Era uma sessão noturna na Assembleia nacional, como tantas outras. Na noite de terça-feira (8), durante o debate, bastante austero, sobre a reforma da aposentadoria, Véronique Massonneau, deputada do partido verde pelo departamento de Vienne, defendia uma emenda, em um parlamento um tanto esvaziado.
Guy Dutheil
Guy Dutheil

Vista geral da Assembleia Nacional em Paris, na França
Os deslizes machistas dentro da representação nacional infelizmente não são novidade. Em um livro chamado "Nomes de pássaros: o insulto na política da Restauração até nossos dias" (Ed. Stock, 2010), Thomas Bouchet lembra que "as mulheres deputadas na Assembleia na segunda metade do século 20 e hoje – Roselyne Bachelot, Michèle Barzach, Elisabeth Guigou, Catherine Trautmann etc. – muitas vezes foram alvo de ataques sexistas ao longo de sua carreira parlamentar, inclusive dentro de sua própria ala."
Os "cacarejos" de Le Ray – que lhe valeram, após a votação unânime da conferência de presidentes, uma "advertência" que o privará durante um mês de um quarto de sua remuneração parlamentar – seriam somente ridículos e pueris se não fossem indignos. Em um momento em que a classe política, tanto à esquerda quanto à direita, é alvo de um crescente descrédito entre a opinião pública, com a ascensão da extrema direita e dos populismos, tal comportamento, que, como ressaltou Bartolone, pertenceria a um "pátio de colégio", passa uma imagem desastrosa dos parlamentares.
No entanto, é urgente recuperar a imagem do discurso político em um país social e moralmente fraturado pela crise, em busca de referências. Os infantis e irresponsáveis "cacarejos" de Le Roy deveriam ter provocado mais do que uma simples "advertência". Eles deveriam ajudar os políticos a entenderem que, quando o debate público se perde em galinhagem, é simplesmente a democracia que está sendo insultada.
Tradutor: UOL
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