Considerando que o Brasil é um dos mais eficientes e competitivos produtores de Arábica do mundo, que o país é o principal produtor deste tipo de café e que o Arábica brasileiro é vendido com desconto em relação ao mercado futuro da ICE em Nova Iorque, os fundamentos indicam que o custo médio de produção de Arábica no Brasil deve estabelecer um piso de preços para que a oferta futura seja assegurada. Vamos avaliar os números para ver se isto é verdade.
Uma análise da P&A dos custos publicados de produção de Arábica no Brasil, indica que a média simples, não ponderada, para todas as regiões está por volta de R$350 por saco, bem próximo do custo publicado pelo Ministério da Agricultura, de R$343. Este custo inclui depreciação, investimentos em terra, plantação e infraestrutura e a remuneração do produtor. A média dos custos diretos – desembolso –, que excluem os itens já mencionados, está por volta de R$280. Como os preços internos no Brasil estão agora abaixo de R$240, portanto, menores, que os custos diretos, mesmo se levarmos em conta os diferenciais brasileiros contra a ICE, podemos concluir que os custos de produção brasileiros não estabeleceram um piso de preços para o Arábica.
Porém, ainda pode ser cedo para chegar a tal conclusão. Primeiro, o nível de preços em que os produtores estão definitivamente perdendo dinheiro já foi alcançado e a reação natural a preços baixos – diminuição do uso de insumos, tratos culturais insuficientes, diversificação e abandono – será intensificada. Segundo, os resultados dessas ações não serão sentidos imediatamente mas sim na próxima safra e, especialmente, na seguinte à ela. Terceiro, para o maior e mais eficiente produtor de Arábica continuar produzindo e até mesmo aumentar a produção em reposta à demanda crescente, os preços terão que se recuperar e mover pelo menos acima dos custos diretos de produção. Quarto, uma vez que a demanda futura privilegiará o Robusta, o aumento nos preços não precisará ser alto para recuperar perdas que parecem iminentes e para incentivar a expansão da produção, necessária para atender o crescimento do consumo.
Analisando a situação atual sob uma perspectiva diferente, entre 2001 e 2004 os preços na bolsa de Nova Iorque, em dólares americanos, foram os mais baixos da história recente. Mas naquela época custos mais baixos de produção e a taxa de câmbio favorável garantiram a lucratividade, como foi demonstrado pela expansão da produção brasileira. Claramente, este não é o caso hoje, com uma moeda que permanece supervalorizada e, mais importante, custos de produção impactados pela inflação do período, especialmente no que diz respeito à mão-de-obra, que se beneficiou da enorme escalada de salários em termos reais. Novamente, se for para a produção brasileira de Arábica expandir para atender à crescente demanda, ao invés de encolher, os preços do café, em dólares americanos, não podem cair mais a médio prazo.
A análise acima indica que os preços do Arábica, em dólares americanos, podem cair ainda mais no curto prazo. No entanto, é pouco provável que cheguem perto dos níveis de 2002 e, ainda, eles terão que se recuperar a níveis atuais e mesmo acima em um ou no máximo dois anos, a fim de superar os custos de produção no país mais competitivo do mundo. A intensidade da recuperação pode ser mais rápida e/ou mais forte se a mudança do Robusta em direção ao Arábica nos “blends”, que começou recentemente, mantiver ou intensificar seu ímpeto. É também provável que a recuperação dos preços seja mais forte quanto mais demorar para começar porque os impactos negativos na produção serão maiores.
As previsões racionais e de bom senso acima, baseadas em fundamentos do mercado, podem não ocorrer como resultado de fatores exógenos, tais como flutuações dos mercados financeiro e de outras commodities e da taxa de câmbio dólar-real.
Uma análise da P&A dos custos publicados de produção de Arábica no Brasil, indica que a média simples, não ponderada, para todas as regiões está por volta de R$350 por saco, bem próximo do custo publicado pelo Ministério da Agricultura, de R$343. Este custo inclui depreciação, investimentos em terra, plantação e infraestrutura e a remuneração do produtor. A média dos custos diretos – desembolso –, que excluem os itens já mencionados, está por volta de R$280. Como os preços internos no Brasil estão agora abaixo de R$240, portanto, menores, que os custos diretos, mesmo se levarmos em conta os diferenciais brasileiros contra a ICE, podemos concluir que os custos de produção brasileiros não estabeleceram um piso de preços para o Arábica.
Porém, ainda pode ser cedo para chegar a tal conclusão. Primeiro, o nível de preços em que os produtores estão definitivamente perdendo dinheiro já foi alcançado e a reação natural a preços baixos – diminuição do uso de insumos, tratos culturais insuficientes, diversificação e abandono – será intensificada. Segundo, os resultados dessas ações não serão sentidos imediatamente mas sim na próxima safra e, especialmente, na seguinte à ela. Terceiro, para o maior e mais eficiente produtor de Arábica continuar produzindo e até mesmo aumentar a produção em reposta à demanda crescente, os preços terão que se recuperar e mover pelo menos acima dos custos diretos de produção. Quarto, uma vez que a demanda futura privilegiará o Robusta, o aumento nos preços não precisará ser alto para recuperar perdas que parecem iminentes e para incentivar a expansão da produção, necessária para atender o crescimento do consumo.
Analisando a situação atual sob uma perspectiva diferente, entre 2001 e 2004 os preços na bolsa de Nova Iorque, em dólares americanos, foram os mais baixos da história recente. Mas naquela época custos mais baixos de produção e a taxa de câmbio favorável garantiram a lucratividade, como foi demonstrado pela expansão da produção brasileira. Claramente, este não é o caso hoje, com uma moeda que permanece supervalorizada e, mais importante, custos de produção impactados pela inflação do período, especialmente no que diz respeito à mão-de-obra, que se beneficiou da enorme escalada de salários em termos reais. Novamente, se for para a produção brasileira de Arábica expandir para atender à crescente demanda, ao invés de encolher, os preços do café, em dólares americanos, não podem cair mais a médio prazo.
A análise acima indica que os preços do Arábica, em dólares americanos, podem cair ainda mais no curto prazo. No entanto, é pouco provável que cheguem perto dos níveis de 2002 e, ainda, eles terão que se recuperar a níveis atuais e mesmo acima em um ou no máximo dois anos, a fim de superar os custos de produção no país mais competitivo do mundo. A intensidade da recuperação pode ser mais rápida e/ou mais forte se a mudança do Robusta em direção ao Arábica nos “blends”, que começou recentemente, mantiver ou intensificar seu ímpeto. É também provável que a recuperação dos preços seja mais forte quanto mais demorar para começar porque os impactos negativos na produção serão maiores.
As previsões racionais e de bom senso acima, baseadas em fundamentos do mercado, podem não ocorrer como resultado de fatores exógenos, tais como flutuações dos mercados financeiro e de outras commodities e da taxa de câmbio dólar-real.





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