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domingo, 4 de março de 2012

FUSCA, VACAS E ELEIÇÃO



João Martins foi pressionado a ser candidato a prefeito de Rio Novo do Sul. Consultado falei que o meu temor era que no final tivesse de vender as suas vaquinhas e o Fusca.
Aceitou ser candidato.
João perdeu a eleição e me falou:
As vaquinhas continuam na propriedade, mas terão de produzir mais. O Fusca também continua, mas os pneus carecas.
Texto 83 do livro NO CAMIHHO DA ROÇA, AQUI FALA QUEM FAZ. JORNAL DO CAMPO 20 ANOS E OUTRAS HISTÓRIAS, 1999.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A VACA SUZANA



A reportagem corria normalmente. A repórter Suzana Tatagiba ia perguntando e o pecuarista Eliseu Trés, lá de Cachoeirinha, Rio Novo do Sul, mostrava orgulhoso o seu plantel de vacas holandesas.
Num dado momento Eliseu falou:
-Esta vaca é a melhor que eu tenho e o seu nome é Suzana.
A reportagem parou, a equipe morreu de rir com a brincadeira de quem levava a vida com alegria.

domingo, 1 de janeiro de 2012

FAMÍLIAS SUíÇAS NO ESPÍRITO SANTO


FAMÍLIAS SUíÇAS NO ESPÍRITO SANTO
SANTA LEOPOLDINA
BABLER JACOB                 
BABLER HEINRICH                                                                                              
BAUMGARTNER ELISABETH     
BIRCHLER JOHANN GEORG                       
BIRCHLER GEORG                          
BLASER ANTON                               
BUCHER HEINRICH                        
DURR ELISABETH
FINK JACOB      
FISCHER ERNEST                                                                                                           
GADIENTH  JOSEPH                                                     
GRAF WILHEM                               
HALLAUER CONRAD                     
HAMMERLI JOSEF                                                         
HAUSER HEIRICH CASPAR                         
HOFFMANN JACOB                      
HOLFI   CONRAD                            
KAUFMAAN      CASPAR              
KERN HEINRICH
KOPPLIN ADAM                              
KUBLI    OSWALD                            
LANDOLT CASPAR                          
LUCHSINGER     HILAIRE              
MULLER  DANIEL                            
NIPPES KARL                    
OSOLDNER ERMANI                     
SCHANUT JOHAN BAPTISTE                     
SCHINZ CASPAR                             
SCHNEIDER JOHANN JACOB     
SPEICH HEINRICH
VOLKART SEBASTIAN                   
WIESER                              
ZIEGLER  ANTON                            
ZINSLI   ANNE MARIE    
RIO NOVO DO SUL
BOENI BONHI
FISCHER CARL
HOFFMANN JOHANN
JAPPERT JOSEPH
KOBI CHRISTIAN
LABER JOSEPH
OBRIST GEORG
OESGER RIMIGIUS
ROHR DANIEL
SCHEIDEGGER JOHANN
SCHERRER JACOB
SENN GEORG
STAUFFER FRIEDRICH
WETTLER JOHANN FRIEDRICH
BENEVENTE
DECOSTE FRANÇOIS
GOBET ANTONIO
GROSS JUSTIN FRANÇOIS
SANTA ISABEL
KUSTER JOHANN
SCHOPF MARIE AGNES
VOLKART RUDOLF
WERFELI SAMUEL
SANTA CRUZ
LIERCHARDT CASPAR
VITÓRIA
PETER GIOGIO
SUAGHES UBERT
WAENLER JOHAN
FONTE: VIAGEM À PROVINCIA DO ESPIRITO SANTO
- IMIGRAÇÃOE COLONIZAÇÃO SUÍÇA 1860.
JOHANN JAKOB VON TSCHUDI-
COLEÇÃO CANAÃ VOLUME 5
ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CAMINHO DE TATU


