Uma nova Carta, para um novo ciclo
por: Joaquim Palhares
Carta Maior nasceu há 13 anos e inicia uma nova etapa de
sua trajetória editorial.
O percurso não é obra do voluntarismo, mas fruto de um compromisso renovado com a agenda política do nosso tempo.
Carta Maior tem lado, e nele caminha.
Mas, sobretudo, tem consciência da especificidade de sua contribuição: ser uma caixa de ressonância da crítica e do adensamento da agenda progressista brasileira.
Foi essa prontidão histórica que a levou a contribuir e projetar o espírito dos Fóruns Sociais Mundiais, a contrapelo da supremacia neoliberal, que resiste entrincheirada na mídia conservadora.
O mesmo engajamento aglutinador orientou-a na luta pela eleição do Presidente Lula em 2002; no esforço de reaproximação da esquerda brasileira na decisiva batalha do segundo turno de 2006; e no enfrentamento da encarniçada primeira versão do 'todos contra Dilma', em 2010.
O país vive agora uma transição de ciclo de desenvolvimento.
A sociedade que emergiu das conquistas acumuladas a partir de 2002, não cabe mais nos limites do atual sistema político.
A democracia precisa se ampliar para que a riqueza convergir. E a economia voltar a crescer.
As costuras não suportam novos remendos .
Uma logística secularmente planejada para servir a 30% da população mostra a incompatibilidade do projeto elitista com o anseio de cidadania plena, despertado em milhões de brasileiros resgatados da fome e da miséria na última década.
Nossos ‘estrangeiros’ não podem ser barrados no porto ou repatriados à terra de origem.
Eles formam a vasta maioria da sociedade.
Supor que uma novo equilíbrio poderá ser estabelecido com o retorno a políticas nefastas dos anos 90, quando o país, seu patrimônio e sua gente foram reduzidos a um anexo dos mercados desregulados, é confundir o que anda para frente com o cortejo empenhado em ir par atrás.
A responsabilidade de interferir nessa disputa requer certas estacas balizadoras que impeçam o retrocesso e assegurem o rumo progressista às mudanças.
O Brasil tem razões para não regredir.
A desigualdade entre nós ainda grita alto em qualquer competição mundial.
Mas entre 2003 e 2011, o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China, informa o Ipea.
Indicadores de 150 países comparados pela Boston Consulting Group mostram que o Brasil foi o que melhor utilizou o crescimento dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida da população.
A narrativa conservadora sempre desdenhou da dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.
Reconhecer os novos aceleradores sociais do desenvolvimento não implica negar os gargalos prevalecentes no metabolismo brasileiro.
Ambos são reais.
A coexistência de um Brasil urgente, vital e encorajador, com uma estrutura de comunicação anacrônica e monopolista distorce, asfixia e constrange as vozes que precisam ser ouvidas nesse Rubicão da nossa história.
A travessia não se completará de forma emancipadora se a mídia persistir como um poder ubíquo, dotado de meios e recursos leoninos para exacerbar o conflito, desqualificar projetos e fraudar opiniões que não comungam do seu ideário de nação e de mundo.
Legendas e bandeiras que não enfrentam essa decisiva batalha apenas edulcoram a persistência da velha lógica tingindo-a de cores mais agradáveis.
O verde é o novo nome da terceira via.
O colapso climático fartamente documentado pela ciência é real.
Mas antes de rebaixar, ele potencializa os conflitos de interesses históricos inscritos nas urgências da agenda brasileira.
Aqui e em todo o planeta é preciso impedir que os meios de destruição acionados pela supremacia irracional dos mercados promovam a própria extinção do futuro.
E com ele, da pertinência da luta progressista para uma sociedade mais justa.
A recíproca, todavia, é visceralmente verdadeira.
Acomodar a bandeira do ‘desenvolvimento sustentável’ nos marcos da irracionalidade mercadista é apenas distrair a sociedade para não enxergar a extensão da crise que argui os seus fundamentos.
A lógica que exaure as bases da vida na terra precisa ser afrontada e revertida.
Mas isso não ocorrerá se os anseios da maioria de acesso à riqueza e à qualidade de vida forem interditados em nome de uma ardilosa moratória do crescimento.
Em nome de um simulacro de equilíbrio, ela congela o privilégio descabido das elites, cristaliza a desigualdade entre as nações e omite a drenagem pantagruélica de fundos públicos ao rentismo.
A esse debate Carta Maior dedicará a energia revigorada nesta nova etapa de sua história.
Não apenas por conta dos novos recursos técnicos que adiciona à sua página.
Mas, sobretudo, pela incorporação a nossa equipe da reflexão e da credibilidade de vozes consagradas no debate democrático brasileiro.
Entre elas, a do professor Wanderley Guilherme dos Santos, a da arquiteta Raquel Rolnik, ademais da volta de Maria Inês Nassif , da estréia de Fabiano Santos, entre outros.
Mudamos não para reforçar uma casamata de certezas graníticas.
Mas para ampliar a janela aberta ao ar fresco do desassombro, que inclui a crítica e a autocrítica das escolhas e experiências do próprio campo progressista.
Temos a convicção de que somente assim será possível enxergar melhor o caminho no longo amanhecer da sociedade de homens e mulheres livres, que tenham o comando do seu próprio destino.
