGustavo Cherubine sugere: “Belo Monte deveria visitar Itaipu”…

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