Washington, Paris e Londres repetiram que a responsabilidade do regime sírio no ataque com armas químicas cometido no ultimo 21 de agosto nos arredores de Damasco é “inegável”. Chega a armada da OTAN.
Eduardo Febbro
Eduardo Febbro

Os peões de guerra já estão dispostos no xadrez mundial. Cada ator ocidental da iminente ofensiva Siria assumiu seu papel com precisão. “Dispomos dos meios necessários para cumprir com a decisão que opte o presidente. Estamos preparados para atuar imediatamente”. Disse o secretario da Defesa norteamericano, Chuck Hagel. Os aliados europeus de Washington seguiram o mesmo preceito. Paris e Londres repetiram que a responsabilidade do regime sírio no ataque com armas químicas cometido no ultimo 21 de agosto nos arredores de Damasco é “inegável”. O presidente Frances François Hollande disse que “o ataque com armas químicas em Damasco não pode ficar sem resposta.”
O chefe de Estado Frances se reúne nesta manhã ao Conselho de Defesa especial para analisar o esquema sírio. El jefe del Estado francés reúne hoy por la mañana a un Consejo de Defensa especial para analizar el esquema sirio. Entretanto, a decisão final da intervenção não deixa sinal de duvidas. François Hollande não anunciou formalmente a decisão de intervir na Síria, mas em todas as declarações de tom dramático, o presidente, apresentou essa atitude como a única opção possível. Ele, também, sinalizou que a França “estava pronta para castigar a quem tomasse a decisão infame de lançar gases contra inocentes” em um país “onde a guerra civil ameaça a paz mundial” e onde é preciso assumir “a responsabilidade de proteger os civis”.
Washington, Paris e Londres parecem estar perfeitamente coordenados. O porta-voz de Barack Obama, James Carney, disse que não tinha duvidas de que “ o regime sírio é o responsável pelo uso de armas químicas”. Hollande se reunirá com o Conselho de Defesa nesta quarta-feira e o primeiro ministro britânico, David Cameron, convocou o Parlamento, amanhã, para votação sobre a “resposta que será dada” ao ataque com gases químicos alegado. Uma após as outras, as capitais dos três países membros do Conselho de Segurança da ONU foram dando e colocando em cena os passos políticos prévios a cada participação militar.
Nenhum governo adiantou os meios que seriam postos em jogo nesta operação. Os Estados Unidos já conta com vários navios de guerra que patrulham o Mediterrâneo armados com mísseis. Washington tem diversas bases na área, a qual tem aviões para bombardear sírios brancos. A França e Grã Bretanha, também contam com os barcos na área. Paris poderia contribuir com os aviões Rafale estacionados em Abu Dhabi e Djibouti. Tudo aponto para um marco similar ao que se instalou quando a colisão internacional desalojou as tropas de Saddam Hussein que haviam invadido Kuwait em agosto de 1990. Não se tratava de derrubar o regime. Os EUA e aliados deixaram intacta a coluna vertebral por poder iraquiano, ou seja, a Guarda Republicana. Os especialistas se inclinam para uma estratégia similar.
Em entrevista para o jornal da manhã francês Libération, Vivian Pertusot, diretor do Instituto de Relações Internacionais de Bruxelas (IFRI), informou que a “ideia consiste em enviar uma mensagem simbólica: dizer a Bashar Al-Assad que as armas químicas constituem em uma linha vermelha. Os ocidentais querem permanecer dentro de uma lógica para responder ao ataque a Ghuta – subúrbio de Damasco, onde foi usado armas químicas – e não se comprometer em uma ofensiva”.
Isso leva muitos especialistas a iniciar um conflito curto, com duração menor que dois dias. Para completar uma intervenção militar sem a permissão da ONU é necessário dar credibilidade e contar com o apoio de mais países, em especial dos países árabes e, também, da Turquia. Ankara, já deu pleno respaldo, enquanto que a Arábia Saudita exigiu uma “ação firme e séria” contra Damasco. Na Europa, a Alemanha apoia a estreita aliança e a Itália desaprova por não contar com o aval das Nações Unidas. Por outro lado, a Rússia chamou os ocidentais a se preocupar, enquanto o Irã proveu as duras consequências de uma intervenção, tanto na “Síria quanto na região”. Na verdade, a ONU esta fora do jogo. As capitais preocupadas convocam hoje um debate de “responsabilidade” e de “proteção aos civis”.
O mesmo ocorreu com a investigação da OTAN em Kosovo, em 1999. De qualquer forma, com ou sem a ONU, as cartas estão dadas. Em 2011, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 1973, destinada a proteger os civis líbios. A resolução logo se tornou uma arma para derrubar, o então presidente, coronel Khadafi, objetivo que não estava nas intenções do texto das Nações Unidas.
O presidente sírio, Bashar Al-Assad, advertiu Washington que qualquer intervenção militar contra seu regime estava destinada ao fracasso. Al-Assad qualificou como “sem sentido” as acusações do Ocidente sobre o uso de armas químicas de sua parte: “as declarações dadas por políticos dos Estados Unidos e do Ocidente são um insulto ao senso comum” disse Bashar Al-Assad. Em síntese, o Ocidente voltará a guerra sem a legitimidade do voto aprovado pela comunidade internacional no lugar que ela representa, ou seja, no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nesta instancia, composta por 15 membros, dos quais 5 são permanentes, voltou a ter papel figurativo.
Tradução exclusiva para o Controvérsia:
Jamilly Silva (espanhol e inglês)
Contato: jamilly.tradutora.interprete@gmail.com
Jamilly Silva (espanhol e inglês)
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