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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JUAREZ DO CAPARAÓ

A primeira vez que fui à casa do produtor rural Juarez Ferreira foi em junho de 2011, acompanhado pelo agrônomo do Incaper Onofre Rodrigues. O objetivo era fazer uma reportagem para mostrar a ação de cafeicultores da região do Caparaó que estavam mudando a maneira e a forma de colher e preparar o café arábica. Fui verificar a revolução silenciosa que passa ao largo do olhar menos atento.

       Sei  que no meio rural uma conversa tranquila é sempre bem-vinda para quem recebe, mas não tenho a menor dúvida de que a conversa é sempre muito mais proveitosa para quem está chegando. Uma gente simples e rica em cultura da vida. Aliás, disso falo de cadeira e de algumas dezenas de anos andando pelo nosso rico e às vezes esquecido meio rural. Perguntei a Juarez se ele havia nascido em Iúna e ele me informou que nascera no Paraná. Como um paranaense vem bater no Caparaó? Meu pai foi para a região de Londrina na década de 60 para as frentes dos plantios de café, lá eu nasci. Tenho minhas raízes no Espirito Santo, sou daqui.

        Juarez falou sobre a sua propriedade familiar de 19 hectares. Tem eucalipto, café,  morango, duas vacas em lactação e uma unidade do projeto Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) para criação de aves de postura em consórcio com produção de hortaliças. Naquele dia um técnico da Federação Trabalhadores na Agricultura do Espírito Santo (Fetaes) registrava o projeto Pais. Alex, filho de Juarez, pediu emprestada a memória da máquina fotográfica. Movido pela curiosidade de jornalista perguntei: o que você vai fazer com a memória da máquina fotográfica? Vou baixar as fotografias no meu computador. Já tem internet? Não, a antena está baixa.

         Quatro meses depois  estava  de volta ao Caparaó. O guia Onofre levava um fôlder que indicava que daí a cinco dias haveria um dia de campo sobre a cultura do morango na propriedade. Juarez, ao receber o folheto, disse: já vi na internet. São outros tempos. Quem apenas vê e não enxerga dificilmente perceberá que vivemos novos tempos.

         Logo em seguida fomos fazer a reportagem que tinha como foco a qualidade do café com o uso de terreiro e estufa. É importante dar visibilidade às ações da turma do meio rural.         Lá a vida dura e sofrida está forjando uma geração de homens e mulheres em que  a competência e a visão de futuro andam juntas e se fundem. Este Espírito Santo real e trabalhador aparece pouco na mídia. Missão cumprida e muitas outras para cumprir, como dever e obrigação. A omissão é pecado capital.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

HISTÓRIAS DA VIDA...


Nas viagens que faço para obter material jornalístico para o Jornal do Campo, encontro homens e mulheres, com histórias e ações que nos faz refletir e pensar. Mas na vida fora do trabalho também encontro historias interessantes. Ficar com elas somente para mim seria puro egoísmo. Abaixo registro e divido quatro.
1- Produtores da região do Caparaó neste ano está experimentando o plantio comercial do morango em parceria com a empresa Peterfrut. Juarez Ferreira, que mora na comunidade de Santa Clara, Iúna, sua esposa Iná e seus filhos Diego e Alex encararam o desafio de preparar um plantio com cinco pés, que já estão colhendo. Perguntei se já dava para fazer uma avaliação do plantio. Juarez me disse: Mansur, se final da safra eu não ganhar nada, digo que valeu a pena. Ali foi minha faculdade, onde eu e minha família aprendemos como caminhar para a diversificação da nossa renda.
2- Charles Lotfi é mineiro de origem libanesa, que conheci enquanto buscava pessoas interessadas na imigração libanesa para o Brasil. Depois de anos nos encontramos em Belo Horizonte, em reunião da Confederação de Entidades Libanesas no Brasil. Ao me apresentar, Charles Lotfi, registrou: agora eu acredito que você existe. O brimo Charles é uma figura humana inigualável, um líder nacional da nossa colônia, a quem sempre reverencio.
3- Logo após a inauguração Shopping Vitoria, em 1993, encontrei com Américo Buaiz, acionista majoritário, comentei que havia achado interessante o seu discurso, quando registrou que inaugurava um centro comercial que era o que havia de mais moderno e que seu pai Alexandre, imigrante libanês, quando chegou fazia o comercio da forma mais primitiva, a troca ou o escambo. Era o sangue fenício aproveitando a oportunidade.
4- Quando a estrada que liga Rio Novo do Sul a Belém, Vargem Alta, estava sendo feita, o agricultor João Batista Martins e a comunidade de Cachoeirinha, imaginaram completá-la de forma diferente, plantando 2,5 mil ipês (branco, rosa, roxo e amarelo) no trecho de 13 quilômetros. Hoje a estrada facilita a vida de muita gente na região. Alguns ipês já floriram, mas nos próximos meses os moradores da região terão imagens maravilhosas, os ipês vão florir com mais intensidade. Com o tempo teremos uma estrada que vai atrair turistas e mostrar que ainda existe espaço para a inteligência.
As quatro histórias mostram que quem convive com os personagens citados, não pode reclamar da vida. Tem de agradecer. É o que eu faço sempre.
  ronaldmansur@gmail.com