No livro A
GUERRA QUE EU VIVI, de autoria de Vicente Gonring, editado em 1988, tem um relato
interessante. Segue nas suas palavras.
‘Vale a pena citar aqui a seguinte e inesperada
coincidência que se deu comigo: Ao chegar no acampamento já superlotado de
colegas, não tinha lugar para eu e mais cinco colegas dormirmos no
barracamento. Por isto o capitão me disse: vamos dormir sentados no Jipe mesmo.
E completou: o Gonring, quem entende a língua dessa gente, se quiser pode bater
em alguma porta aqui por perto e arranjar um lugar melhor para passar a noite,
mas amanhã, às 06 horas, esteja aqui para partirmos em direção a Florença.
Aceitei a oferta e bati à porta de um sobrado. Alguém de dentro abriu um
pouquinho a janela para logo fechá-la bruscamente. Bati novamente e apareceu na
mesma janela uma senhora, e eu me identifiquei em italiano. Mandou que entrasse
fazendo várias perguntas em italiano. Era quase meia noite quando comecei a
escrever uma carta para minha mãe e, ao colocar o endereço no envelope, uma
menina que olhava eu escrever disse, quase gritando: ‘’Mama, questo soldato le
um parente nostro’’, e a mãe dela, realmente, era prima de minha mãe, da
família Rondelli, cujo marido, por incrível que pareça era também primo de
minha mãe, isto porque eram primos e casados. Dormi pouco tal a alegria de
todos. Voltando de Florença o coronel me dispensou 03 dias, os quais passei na
casa desses parentes.’
Este fato aconteceu no dia 8 de janeiro de 1945 e
ocorreu em plena guerra no Norte da Itália
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