quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Atualidades e perspectivas da cultura do abacateiro no Brasil


Devido a sua ampla adaptação a diferentes condições de solo e clima, o cultivo do abacateiro ocorre em países como México, Chile, EUA, África do Sul, Espanha, Israel, Austrália, Nova Zelândia e Peru. O Brasil, no entanto, ocupa apenas a 7ª posição, produzindo 152.181 toneladas em 11.637 hectares distribuídos em todo o país, principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul. Em entrevista, Simone Rodrigues da Silva, docente do Departamento de Produção Vegetal (LPV) na área de fruticultura, abordou os motivos da participação ainda restrita do país nesse mercado e apresentou pesquisas desenvolvidas na ESALQ com intuito de melhorar a produção e a qualidade do fruto.

Porque a participação do Brasil ainda mostra-se tímida nessa cultura?
Simone Rodrigues da Silva: A participação brasileira no mercado mundial ainda é muito restrita principalmente pela baixa produtividade e qualidade dos frutos decorrentes da falta de condições adequadas de manejo, assistência técnica especializada, desenvolvimento de pesquisa local, problemas de logística ao longo da cadeia de comercialização e de uma política nacional para a expansão da cultura.

Quem mais produz abacate no país?
SRS: O Estado de São Paulo é o principal produtor, com 82.014 toneladas anuais, que representam 53,9% da produção nacional, seguido de Minas Gerais, com participação de 18,7%, Paraná (10,4%) e a região Nordeste (6,2%). Os pomares de abacateiros estão distribuídos por todo o Estado de São Paulo, mas 75% da área total plantada concentra-se em 39 municípios, sendo os principais Mogi-Mirim, Jardinópolis, Bauru, Santo Antônio da Posse, Araras e Tupã.

Mas a produção mostra uma tendência de ascensão? 
SRS: Historicamente, o cultivo de abacate no Brasil é descrito como uma cultura de ‘interesse crescente e alto potencial produtivo’, no entanto, a produção nacional diminuiu no tempo de 474.538 t em 1990 para 139.089 t em 2009 (-70%).

A que podemos atribuir essa queda?
SRS: Podemos atribuir ao interesse dos produtores por culturas de maior rentabilidade, por ser erroneamente considerada uma fruta “gordurosa” e pelo hábito do brasileiro em consumi-la como sobremesa, batida com açúcar e leite, o que limita sua expansão.

Mas suas características nutritivas podem reverter esse quadro?
SRS: Pesquisas recentes confirmam a alta qualidade nutritiva e nutracêutica do abacate, comprovando seu efeito na redução dos níveis sanguíneos de colesterol ruim (HDL), colesterol total e triglicérides, além de seu efeito no controle da glicemia em pacientes diabéticos. Outros estudos têm sido conduzidos sobre o aproveitamento industrial do abacate para a extração de óleo e álcool utilizados na geração de biocombustível e na fabricação de tintas, cosméticos, medicamentos e alimentos.

Temos potencial para exportar abacate?
O aumento no preço pago pela fruta nos últimos anos, principalmente as tardias, vem estimulando o plantio de novos pomares em São Paulo e Minas Gerais. O cultivo da variedade de exportação ‘Hass’, também conhecida como “avocado” tem se expandido no Estado de São Paulo, permitindo o crescimento expressivo das exportações brasileiras, gerando divisas, emprego e renda por ser ofertada na entressafra do Hemisfério Norte, o que garante bons preços pagos pelo mercado europeu.

Mas esta ainda não é uma realidade?
Com a intensificação das pesquisas desde 2009, podemos afirmar que o Brasil tem grande potencial de expansão do abacate tanto no mercado interno como no externo, mas para que isso se concretize em médio prazo, é preciso desenvolver campanhas internas de marketing para divulgação de novos modos de consumo da fruta como o uso em saladas, pratos salgados, sanduíches, patês e guacamole.

Como a ESALQ pode contribuir para a expansão dessa cultura?
Atualmente, no Departamento de Produção Vegetal, desenvolvemos vários estudos direcionados à cultura do abacate. Entre outros, pesquisamos o ciclo fenológico e manejo de Phytophthora em pomares de abacateiro no Estado de São Paulo; o uso de vegetação intercalar para obtenção de cobertura morta na cultura do abacateiro visando minimizar os danos causados por Phytophthora cinnamomi; fazemos a avaliação horticultural de porta-enxertos para abacateiro Hass; observamos o uso de reguladores de crescimento vegetal para aumento da produção e o controle do vigor em abacateiros; a aplicação de paclobutrazol (cultar) em primavera para aumento da produção em abacateiro Hass; o efeito de distintos substratos e agentes de controle biológico no desenvolvimento inicial e na sanidade de porta-enxertos de abacateiro em condições de viveiro e a Interferência de espécies de Brachiaria no desenvolvimento inicial de abacateiro.

Caio Albuquerque
Jornalista
caioalbuquerque@usp.br



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