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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SANTA TERESA, O RESGATE


Santa Teresa é a cidade mais italiana do Estado, em todos os sentidos. Algumas construções, do tempo dos primeiros imigrantes que lá chegaram ano de 1874, ainda se sustentam. Um olhar mais atento no que vem sendo feito em Santa Teresa, por parte de sua população, indica uma esperança no que diz respeito a preservação de nossa História.
Na culinária muitas famílias ainda seguem mantendo o padrão e tradição dos antepassados, com o agnoline, tortei de abobora, polenta com lingüiça, macarrão e torta todesca. Podemos citar também a produção de uva para a produção de vinho e para o consumo in natura, vem ganhando destaque e importância.
O modo de agir da população como um todo, revela uma característica interessante, parece que vive num conflito latente e constante entre pessoas e grupos. Mas esta observação é fruto de anos e anos de uma proximidade que mantenho com a cidade. É uma marca teresence.
Este conjunto de situações vem agregado a ação de empreendedores locais, de que é sempre possível preservar, viver e sobreviver com os valores do passado.
A tradição do vinho, que os imigrantes trouxeram da Itália e que aos poucos foi se perdendo, ganha força na ação de famílias que tiveram os seus esforços ajudados e incentivados por programas da municipalidade, do Sebrae e do Estado. Ter mantido acesa a chama do passado, ao preservá-lo, deu a base para que hoje muitos ganhem a vida com dignidade e competência. O imigrante não tendo a uva, fez da jabuticaba, a sua uva. Fez o vinho que encanta o turista. Revela o empreendedor nato, que viu a possibilidade de substituir uma tradição milenar, que ficou distante na velha Itália. Uma lição de coragem e adaptação Numa nova terra, longe de Pátria original, o fato concreto e real é viver a realidade e dela tirar o melhor partido. Assim a segunda Pátria para os imigrantes, mas a Pátria verdadeira para os seus descendentes.
São as pequenas cantinas familiares e artesanais que vão se consolidando, gerando produção, trabalho e renda. É aqui que a ação visando o bem comum, deixa de lado as desavenças familiares e políticas, ficam apenas como referencias históricas. É comum vermos nos rótulos nomes como Melicio, Rasseli, Labiata, Mattiello, Romagna, Tomazelli, Ziviani, Caravaggio e Brum. O tempo de hoje é tempo de ação e exige estender a mão para a coletividade e aos turistas. Muitos estão fazendo as suas compras de garrafas e embalagens em conjunto, o que possibilita um custo menor. Eles estão fazendo cursos e viajando em busca deconhecimento.
Mas é de lá o maior e o mais importante capixaba fruto da imigração. É lá que se encontra o Museu Mello Leitão, idéia, criação e trabalho de Augusto Ruschi, o homem que viveu na floresta e fez dela a sua vida, Ruschi conseguiu ver muito mais longe, bradou em defesa da Natureza. Lia o futuro auxiliado pela beleza guiado pela beleza das orquídeas e bromélias, com velocidade dos beija flores. 
A gente descobre Santa Teresa indo lá e convivendo com a sua população. Um amigo, Walter Pianna, que também anda por lá, certa vez me disse que Santa Teresa teria grande futuro se escolhesse bem os seus parceiros. Aliás, Pianna me fez um desafio: registre as boas coisas que a comunidade faz. Foi fácil, porque eles escolheram o trabalho e a competência. A História eles herdaram. Nestes tempos modernos, com o individualismo fazendo as suas vítimas, sempre será possível agir em comunidade e por ela.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FICA MOÇO


-Ouvi um moço falando em ir pra cidade. Mas ele não sabe da grande dificuldade. Aqui se planta, aqui se colhe. Nossa mesa é tão farta. A cidade grande não tem a força da terra, o arroz, o feijão, o milho e o café. Quem é que vai plantar? Fica, moço, não vá. Deus deu a terra pra se plantar. Fica moço, não vá. Deus deu a terra prá se plantar.
O texto acima em 1983 apareceu num comercial de televisão em forma de música e belas imagens, fazendo um alerta sobre o êxodo rural, uma presença constante no Estado. Pedi a Carlos Bauer Teixeira Sturzeneker que me relatasse a idéia inicial e a trajetória da peça publicitária até o sucesso. Quem em 1983 assistia televisão não esquece a mensagem do comercial que ia fundo na questão social.
 Como um real mascate de idéias, Bauer me relatou: “criávamos campanhas e oferecíamos  aos clientes em potencial e na época o êxodo rural era problema social e ótimo tema para uma campanha publicitária. Debrucei sobre o violão e fiz música e letra. A Pianna vendia tratores, era um cliente em potencial, mas a conta era da agência Objetiva. Conversamos com o proprietário Roícles Coelho e ele fez o contato com Walter e Ademar Pianna, os irmãos gostaram e ouvimos do Walter: "pode fazer, eu assumo a responsabilidade".
Com carta branca da Pianna, Bauer saiu em busca da atriz, ‘’estava difícil. Depois de muita procura olhei para o lado e vi aquela beleza rústica que estava ao lado, era a Marília que trabalhava na Objetiva. Pedi que cantarolasse a música, cantou com melancolia, era o que procurava. Contratamos a produtora do Douglas Linchi. Faltava a locação, uma casa simples de esteio, Roícles sugeriu uma fazenda perto de Guarapari que era do  João Baptista Nolasco. A casinha era perfeita e tinha uma horta nos fundos. Fui ao Rio produzir o jingle com o maestro Rogério, que captou idéia e fez uma produção singela e linda. A casa, a Marília, a música, tudo se juntando e se encaixando com harmonia.’’
Como nada da vida é uma ação individual, Bauer faz questão em nominar a equipe: atriz, Marília; ator, Maestro Lins; cinegrafista, Douglas Linchi; assistente de câmera, Cloves Mendes; diretor de arte, Ronaldo Alvim; diretor, Bauer. Em 5 horas o filme foi montado. Gerou prêmios: Profissionais do Ano de 84 - Regional da Rede Globo e o primeiro lugar a nível nacional da Associação Brasileira de Marketing Rural. O talento deve ser valorizado e reconhecido. Bauer e equipe, parabéns, vocês estão na História. O talento pode estar ao lado.