terça-feira, 6 de novembro de 2012

Outubro: preços do café caíram mais de 10 %




Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures), que baliza as cotações internacionais do arábica, no último dia de outubro os patamares em que o mercado caiu foram os mais baixos em quatro meses.

E mais, NY perdeu o importante suporte de US$ 1,60 a libra-peso (contrato dezembro), com o mercado dando mostras de que pode, sim, testar US$ 1,50 no curto prazo. Afora os famigerados fatores técnicos e gráficos, cujos sinais especuladores e fundos usam para comprar e vender sem tanto "apego" aos fundamentos de oferta e demanda do produto, há importantes razões para esse comportamento. Tanto do lado da oferta, quanto da demanda.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, as notícias de boas floradas no Brasil no final de setembro e agora em outubro foram decisivas para as perdas no mercado. Essas floradas vão resultar na safra de 2013, que no país será menor dentro do ciclo bienal da cultura. Mesmo menor, as floradas conduziram ao sentimento de que poderá ser uma "grande pequena safra", como indica Barabach. Ou seja, levando-se em consideração a bienalidade, a crença é de que será uma boa produção.

Ainda no lado da oferta, o final do ano marca o começo da chegada da safra da América Central, colheita na Colômbia e também entrada do Vietnã com seu robusta. E, ao contrário dos últimos anos, estes importantes países produtores não estão com tantos problemas e devem colher safras consistentes.

Para completar, a comercialização no Brasil está atrasada nesta temporada 2012/13, os produtores estão dosando bem a oferta de uma grande safra e há muito a vender ainda. Estão capitalizados e contam com amplo volume de recursos de financiamentos do governo para estocagem. O problema é que isso chega aos "ouvidos" dos compradores de uma outra forma neste momento. "Há muito café a negociar e o cafeicultor brasileiro terá de colocar essa oferta no mercado mais cedo ou mais tarde", raciocinam as grandes empresas e também os especuladores e fundos no mercado futuro. Assim, as indústrias têm comprado da mão-para-boca, esperando um momento de maior fluxo comercial do Brasil, ou de outras origens para alongarem posições.

É certo que a temporada de frio no Hemisfério Norte está chegando e o consumo cresce, e isso traz natural sustentação ao mercado de café. O problema é que o cenário atual é de crise financeira na Europa e incertezas fortes nos Estados Unidos quanto ao crescimento econômico; o mesmo ocorre quanto à China. Isso estimula a cautela nas compras das grandes torrefações e preocupa os investidores no mundo, e em dias mais nervosos há uma corrida para longe das commodities, que são mercados de alto risco, o que deprecia o valor dos produtos.

Todos esses fatores resultaram em um outubro negativo no mercado, e novembro começa muito na mão das origens, de como elas vão se posicionar nas suas vendas, se serão mais agressivas com a entrada de safras e com temores de mais quedas nos preços ou se dosarão a oferta. Quanto ao Brasil, também dependerá da conduta dos produtores nas suas vendas. O analista de SAFRAS diz que não é o momento para desespero, mas para se aproveitar oportunidades quando os preços sobem lá fora para vender um pouco mais a preço melhor aqui, diluindo as vendas ao longo do tempo.

Para a tendência de mercado, há a questão do clima em áreas produtoras e especialmente o cenário macroeconômico será observado. Crises não são boas para as commodities, e os preços do café vêm sofrendo com isso. O alento para o cafeicultor, preocupado após um mês de preços fracos, é que a oferta global segue equilibrada frente à demanda. E seguirá ajustada contra a procura por um bom tempo, já que em 2013 a safra brasileira é naturalmente menor com a bienalidade.

Em Nova York, no balanço mensal de outubro, o contrato dezembro do arábica caiu de US$ 1,7350 por libra-peso (do fechamento de setembro) para US$ 1,5465 (no fechamento de outubro), acumulando desvalorização de 10,9% no período.

No Brasil, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caiu 7,6% em outubro, passando de R$ 395,00 a saca para R$ 365,00, acompanhando o desempenho de NY, mas caindo menos, diante da dosagem da oferta por parte do produtor.

O robusta na Bolsa de Londres caiu 10,3% em outubro, recuando de US$ 2.195 a tonelada no final de setembro para US$ 1.968 ao final de outubro. Já o conillon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, recuou 5,3%, passando de R$ 285,00 para R$ 287,00 a saca.

As informações são de Safras & Mercados, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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