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quinta-feira, 8 de março de 2012

O CAFÉ ECOLÓGICO, O CONILON

O CAFÉ ECOLÓGICO,  O CONILON

QUANDO EU COMECEI A FAZER COBERTURA JORNALISTICA DA AGRICULTURA CAPIXABA,  NA METADE DOS ANOS 70, O MÉDICO - GEOGRAFO - HISTORIADOR- HUMANISTA E BOM DE CONVERSA SOBRE TODOS ASSUNTOS, JOÃO DE DEUS MADUREIRA FILHO, LÁ DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM, SEMPRE ME PERGUNTAVA:

-MANSURZINHO, COMO ANDAM AS PEQUISAS DO CAFÉ ECOLOGICO?

ELE ESTAVA FAZENDO REFERENCIA AO CAFÉ CONILON, QUE ELE CONHECIA BEM A SUA HISTÓRIA MUNDIAL E A SUA CHEGADA AO ESPIRITO SANTO PELAS MÃOS DO TAMBÉM ILUSTRE CACHOEIRE JERONIMO DE SOUZA MONTEIRO, QUE GOVERNOU O ESPÍRITO SANTO ENTRE 1908 E 1912,

quarta-feira, 7 de março de 2012

PRIMEIRA MENSAGEM DE JERONIMO MONTEIRO AO PARLAMENTO - EM 24 SETEMBRO DE 1908


PRIMEIRA MENSAGEM DE JERONIMO MONTEIRO AO PARLAMENTO
- EM 24 SETEMBRO DE 1908
É forçoso reconhecer que a nossa situação econômica não é lisongeira e exige os nossos melhores cuidados, para prevenir e evitar abalos mais fortes do que as experimentados até o presente.
O nosso Estado, possui, é certo, grandes e fartos recursos naturais, capaz de oferecer seguro lastro a mais apreciável expansão econômica.
Tem como único centro fomentador de sua riqueza, a agricultura, que infelizmente se acha, desde muito, entregue ao cultivo do café, com desprezo, quase absoluto, da exploração de outras indústrias.
A estatística de exportação nos atesta essa verdade, demonstrando que o grande crescimento da nossa produção é devido, somente, ao café, com supressão quase total de todos os outros gêneros, que aliás, são de fácil cultura entre nós.
No último exercício enquanto o imposto sobre o café rendeu 1.997:953$352, o imposto sobre a madeira produziu 95:846$370 o imposto sobre os demais gêneros 9:252$667.
No primeiro semestre do corrente ano a desproporção, apesar de menos, ainda continua, pois, o imposto sobre o café produziu 867:279$485 e sobre os demais gêneros exportados 202:872$098.
A desvalorização da principal produção do nosso Estado, restringindo grandemente as rendas dos agricultores, veio reduzir muito a nossa receita geral, diminuir o movimento do comercial, impossibilitar o fomento das indústrias, anular as energias dos lavradores, que descrêem  da eficácia dos seus esforços e do valor de sua iniciativa.
Daí o abandono que vai tendo a lavoura por parte dos agricultores, que procuram de preferência outras colocações de remuneração certa, ainda que modesta.
Esse fenômeno prova, suficientemente, quanto se tem escravizado à sorte de um só produto a nossa vida econômica, que se expande ou se retrai, conforme a maior ou menor valorização do mesmo.
Os dias de bem estar, no período de 1892 a 19898, quando tantos projetos grandiosos foram concebidos, iniciados e executados, tiveram o seu apoio no elevado preço desse produto, cujo o desvalor de 1898 até hoje, tem motivado todos os incidentes desastrosos nas nossas finanças.
Não podemos, entretanto, permanecer nessa difícil e embaraçosa posição, precisamos firmar pontos compensadores, criando e fomentando outras fontes de produção, além da cultura cafeeira, afim de libertar-nos da atual situação, que nos expõe a sérios riscos.
Sem abandonarmos a lavoura de café, convém animarmos, por todos os modos, as outras culturas e as indústrias que no nosso território possam prosperar.
Com critério e boa orientação, será possível despertar a iniciativa particular em proveito do nosso desenvolvimento econômico.
A difusão do ensino agrícola, do manejo das máquinas agrárias e a demonstração, de modo positivo e ao alcance de todos, da superioridade desses aparelhos e dos processos modernos e científicos sobre os instrumentos antigos e radicados nos nossos hábitos pela rotina, fornecerão elementos indispensáveis e utilíssimos a consecução do nosso objetivo.