Joaquim Palhares
Diretor Presidente
O percurso não é obra do voluntarismo, mas fruto de um compromisso renovado com a agenda política do nosso tempo.
Carta Maior tem lado, e nele caminha.
Mas, sobretudo, tem consciência da especificidade de sua contribuição: ser uma caixa de ressonância da crítica e do adensamento da agenda progressista brasileira.
Foi essa prontidão histórica que a levou a contribuir e projetar o espírito dos Fóruns Sociais Mundiais, a contrapelo da supremacia neoliberal, que resiste entrincheirada na mídia conservadora.
O mesmo engajamento aglutinador orientou-a na luta pela eleição do Presidente Lula em 2002; no esforço de reaproximação da esquerda brasileira na decisiva batalha do segundo turno de 2006; e no enfrentamento da encarniçada primeira versão do 'todos contra Dilma', em 2010.
O país vive agora uma transição de ciclo de desenvolvimento.
A sociedade que emergiu das conquistas acumuladas a partir de 2002, não cabe mais nos limites do atual sistema político.
A democracia precisa se ampliar para que a riqueza convergir. E a economia voltar a crescer.
As costuras não suportam novos remendos .
Uma logística secularmente planejada para servir a 30% da população mostra a incompatibilidade do projeto elitista com o anseio de cidadania plena, despertado em milhões de brasileiros resgatados da fome e da miséria na última década.
Nossos ‘estrangeiros’ não podem ser barrados no porto ou repatriados à terra de origem.
Eles formam a vasta maioria da sociedade.
Supor que uma novo equilíbrio poderá ser estabelecido com o retorno a políticas nefastas dos anos 90, quando o país, seu patrimônio e sua gente foram reduzidos a um anexo dos mercados desregulados, é confundir o que anda para frente com o cortejo empenhado em ir par atrás.
A responsabilidade de interferir nessa disputa requer certas estacas balizadoras que impeçam o retrocesso e assegurem o rumo progressista às mudanças.
O Brasil tem razões para não regredir.
A desigualdade entre nós ainda grita alto em qualquer competição mundial.
Mas entre 2003 e 2011, o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China, informa o Ipea.
Indicadores de 150 países comparados pela Boston Consulting Group mostram que o Brasil foi o que melhor utilizou o crescimento dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida da população.
A narrativa conservadora sempre desdenhou da dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.
Reconhecer os novos aceleradores sociais do desenvolvimento não implica negar os gargalos prevalecentes no metabolismo brasileiro.
Ambos são reais.
A coexistência de um Brasil urgente, vital e encorajador, com uma estrutura de comunicação anacrônica e monopolista distorce, asfixia e constrange as vozes que precisam ser ouvidas nesse Rubicão da nossa história.
A travessia não se completará de forma emancipadora se a mídia persistir como um poder ubíquo, dotado de meios e recursos leoninos para exacerbar o conflito, desqualificar projetos e fraudar opiniões que não comungam do seu ideário de nação e de mundo.
Legendas e bandeiras que não enfrentam essa decisiva batalha apenas edulcoram a persistência da velha lógica tingindo-a de cores mais agradáveis.
O verde é o novo nome da terceira via.
O colapso climático fartamente documentado pela ciência é real.
Mas antes de rebaixar, ele potencializa os conflitos de interesses históricos inscritos nas urgências da agenda brasileira.
Aqui e em todo o planeta é preciso impedir que os meios de destruição acionados pela supremacia irracional dos mercados promovam a própria extinção do futuro.
E com ele, da pertinência da luta progressista para uma sociedade mais justa.
A recíproca, todavia, é visceralmente verdadeira.
Acomodar a bandeira do ‘desenvolvimento sustentável’ nos marcos da irracionalidade mercadista é apenas distrair a sociedade para não enxergar a extensão da crise que argui os seus fundamentos.
A lógica que exaure as bases da vida na terra precisa ser afrontada e revertida.
Mas isso não ocorrerá se os anseios da maioria de acesso à riqueza e à qualidade de vida forem interditados em nome de uma ardilosa moratória do crescimento.
Em nome de um simulacro de equilíbrio, ela congela o privilégio descabido das elites, cristaliza a desigualdade entre as nações e omite a drenagem pantagruélica de fundos públicos ao rentismo.
A esse debate Carta Maior dedicará a energia revigorada nesta nova etapa de sua história.
Não apenas por conta dos novos recursos técnicos que adiciona à sua página.
Mas, sobretudo, pela incorporação a nossa equipe da reflexão e da credibilidade de vozes consagradas no debate democrático brasileiro.
Entre elas, a do professor Wanderley Guilherme dos Santos, a da arquiteta Raquel Rolnik, ademais da volta de Maria Inês Nassif , da estréia de Fabiano Santos, entre outros.
Mudamos não para reforçar uma casamata de certezas graníticas.
Mas para ampliar a janela aberta ao ar fresco do desassombro, que inclui a crítica e a autocrítica das escolhas e experiências do próprio campo progressista.
Temos a convicção de que somente assim será possível enxergar melhor o caminho no longo amanhecer da sociedade de homens e mulheres livres, que tenham o comando do seu próprio destino.
Joaquim Palhares
Diretor Presidente
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