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sexta-feira, 2 de março de 2012

Memória viva





Leitor assíduo dos escritos do jornalista Ronald Mansur na página de Opinião de A GAZETA, aceitei o recomendado em seu artigo do dia 30/08-2010, motivado por nossa origem árabe, e entrei em contato com ele para obter o texto sobre Pedro José Aboudib. Fui duplamente contemplado: primeiro pelo prazer de conhecer Ronald pessoalmente. Conversa agradável, é memória viva da emigração no Brasil (não só dos libaneses). Segundo, o texto é excelente e fala da vida de um libanês, como muitos outros, emigrante importante na história de nosso Estado. Li com muita atenção, passei a ter mais orgulho de meu avô, Basílio Keijok, e adotei a frase que demonstra o orgulho de Ronald Mansur por sua (nossa) ascendência: "Líbano - minha alma veio de lá".
Aldo José Barroca, Goiabeiras - Vitória.

obrigado Aldo. ronald mansur

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

TSCHUDI, HÁ 152 ANOS VEIO EM BUSCA DOS SUIÇOS QUE VIERAM PARA O ESPIRITO SANTO



Neste ano completa 152 anos que o suíço Johann Jacob von Tschudi veio ao Espírito Santo. O objetivo era conhecer e verificar as condições que viviam os cidadãos suíços que vieram em busca de uma vida digna e honesta. O grupo de suíços estava dividido em três localidades: Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina e Domingos Martins. Tschudi veio em 1860.
O Barão saiu do Rio de Janeiro no dia 25 de outubro e no dia 28 estava em Vitória, onde durante dois dias “a um exame atento dos documentos relativos às colônias da Província, bem como aos decretos e correspondências oficiais dos arquivos da Secretaria da Província, que o presidente pôs à minha disposição com a mais louvável solicitude”. Assim está registrado no relatório Viagem à Província do Esírito Santo – Imigração e Colonização Suiça – 1860.
Na sua primeira viagem no interior do Espírito Santo, Tschudi foi conhecer a Colônia de Santa Isabel onde encontrou com as famílias Werfeli,  Ginsberg  e Baumgarter, grupo que chegou no ano de 1857. Assim relatou Tschudi sobre Santa Isabel:
-Há algum tempo, um mal se enraizou nessa colônia: a intolerância religiosa e a mania de proselitismo. O primeiro impulso foi dado, sem dúvida, pelo capuchinho austríaco Wendelin” e ainda acrescentou: não posso porém omitir que a mesma crítica pode ser dirigida a um dos pastores protestante”.
No dia 5 de novembro o Barão estava em Santa Leopoldina, onde no ano de 1857 havia chegado um grupo de suíços vindos de São Paulo, que trabalharam nas terras do Senador Vergueiro. Este grupo rebelou-se contra as condições degradantes que eram submetidos e o Governo Imperial os deslocou para o Espirito Santo. Compunha o grupo 123 pessoas as e as seguintes famílias: Fink, Muller, Hauser, Dürr, Volkart, Zinsli, Kern, Kubbli, Köpplin, Hoffmann, Landolt, Hölfi, Luschsinger, Hämmerli, Schanut, Hallauer, Bucher, Kaufmann, Ziegler, Gadienth e Bäbler – esta com três núcleos familiares. Tschudi assim registrou a sua visão sobre os suíços de Santa Leopoldina:
-Um número bastante considerável de colonos está doente ou debilitada, principalmente entre os suíços, os holandeses e os prussianos. Fica-se chocado com a visão de criaturas pálidas, inchadas, enfraquecidas e abatidas.
No dia 10 de novembro o Barão estava em Rio Novo do Sul, onde no final do ano de 1856 haviam chegado 90 suíços num grupo de 11 famílias, a saber: Obrist, Läber, Kobi, Stauffer, Scheidegger, Wetler, Hoffmann, Rohr, Fischer, Jappert e Scherrer. Este grupo veio diretamente da Suiça com destino ao Espírito Santo. Tschudi registrou o seguinte fato sobre os seus patrícios em Rio Novo do Sul:
-Até hoje não houve um só acerto de contas com os colonos. Nenhum deles sabe quanto deve à companhia. Nunca lhes deram cadernetas de fornecimento. O que é entregue a eles é anotado num grande livro da fazenda, mas sem controle.
Às vezes costumo fazer um raciocínio inverso no tempo. Fico imaginando com era o Espírito Santo há 152 anos, em 1860. Mas o mais prático é recorrer a quem lá estava presente, como Tschudi.  
Hoje, quase 152 anos são passados e sempre me vem à cabeça é a ação do Governo Suiço da época, que tinha uma preocupação concreta e real com seus cidadãos que haviam deixado a Pátria em busca de um futuro digno. Quando Tschudi veio ao Espírito Santo, a sua missão não era restrita ao território capixaba, ele percorreu o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. Um longo tempo se passou, mas mostra a preocupação que a Suiça teve com seus filhos. Um registro que merece destaque.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A VOLTA DO GUIA SUIÇO