No meio rural o produtor sabe que uma boa colheita tem de somar uma série de fatores e situações. Ter terra boa, preparada e cuidada, para receber semente de qualidade que vá render outras sementes e depois novos plantios e novas colheitas.
Um fato que ilustra esta situação se passou em 1963, em Rio Novo do Sul, sob liderança do padre jesuíta italiano João Confa, que viu a situação precária no meio rural do ponto de vista de produção e de organização, começa a agir em parceria elementos de sua paróquia.
É preciso lembrar que o Brasil vivia em 1963 uma grande movimentação política que resultou no golpe militar de 1964. É nesta época a erradicação dos cafezais no Espírito Santo, que acelerou o êxodo rumo às cidades e para Rondonia e Pará. Hoje podemos olhar o passado e entender o que aconteceu. A desorganização do meio rural capixaba.
O padre Confa percebeu que sem organização e participação da população rural, pouco ou nada eles conquistariam na saúde, estradas e uma vida digna que os incentivasse a permanecer no campo. O produtor rural e filosofo João Martins, lá de Cachoeirinha, Rio Novo do Sul, participou com o Padre Confa, me fez um relato interessante do ambiente da época.
Numa reunião de planejamento surgiu uma  ida a comunidade de Palmeiras na casa do agricultor Betinho. Quando o Padre Confa disse que em determinado ponto eles tomariam a estrada para Palmeiras, foi surpreendido. O agricultor Betinho levantou-se e foi direto:
- O senhor está errado, para chegar até a minha casa não se pega nenhum estrada, lá não temos estrada. Nós temos é um caminho de tatu.
Segundo João Martins, foi um momento que ele guarda na memória: pela primeira vez um produtor falava e se manifestava. Era o sinal de que o trabalho realizado para se ter consciência crítica dava o primeiro fruto, um agricultor falou.
Neste clima nasce a Escola Família Agrícola/EFA, do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo – MEPES, pela ação de outro jesuíta italiano, Padre Humberto Pietrogrande. A primeira surge em 1968 em Olivânia/Anchieta, depois em 1969 em Rio Novo do Sul e Alfredo Chaves. Um somatório de ações de pessoas com visão social. Agricultores que perceberam que o modelo que estava em curso, jogar as pessoas para o meio urbano não daria bons resultados. Hoje sentimos a realidade ao consultar as estatísticas econômicas e sociais.
 Enquanto um grupo se preparava na Itália, aqui no Estado outro grupo agia pelo interior da região sul do Estado, nos municípios de Iconha, Anchieta e Rio Novo do Sul. Agiam de forma a preparar o terreno para receber a EFA, a nova semente da educação. Eles iam buscar parceiros e que seriam os beneficiários da ação que tinha na sua filosofia a solidariedade e a liberdade.
A EFA nasce no Sul do Estado e segue para o Norte, no rastro da Igreja Católica liderada pelo padre italiano Aldo Luchetta. Hoje são EFAs em São Mateus, Nova Venecia, Boa Esperança, Marilandia, Jaguaré, Rio Bananal, São Gabriel da Palha e Pinheiros. Padre Aldo por problemas políticos em São Mateus foi transferido para a Bahia, levando a idéia e a semente da EFA. Mas este assunto fica para mais adiante.
Uma marca importante é a chegada da EFA na região da colônia Alemã protestante luterana de Domingos Martins e Santa Maria do Jetibá. É o Ecumenismo tão falado, mas que com a EFA teve a sua versão prática e real. São outros caminhos de tatu.  Mas este assunto também fica para outra ocasião. O caminho de tatu do seu Betinho foi e é um marco histórico.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

HISTÓRIAS DA VIDA...


Nas viagens que faço para obter material jornalístico para o Jornal do Campo, encontro homens e mulheres, com histórias e ações que nos faz refletir e pensar. Mas na vida fora do trabalho também encontro historias interessantes. Ficar com elas somente para mim seria puro egoísmo. Abaixo registro e divido quatro.
1- Produtores da região do Caparaó neste ano está experimentando o plantio comercial do morango em parceria com a empresa Peterfrut. Juarez Ferreira, que mora na comunidade de Santa Clara, Iúna, sua esposa Iná e seus filhos Diego e Alex encararam o desafio de preparar um plantio com cinco pés, que já estão colhendo. Perguntei se já dava para fazer uma avaliação do plantio. Juarez me disse: Mansur, se final da safra eu não ganhar nada, digo que valeu a pena. Ali foi minha faculdade, onde eu e minha família aprendemos como caminhar para a diversificação da nossa renda.
2- Charles Lotfi é mineiro de origem libanesa, que conheci enquanto buscava pessoas interessadas na imigração libanesa para o Brasil. Depois de anos nos encontramos em Belo Horizonte, em reunião da Confederação de Entidades Libanesas no Brasil. Ao me apresentar, Charles Lotfi, registrou: agora eu acredito que você existe. O brimo Charles é uma figura humana inigualável, um líder nacional da nossa colônia, a quem sempre reverencio.
3- Logo após a inauguração Shopping Vitoria, em 1993, encontrei com Américo Buaiz, acionista majoritário, comentei que havia achado interessante o seu discurso, quando registrou que inaugurava um centro comercial que era o que havia de mais moderno e que seu pai Alexandre, imigrante libanês, quando chegou fazia o comercio da forma mais primitiva, a troca ou o escambo. Era o sangue fenício aproveitando a oportunidade.
4- Quando a estrada que liga Rio Novo do Sul a Belém, Vargem Alta, estava sendo feita, o agricultor João Batista Martins e a comunidade de Cachoeirinha, imaginaram completá-la de forma diferente, plantando 2,5 mil ipês (branco, rosa, roxo e amarelo) no trecho de 13 quilômetros. Hoje a estrada facilita a vida de muita gente na região. Alguns ipês já floriram, mas nos próximos meses os moradores da região terão imagens maravilhosas, os ipês vão florir com mais intensidade. Com o tempo teremos uma estrada que vai atrair turistas e mostrar que ainda existe espaço para a inteligência.
As quatro histórias mostram que quem convive com os personagens citados, não pode reclamar da vida. Tem de agradecer. É o que eu faço sempre.
  ronaldmansur@gmail.com