quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Onda de violência derruba secretário de Segurança Pública de São Paulo


Onda de violência derruba secretário de Segurança Pública de São Paulo

Com a queda de Antonio Ferreira Pinto, o governador Geraldo Alckmin nomeou como novo secretário o ex-procurador geral do Ministério Público Fernando Grella Vieira. De perfil conciliador, o ex-procurador geral tem como objetivo reunificar as polícias civil e militar, além de fortalecer a parceria com o governo federal.

São Paulo – A onda de violência que atinge o Estado de São Paulo nos últimos meses derrubou, nesta quarta-feira (21), o secretário de Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto. O governador Geraldo Alckmin confirmou a demissão e já nomeou como novo secretário o ex-procurador geral do Ministério Público (MP) Fernando Grella Vieira.

“É uma mudança da água para o vinho”, disse à Carta Maior um ex-membro do MP paulista que trabalhou ao lado de Grella. “A polícia de São Paulo está dividida, militares para um lado e civis para o outro, e o Grella, com seu estilo negociador e diplomático, vai trabalhar para unificá-la”, comentou a mesma fonte.

No comando da Segurança Pública desde 2009, Ferreira Pinto foi um secretário polêmico. Criticado por organizações de direitos humanos, fortaleceu o papel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a Rota, linha de frente da polícia militar que integra o imaginário dos paulistas pela violência com que atua.

Ao mesmo tempo, foi contestado dentro da polícia civil por comandar a investigação de membros suspeitos de corrupção e desprestigiar os setores de inteligência em nome da militarização do combate ao PCC. A morte de integrantes da facção criminosa pela polícia é considerada uma das causas principais da atual onda de violência, que elevou o índice de homicídios no Estado.

Com o fracasso da estratégia e a morte de 93 policiais apenas neste ano, Ferreira Pinto teve de ceder. Pressionado por Alckmin, aceitou neste mês o apoio do governo federal para transferir líderes do PCC para outros Estados. 

Além disso, o governo federal destinará R$ 60 milhões para a implantação de um centro de comando que reunirá todas as forças que atuam na área de segurança pública paulista, tanto federais quanto estaduais. O termo de cooperação entre o governador e o ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça) foi assinado na semana passada.

Para o Palácio dos Bandeirantes, porém, com muitas pontes queimadas com a polícia civil, Ferreira Pinto não poderia estar à frente da nova estratégia. E Grella estava disponível. Com experiência em gestão, duas vezes procurador-geral, ainda conta com a simpatia do governador.

Tanto que o candidato a procurador-geral apoiado por Grella, Marcio Fernando Elias Rosa, foi conduzido ao cargo em março por Alckmin, apesar de ter ficado em segundo na eleição direta com procuradores e promotores do Estado. A decisão gerou críticas na categoria.

Ao longo de sua carreira, Grella trabalhou nas áreas cível e criminal. Em 1988, atuou durante a constituinte em Brasília para defender os interesses do MP. Recentemente, representou o Ministério Público brasileiro no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. 

"Reconhecemos as dificuldades que estamos passando e vamos nos empenhar de forma redobrada neste trabalho", disse Alckmin, ao comentar as mudanças na Segurança Pública de São Paulo. A Rota na rua não funcionou. Se a nova estratégia dará resultado, só o tempo dirá. 

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