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domingo, 26 de fevereiro de 2012

PIONEIROS NO AGROTURISMO



No início do Agroturismo em Venda Nova do Imigrante, quando tudo parecia ilusão, a alemã Josefa Trakofler, foi taxativa:

-Vamos começar com as pessoas que querem mudar a vida, com as famílias que estão interessadas, se der certo, as demais vêm.

Família Zorzal Carnielli, Caliman Lourenção, Cila Altóe e Joseja resolveram tocar o barco adiante. Hoje em Venda Nova do Imigrante são 80 famílias vivendo do Agroturismo, em 45 propriedades. Destaque na imprensa daqui e de fora.

Visão de negócio é o que o pessoal de Venda Nova do Imigrante teve, o resto é conversa fiada.  

Nota: este texto foi publicado no livro No caminho da roça, aqui fala quem faz. Jornal do Campo 20 anos e outras histórias, 1999. Ele é o 65.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

TIA CILA



Tia Cila Altoé, Venda Nova do Imigrante, faz biscoitos como ninguém. Foi pioneira no agroturismo de Venda Nova do Imigrante. O Jornal do Campo fez uma reportagem na sua casa e quando voltamos ela reclamou:

- Agora tem muita gente fazendo o biscoito que eu ensinei pela televisão. Será que eu vou continuar vendendo?

Respondi e embuti na resposta uma indagação.

Quem começou a fazer os biscoitos faz com a sua dedicação e competência?

A resposta veio em forma de sorriso escondido. Tia Cila continua absoluta na produção e no atendimento às centenas de pessoas que vão a sua casa.
        
Nota: este texto foi publicado no livro No caminho da roça, aqui fala quem faz. Jornal do Campo 20 anos e outras histórias. Ele é 55 do livro, de um total de 99. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A MISSA DAS 10

Vamos hoje a Venda Nova do Imigrante. Lá existe um grupo denominado Voluntárias do Hospital Padre Maximo que tem 30 anos de trabalho com objetivo focado em proteger e assistir o hospital municipal. Hoje são 120 mulheres que se doam em trabalho e o transformam em mercadorias, que geraram construções, equipamentos médicos, ambulâncias e rouparia para o funcionamento decente do hospital.
Lá também tem a festa da Polenta que já por mais de 30 anos preserva as tradições trazidas na alma e nos navios da imigração do final do século XIX, que trouxe os seus ascendentes italianos, tangidos pela fome e a miséria. Nesta festa centenas de pessoas se revesam no trabalho voluntário que vai gerar dinheiro para as obras sociais. Eles não ficam esperando cair do Céu ou do Governo.
Outro fato que já tem mais de 40 anos é a festa dos Universitários. Um encontro dos que saíram para estudar fora. Até aqui nada de diferente, quando olhamos com um olhar tipo lugar comum. Mas se olharmos com a visão de que eles sempre entenderam a vida como uma necessidade de terem Educação, formação, aprendizado e trabalho como parceiros, veremos outra realidade, o exercício de buscarem e não ficar esperando e se lamuriando.
Lá teve presença do padre Cleto Calimam, um animador das iniciativas comunitárias, que com elas vibrava e aproveitava para colocar mais luz no horizonte, para novas caminhadas e novos desafios. Um animador de comunidade.
Lá eles se organizaram, principalmente os que ganham a vida no trabalho do campo nas lavouras e na lida com os animais, e partiram para agregar valor no que produziam, é o que chamamos de agroturismo – ação que despertou interesse de produtores de outros municípios capixabas e também de outros Estados. No agroturismo eles recebem nas suas casas os visitantes, que convivem com o dia a dia do campo.
Em 1996 o jornalista Ronaldo Ribeiro, da revista Os Caminhos da Terra, passou por lá ficou encantado com as nossas montanhas, definiu com sabedoria o agroturismo: uma sábia maneira de associar as belezas naturais da região com seus produtos típicos. Cada família, de cada sítio aperfeiçoou-se na produção daquilo que já sabia fazer bem.
No final da reportagem, Ronaldo estava no Pico da Bandeira e olhando para baixo e relatou:
- Se for domingo de manhã, pode apostar que é dia de festa depois da missa. Alguns copos de vinho e uma boa dose de alegria depois, estarão os italianos cantando, bebendo e arriscando a sorte num jogo barulhento chamado mora – cada um dos jogadores tem de adivinhar, aos berros e numa sequencia rápida, a soma dos dedos da sua mão e da mão do adversário, depois de abertas. E, principalmente, estarão eles rindo, rindo muito. Aqui é sempre assim. Trabalhamos com durante a semana para poder celebrar com essa mesma fé aos domingos. Vivemos com alegria e dignidade, arremata o agricultor Erasmo Minetti. A emoção com que os imigrantes italianos de Venda Nova do Imigrante falam da vida é um generoso exemplo. De um estado de espírito. Do Estado do Espírito Santo.
Semana passada estive em Venda Nova Do Imigrante e participei da festa falada no parágrafo acima. Tomei vinho, comi polenta e torresmo, mas fiquei triste ao saber que existe um movimento em andamento para acabar com a festa da sabedoria dos italianos de Venda Nova do Imigrante. No mínimo deve ser gente que não entende nada de Venda Nova do Imigrante.
ronaldmansur@gmail.com