A fundação de escolas práticas agrícolas e de campos de experiência para se introduzirem no Estado os processos de cultivar a terra, dela extraindo o máximo resultado com um mínim dispêndio, apresenta-se como medida de real eficácia na solução de tão importante problema.
A redução dos fretes e dos impostos, criação de prêmios e a facilitação de mercados para as produções – são outras tantas providencias que se impõe e que não podem ser desprezadas, nem mesmo adiadas.
Se é dever do Estado cercar de solicita atenção a boa marcha dos diversos serviços públicos, não deixa, é certo, de lhe constituir também obrigação primacial a preocupação, o cuidado de aumentar as suas rendas, de modo a proporcionar o custeio fácil das suas despesas.
Existem culturas altamente remuneradoras, para as quais o nosso solo tem fertilidade prodigiosa e, nos mercados, magnífica colocação, necessitando apenas de um movimento animador para que se iniciem e se desenvolvam rapidamente.
O algodão, o cacau, o linho, a linhaça, o açúcar, a aguardente, o álcool, o chá da Índia e outros produtos, não fazendo menção especial dos cereais em geral, tem, entre nós, um vasto campo em que se podem desenvolver, com lucros valiosos para os particulares e com proveito apreciável para o fisco.
As estatísticas, entretanto, não acusam movimento de produção desses gêneros, sendo de lamentar-se que mesmo para o nosso consumo tenhamos de recorrer à importação de outros Estados.
A instituição de prêmios, como está iniciada pela lei 489, de 22 de novembro de 1907, e já em parte executada pela concessão feita, em julho deste ano, pelo atual Governo, aos Srs. Vivacqua & Filhos, de premio de 2:000$000, a que se mostraram com direito e, como deixei dito, o barateamento dos fretes, a facilidade dos transportes, a redução dos impostos e a facilitação dos mercado são indispensáveis medidas, que vos peço – para servirem de incentivo e de estímulo ao desenvolvimento dessas culturas.
Do mesmo modo não vos deveis esquecer de rodear das mesmas vantagens as pequenas industrias, que tanto poderão concorrer para o desenvolvimento econômico do Estado.
Será, talvez, de grande vantagem, a desapropriação, em condições favoráveis ao Estado, dos terrenos circunvizinhos da nossa Capital, os quais divididos em lotes, deverão ser distribuídos gratuitamente, entre pequenos lavradores, com a obrigação de os cultivar.
É um meio que me parece seguro, de aproveitar a grande área que circunda Vitória, tirá-la do abandono em que jaz e aí desenvolver a pequena lavoura.
Será essa a mais razoável solução do problema de se proporcionar ocupação útil e proveitosa à grande parte da população desfavorecida pela fortuna e entregue a toda sorte de tristes privações.
Tais concessões deverão ser acompanhadas de fornecimento de ferramentas e máquinas agrícolas, com a condição de se iniciarem as culturas dentro do prazo prefixado, sob constante e imediata fiscalização e sob pena de caducidade da concessão.
Este conjunto de medidas, levado a efeito com inteligência e critério, estou certo, modificará, profundamente as nossas condições atuais, abrirá, ao Estado, horizontes novos sob o ponto de vista econômico, trará dias mais felizes para a nossa terra e proporcionará atrativos e despertará confiança na vida do trabalho nos campos e nas industrias, desfazendo a grande tendência, que, infelizmente, se observa, para os empregos públicos.
A administração atual nada pode fazer neste pertinente, porque as receitas muito escassas do Estado, não deram ainda a precisa margem para a consecução desse desideratum.
Entretanto, com o regime de economia adotado, alimento esperança de poder, em breve, abordar esses serviços e o farei com mais amplitude e segurança, obedecendo a direção e as autorizações que me forem dadas. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DO CAFÉ CONILON NO ESPIRITO SANTO -1


