sábado, 25 de fevereiro de 2012

INTERCÂMBIO



Já se vão 43 anos que um grupo de capixabas foi ao Norte da Itália iniciar um processo de intercambio que tem hoje frutos advindos das sementes plantadas pelo Movimento Educacional e Promocional do Espirito Santo (MEPES) e a Associação de Amigos do Estado do Espirito Santo (AES). Foram sete jovens que saíram no ano de 1967 e lá ficaram até o final de 1968 - Ednis Orlandi, João Bortolot, Inacio Pompermayer, Celio Martins, Osmar Longui, Luiz Mill e Dirceu Marchiore. O grupo foi conhecerem o sistema de educação rural que estava dando os primeiros passos no sentido de valorizar a comunidade e a família rural.
Na Itália os brasileiros conheceram o que seria aqui a Escola Família Agrícola(EFA) que na sua base e essência tem a solidariedade entre pessoas e grupos. A maneira de atuar conhecida como Pedagogia da Alternância. Na prática o estudante fica um tempo na escola e igual período na sua família. Este esquema não distancia o estudante da sua família, faz dele a ponte entre a escola e o seu núcleo familiar. Fica claro que a família é o elo central, a escola uma linha auxiliar.
Este primeiro passo no intercambio gerou novas oportunidades para muitas pessoas irem a Itália e também a Argentina, parceira na ação educativa e formativa. O passo dado pelo Mepes e pela Aes serviu de modelo e exemplo para muitas entidades que tinham como fundamento a solidariedade para com os que menos possuíam, os deserdados do sistema.
 Quando o grupo voltou a EFA de Anchieta/Olivania já estava funcionando, em 1968. Depois vieram as EFA’s de Alfredo Chaves, Rio Novo do Sul e Iconha. Do grupo inicial apenas Ednis Orlandi permaneceu até a sua aposentadoria, mas continua dando apoio ao Mepes e a EFA de Alfredo Chaves.
Hoje no Estado são 17 EFA’s ligadas ao Mepes e 10 autônomas. Por este Brasil afora 240 EFA’s, que sempre tiveram o apoio capixaba. Apoiar e assessorar novas EFA´s no Mepes é obrigação e compromisso, um dogma. Todas EFA”s brasileiras tiveram o seu berço o nosso Estado. Centenas de viagens foram feitas por este Brasil afora por mepianos para falar sobre a Pedagogia da Alternância. Centenas de viagens e visitas foram feitas por lideranças rurais e comunitárias de outros estados ao Mepes.
O Agroturismo capixaba nasceu graças ao intercambio com a Italia. Lá a denominação é Agriturismo, aqui nós trocamos o i pelo o. Uma maneira de mostrar que o modelo italiano não foi transportado, mas a sua essência sim. A sua maneira de mostrar que a comunidade rural pode crescer com as suas forças e com a sua capacidade de organização e produção. Agregar valor a produção primaria e repassar a sua mercadoria com um mínimo possível de da intermediação. Uma ligação direta, sempre que possível. A idéia do agroturismo surge em 1988, na Fazenda Agroturistica Mondragon, do casal Roberto Tessari e Tina Sartori, mas é no ano de 1992 que toma corpo em Venda Nova do Imigrante. Depois ganhou outros municípios e o Brasil. Roberto havia sido voluntário italiano no Mepes na década de 70.
O intercambio Brasil Itália reergeu as relações dos descendentes dos imigrantes que começaram a chegar ao Estado no final do século XIX. Milhares de capixabas são beneficiários do intercambio iniciado em 1967, por ação do jesuíta italiano Humberto Pietrogrande.
A ação do Mepes e da Aes sempre foi assentada no respeito à individualidade das pessoas, mas com um forte sentimento coletivo. O principio da liberdade sempre norteou o intercâmbio. Como diz o agricultor filósofo João Martins, lá de Cachoeirinha, Rio Novo do Sul, “a ação do Mepes sempre foi norteada pela liberdade e compromisso social de cada indivíduo”.

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