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

JUVENTUDE RURAL


JUVENTUDE RURAL
Entre 23 e 26 de agosto, 2011, 400 jovens rurais de 20 Estados estiveram reunidos no Hotel Eco da Floresta em Domingos Martins participando da IV Jornada Nacional do Jovem Rural, debateram o tema: por uma agricultura familiar, profissional e inovadora. Este encontro foi organizado pela Rede Jovem Rural e patrocinado pelo Instituto Souza Cruz.
Além de temas da atualidade social e econômica do Brasil, a Jornada teve visitas nas propriedades do que atuam no Agroturismo, iniciativa que teve origem no Movimento de Educação Promoção Educacional do Espírito Santo (Mepes) gestor das Escolas Família Agrícola e o Hospital de Anchieta. É bom lembrar que o Agroturismo no Brasil teve o seu berço inicial no município de Venda Nova do Imigrante no ano de 1992.
No dia 26 de outubro foi realizada uma Sessão Solene na Assembléia Legislativa, iniciativa do deputado Marcelo Santos, onde foi lida a carta de resoluções da IV Jornada.  Basicamente a carta ficou assentada em quatro pontos: Direito ao desenvolvimento integral, Direito ao território, Direito a diversidade e à vida segura e Direito a participação. Do documento oficial destaco três pontos relevantes para uma discussão mais profunda por toda sociedade brasileira, a saber:
-Reconhecimento de que os elevados índices de analfabetismo nas áreas rurais têm como um dos principais motivos a predominância do ensino tradicional e regular, que são distantes de sua realidade. Fator que incentiva o aumento do êxodo rural. Para melhorar esta situação, é fundamental que a escola esteja próxima da comunidade, enfocando conteúdos diagnosticados pela população local e que valorize o conhecimento empírico da família.
- Fortalecimento das modalidades de ensino técnico, profissional e superior no meio rural com ampliação de acesso e priorizando as tradições familiares em sua unidade produtiva, possibilitando ao jovem a permanência no campo a partir do acesso a novos conhecimentos.
- Garantir assistência técnica permanente para a agricultura familiar, assegurando a formação de jovens para que se tornem sujeitos de desenvolvimento no campo.
A Jornada mostra que a juventude rural não está de braços cruzado e nem mesmo com a cabeça fechada, quando no encerramento da Carta são firmes ao colocar que “a luta por um campo mais justo e produtivo com base numa agricultura profissional e inovadora, que busca contribuir para o desenvolvimento sustentável deste país, permanece para nós jovens rurais brasileiros.” O texto integral da Carta está no site: www.jovemrural.com.br. Confira. ronaldmansur@gmail.com