              “Ainda há pouco, quando estive no Rio de Janeiro, fiz aquisição de duas mil mudas e cincoenta litros de sementes de uma excelente qualidade de café, o “Conillon”, estando todas elas já distribuídas.”
            Esta citação está no relatório final do mandato do Governador Jerônimo de Souza Monteiro, que dirigiu o Espírito Santo de 1908 a 1912. Como se fosse uma profecia o Governador além de trazer e distribuir, ainda afirmava que a qualidade do café era “excelente”. Jerônimo foi um governante bem próximo do meio rural, com quem mantinha ótimas relações.
Para onde foram as mudas e as sementes do Conilon de Jerônimo Monteiro? Para pergunta é preciso realizar mais pesquisas nos documentos oficiais da época.
Na década de 80 conversando com o produtor Luiz Machado, proprietário da Fazenda das Flores, Castelo, sul do Estado, ele me relatou que das duas mil mudas do Conilon pelo menos oitenta foram levadas para Castelo. Ele ainda afirmou que viu quando menino o lote de mudas virar uma lavoura de oito mil pés e desta lavoura formaram-se outras lavouras. Falou também que algumas mudas foram encaminhadas para a comunidade de Monte Alverne, com uma altitude bem maior que na Fazenda das Flores, mas que elas não tiveram vida longa.
Quando nas décadas de 40 e 50 centenas de famílias do Sul do Estado se deslocaram para o Norte em busca de novas áreas para trabalhar, elas levavam na mudança, além de mudas de café arábica, mudas do Conilon originárias do lote doado por Jerônimo Monteiro, me afirmou seu Luiz Machado, que foi líder rural e chegou a ser Secretário da Agricultura na década de 50.
O Conilon sobreviveu praticamente como um clandestino até a grande erradicação ocorrida na década de 60. Falava-se até que o Conilon era veneno. A sua aparição como realidade econômica ocorre com a crise provocada com a erradicação das lavouras de café. Aqui aparece o polonês Eduardo Glazar, de São Gabriel da Palha, que vendo as conseqüências nefastas que a erradicação das lavouras havia deixado, conhecedor da existência do Conilon, fez o plantio e quando prefeito de São Gabriel da Palha ampliou a sua ação. Na Prefeitura continuou a sua ação e o seu sucessor Dário Martinelli prosseguiu. Eduardo voltou a ser prefeito e novamente foi substituído por Dário. Mantiveram a política de apoio irrestrito ao plantio do Conilon. Logo em seguida apareceu o financiamento para o plantio de café arábica em área acima de 400 metros de altitude. São Gabriel da Palha estava fora, porque a totalidade de sua área fica abaixo de 400 metros. Por ação da lavoura capixaba e dos representantes na Junta do Instituto Brasileiro do Café (IBC), Eduardo Glazar e Jair Coser, o Conilon passou a ter financiamento para o seu plantio.
No ano de 1975 foi realizada a primeira previsão oficial feita pelo IBC da produção do Conilon, que ficou com uma safra de 200 mil sacas. A atual foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 8,5 milhões de sacas.  Neste ano de 2011 a produção ficou em 8,5 milhões de sacas, um indicador de que milhares de pessoas estão trabalhando nas lavouras. O Conilon tem um importante peso na nossa vida econômica e social. Os demais estados produziram 2,8 milhões de sacas, sendo que toda tecnologia que usaram é capixaba, como grande parte dos proprietários, principalmente em Rondonia e Bahia.
Neste cenário temos dois pontos interessantes de serem comentados. O primeiro é de como chegamos a esta situação e como nós a entendemos. Na realidade os dois pontos convergem para um mesmo ponto: damos o devido valor e importância à nossa cafeicultura?
O grande passo no Conilon foi dado pelos técnicos do setor público estadual, por meio de pesquisas e experimentos que levaram o Espírito Santo ser destaque em todo Mundo. Uma gente que trabalhou duro e ganhou prestígio internacional, mas o ganho real interno não foi proporcional ao sucesso da lavoura até o consumidor final, passando pelos cafeicultores, comerciantes locais e exportadores. O Conilon faz parte da identidade, do imaginário e da realidade capixaba, sem ele a nossa agricultura seria de segunda classe? Tenho dúvidas qual seria a nossa classificação.
ronaldmansur.blogspot.com

