terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para fortalecer o processo de paz, Farc iniciam hoje cessar fogo unilateral



 
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deram início, à meia-noite desta terça-feira (20), à interrupção de todas as operações militares ofensivas contra as forças públicas e dos atos de sabotagem contra a infraestrutura pública ou privada. O cessar fogo está garantido até 20 de janeiro de 2013 e é uma forma de a guerrilha mostrar que está empenhada em semear a paz e tentar colocar um fim às cinco décadas de conflito armado interno colombiano. A informação foi dada ontem em comunicado assinado pelo Secretariado do Estado Maior das Farc-EP.
No documento, deixam claro que a intenção é "fortalecer o nível de entendimento necessário” entre Governo e guerrilha, que ontem iniciaram formalmente a Agenda de seis pontos, em reunião na cidade de Havana, Cuba. O chefe negociador das Farc, Iván Márquez, leu o comunicado ao chegar ao Palácio de Convenções. O início dos debates sobre a agenda será marcado pela discussão da temática agrária.
"É uma mostra mais de nossa vontade para um meio ambiente político propício para o avanço das conversas em vias de alcançar o compromisso de abordar um verdadeiro tratado de paz que ponha fim ao conflito social e armado, como é o anseio da maioria dos colombianos”, destacou o Secretariado no documento.
O Governo colombiano recusou qualquer proposta de cessar fogo, mesmo que este tenha o intuito de reforçar o ambiente de paz. Inclusive negou a "trégua natalina” sugerida pelas Farc. Por isso, no comunicado, os integrantes da instância máxima da guerrilha insistem no cessar fogo e no fim das hostilidades governamentais.
Também pedem ao governo de Juan Manuel Santos e às classes dominantes outro tipo de interrupção, a da guerra social imposta com suas reformas e leis de miséria e fome. Lembram que o período natalino que chega seria propício a esta mudança.
"O fogo da acumulação capitalista da concentração e da centralização da riqueza e da renda, da desapropriação do território, da marginalidade social, da perseguição, da repressão e do derramamento do sangue dos pobres, deve parar colocando freio aos projetos de lei e iniciativas que beneficiam às transnacionais à custa dos interesses do país”, demandam.
O comunicado também reforça a postura que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia mantiveram desde o início dos diálogos, defendendo que o povo possa interferir, ser escutado e tomar a palavra na mesa de negociações rumo à paz.
Da mesma forma, insistiram no fim da privatização da propriedade estatal e da função pública, do favorecimento do negócio financeiro, da ampliação tributária, da precarização laboral e pensional e no fim dos cortes nos investimentos sociais.

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