           No dia 13 de novembro me apressei para chegar ao Aeroporto de Vitória para receber o suíço Alfred Müller que pela internet, com seis meses de antecendência, informou-me que chegaria às 18h30. Como suíço é pontual, às 18 horas eu já estava no aeroporto. De repente uma voz clamou: "Ronald, Ronald!". Era Alfred que havia chegado às 14h. O mundo está mudando, até os suíços foram contaminados: agora eles chegam antes do horário programado.

        Alfred Müller é um arquiteto que conheci pela internet e que ficou interessado pela imigração suíça para o Espírito Santo e pelo casal Frederich Stauffer e Anna Maria Kobi Stauffer, que chegou com 22 anos de idade no final de 1856. Vieram em busca de sonhos, de vida digna numa terra distante e desconhecida. Vieram para Rio Novo do Sul. Kobi Stauffer é a família de minha mulher Eliane. Estivemos na Suíça e, pelas mãos de Alfred, reencontramos a família Stauffer 153 anos depois da imigração.

              No dia 14 de novembro, eu, Eliane, nossa filha Helena e seu namorado Tony Cordeiro levamos Alfred para conhecer uma típica família rural capixaba descendente de europeus. Fomos a Santa Maria do Jetibá na casa de Igo Tesch e Josilene Arnholz Tesch, produtores de hortaliças orgânicas há dez anos. Em dois hectares eles produzem 60 tipos de hortaliças e cuidam de uma criação de aves de postura com 110 galinhas. A produção é destinada à comercialização na feira orgânica que é instalada aos sábados embaixo da Terceira Ponte, em Vila Velha.

              Depois de andar por entre canteiros e ouvir a história de vida de Igor e Jozi, Alfred falou: "Pode ser que no começo o interesse principal fosse o dinheiro, porque não podemos viver sem ele, mas hoje o que fazem têm o coração e a consciência. O dinheiro é consequência do que realizam. Vocês fazem a agricultura do futuro. Tenho certeza de que daqui a 20 anos muitos vão fazer o que vocês fazem hoje. Fico admirado com o trabalho que fazem todos os dias e no final da semana colhem, embalam a produção, tomam a estrada e andam 113 quilômetros para chegarem à feira, depois mais 113 para voltar para casa."

            No dia 16 fomos levar o guia ao aeroporto. Antes de chegar ao Brasil ele havia passado na Argentina e agora seguiu para o Chile, onde num trabalho voluntário irá encontrar-se com outra família de origem suíça. Na despedida falei para Alfred: "Encontrar para conhecer, conhecer para caminhar juntos e caminhar juntos para amar mais" - texto que tomei emprestado do padre Humberto Pietrogande. O guia suíço foi embora.
ronaldmansur@gmail.com