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

APRECIE O CONILON CAPIXABA


Já com 100 anos que chegou ao Espírito Santo, o café Conilon certamente é o indivíduo que melhor e mais contribuiu para a nossa economia, passando pelo lado social, econômico e histórico. Ele, o Conilon, veio pelas mãos do Governador Jeronimo de Souza Monteiro.
Hoje é conduzido pelas mãos de milhares de produtores e produtoras rurais. Está em boas mãos e bem conduzido. Nestes 100 como morador no nosso Estado, o Conilon que chegou de navio, como fizeram os imigrantes e como eles, da capital Vitória tomou o rumo do interior, indo para as regiões central e sul do Estado.
A pequena cidade de São Gabriel da Palha, localizada na região noroeste é quem marcou a história de cultivo da variedade no início da década de70, através da iniciativa de pessoas dotadas de nobres atitudes e que viram o Conilon de outra forma, como um indivíduo normal e que poderia ser útil a toda coletividade capixaba. O Conilon praticamente viveu como um clandestino até o ano de 1975, quando o Instituto Brasileiro do Café (IBC) fez a previsão de safra e indicou uma produção de 200 mil sacas, na safra deste ano a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de 8,5 milhões.
Acabo de receber do presidente do Sicoob, Bento Venturim, uma embalagem com 250 gramas do puro Conilon, produzido na propriedade Damar, de Dário Martinelli, em São Gabriel da Palha. O café foi descascado e seco pelo sistema de fogo indireto. No verso da embalagem aparece um texto assinado por Bento Venturim, que segue abaixo:  
- O Espírito Santo, maior produtor de Conilon do País, é referência mundial em tecnologia e em cultivo desse café. O Estado responde por 70% do Conilon nacional que a cada dia ganha mais espaço no mercado.
 - Hoje, existem marcas no Brasil de grande aceitação onde o Conilon vem sendo adicionado ao Arábica, na proporção de 50%, ou mais, influenciando positiva- mente na qualidade dos cafés comercializados.
- Ainda não existe no mercado marcas que utilizam 100% o café Conilon. Algumas marcas de café solúvel chegam a utilizar 80% em suas misturas. O Conilon tem características especiais que enriquecem o sabor e o aroma da bebida.
- Esta embalagem contém o puro café Conilon especial. O preparo da bebida exige dosagem diferente dos cafés tradicionais.
- O Sicoob do Espírito Santo, como principal repassador de recursos do Funcafé no Estado, incentiva e apóia o aprimoramento da qualidade do café Conilon. Afinal, a cafeicultura é a mais importante atividade agrícola do Espírito Santo e está presente em praticamente todos municípios capixaba.
Parceira incondicional do café Conilon, a Cooabriel dá o apoio à iniciativa no fornecimento das mudas do referido café. A Cooabriel estabeleceu como meta movimentar um milhão de sacas de café neste ano que daqui a pouco vai terminar. Ainda não se chegou a meta, atingiu 903.377 sacas (dados dia 05/12). Se imaginarmos o tamanho e a importância da Cooabriel, veremos que ela movimenta 11% da nossa safra. Mas a presença da Cooabriel é como uma grande árvore que acoberta e protege não somente os seus associados, mas milhares de produtores que mesmo não sendo associados ganham com a estabilidade do mercado. É ela que é a referência no café conilon no Brasil quando o Globo Rural divulga a cotação do café, é a Cooabriel quem fornece o preço. Isto não acontece por acaso. Acontece porque a Cooabriel tem credibilidade, confiança e capacidade.
Que outras iniciativas deste quilate apareçam. O Espírito Santo é muito mais do que imaginamos. Parabéns a Bento Venturim e ao Sicoob. Parabéns Antônio Joaquim de Souza Neto e a Cooabriel. É destes exemplos que o Espírito Santo precisa.
Ronaldmansur@gmail.com
Publicado em dezembro 2011, no jornal da Cooabriel.