
“Meu maior legado foi mudar a relação do Estado com a sociedade”, diz Lula
“Se alguém me perguntar qual é o legado dos meus oito anos de governo eu diria que não é nem o Bolsa Família ou o Prouni, mas sim a relação que conseguimos estabelecer com a sociedade, seja como Estado, seja como governo”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do RS. Lula defendeu a experiência dos CDES e disse que ela foi inspirada no Orçamento Participativo.
Marco Aurélio Weissheimer
Porto Alegre - Ao iniciar sua fala na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul (CDES-RS), nesta terça-feira (14), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou aquele que considera ser o principal legado de seus oito anos de governo: “se alguém me perguntar qual é o legado dos meus oito anos de governo eu diria que não é nem o Bolsa Família ou o Prouni, mas sim a relação que conseguimos estabelecer com a sociedade, seja como Estado, seja como governo”. O CDES desempenhou um papel fundamental nessa abertura do Estado para a sociedade. O secretário-executivo do CDEs gaúcho, Marcelo Danéris, lembrou na abertura da reunião o papel inspirador que teve a iniciativa de Lula em 2003 e sua importância posterior, em especial na crise econômico-financeira internacional de 2008, quando teve várias propostas feitas pelos conselheiros implementadas pelo presidente da República. Ao contrário do que muitas vaticinavam, o “Conselhão”, como passou a ser chamado, não foi “para inglês ver”.
Após dois anos e cinco meses sem visitar o Rio Grande do Sul, Lula conseguiu atrair total atenção dos integrantes do Conselhão gaúcho e dos convidados que lotaram o Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini. O ex-presidente lembrou que, quando criou o Conselho, em 2003, enfrentou resistência de “muita gente com ciúmes, que dizia que eu queria deixar o Congresso Nacional de lado. Precisou um tempo para essas pessoas entenderem que queríamos algo bem diferente disso”. A criação do CDEs definiu também um estilo de governar. Lula falou sobre os aprendizados que teve com as derrotas eleitorais que sofreu antes de chegar à presidência da República:
“Foram necessárias algumas derrotas para compreender que a realidade política de um país é diferente da realidade pessoal ou da realidade partidária. Eu estava cansado de ter 30% dos votos e precisei construir a possibilidade de chegar aos 50%”.
Lula disse ainda que as experiências de governo anteriores do PT e de outros partidos aliados o ajudaram muito a governar. E citou o caso específico do Orçamento Participativo como uma inspiração para a criação do CDES. “O OP implantado no primeiro mandato do Olívio (Dutra) em Porto Alegre, em 1988, permitiu que a gente compreendesse a necessidade de ter um mecanismo para ajudar o governo a construir políticas. Essa foi a inspiração para o Conselhão. Não foi fácil, encontramos muita desconfiança no início”, assinalou o petista, elogiando logo em seguida os aperfeiçoamentos feitos pelo Conselhão gaúcho: “O CDES-RS foi aperfeiçoado em relação ao nacional, pois criou muito mais câmaras temáticas”.
O ex-presidente também atribuiu o sucesso de seu governo a uma escolha pela simplicidade: “Nós fizemos o óbvio. E as coisas seriam melhores se os políticos fizessem o óbvio, ao invés de querer inventar e fazer as vezes de cientistas políticos quando estão em governos”.
Metáfora da grande mesa
Ao defender a experiência acumulada pelos Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social, o governador Tarso Genro falou do legado de Lula por meio de uma metáfora, a metáfora da grande mesa. Até o governo Lula, disse Tarso, essa mesa era constituída por cadeiras com distintas alturas. “Os trabalhadores, pequenos agricultores, sem terra, pequenos e médios empresários tinham as cadeiras menores. E tinha gente que estava sentado em cadeiras muito mais altas. Lula promoveu uma grande inversão política no país, ao colocar cadeiras da mesma altura. Essa mudança democrática do país ainda está em fase de consolidação”, afirmou o chefe do Executivo gaúcho.
Para Tarso, esse nivelamento da altura das cadeiras iniciou uma revolução democrática no país. “Essa foi a grande condução que o presidente Lula fez. Ela nos ensina, entre outras coisas, que é necessário revalorizar a política e nada melhor que o espaço do CDES para fazer isso”.
Os três integrantes do CDES-RS que falaram na aberturam do encontro também destacaram, cada um a sua maneira, a mudança que o Conselho implica na relação do Estado com a sociedade. Josecarla Signor, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Farroupilha, defendeu o papel dos conselhos no fortalecimento da visão de que tudo que é público deve estar ao alcance de todos, apontando essa ideia como uma condição para fazer avançar a democracia brasileira. Guiomar Vidor, presidente da Federação dos Empregados no Comércio do RS, destacou as conquistas obtidas pelos trabalhadores nos oito anos de governo Lula e arriscou uma comparação. “O que Getúlio representou para o Brasil no século 20, Lula representa no século 21”. Já o empresário Paulo Tigre, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, elogiou assim a criação e a experiência do Conselhão: “aprendemos que a divergência pode conviver quando se tem condições de diálogo”.
As reuniões regulares, suas conclusões e recomendações encaminhadas ao governo seguem sendo pouco repercutidas nos meios de comunicação, tanto no caso do Conselhão nacional quanto no do Rio Grande do Sul. Neste último, repetindo o que já havia ocorrido em nível nacional, as notícias no início giravam mais em torno das críticas motivadas por uma suspeita de que se estaria querendo esvaziar o trabalho da Assembleia Legislativa. Assim, um dos principais obstáculos que esses conselhos ainda enfrentam é ganhar maior visibilidade para que a população possa ter acesso a debates que tratam de assuntos estratégicos para o desenvolvimento e democratização do Estado.
Após dois anos e cinco meses sem visitar o Rio Grande do Sul, Lula conseguiu atrair total atenção dos integrantes do Conselhão gaúcho e dos convidados que lotaram o Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini. O ex-presidente lembrou que, quando criou o Conselho, em 2003, enfrentou resistência de “muita gente com ciúmes, que dizia que eu queria deixar o Congresso Nacional de lado. Precisou um tempo para essas pessoas entenderem que queríamos algo bem diferente disso”. A criação do CDEs definiu também um estilo de governar. Lula falou sobre os aprendizados que teve com as derrotas eleitorais que sofreu antes de chegar à presidência da República:
“Foram necessárias algumas derrotas para compreender que a realidade política de um país é diferente da realidade pessoal ou da realidade partidária. Eu estava cansado de ter 30% dos votos e precisei construir a possibilidade de chegar aos 50%”.
Lula disse ainda que as experiências de governo anteriores do PT e de outros partidos aliados o ajudaram muito a governar. E citou o caso específico do Orçamento Participativo como uma inspiração para a criação do CDES. “O OP implantado no primeiro mandato do Olívio (Dutra) em Porto Alegre, em 1988, permitiu que a gente compreendesse a necessidade de ter um mecanismo para ajudar o governo a construir políticas. Essa foi a inspiração para o Conselhão. Não foi fácil, encontramos muita desconfiança no início”, assinalou o petista, elogiando logo em seguida os aperfeiçoamentos feitos pelo Conselhão gaúcho: “O CDES-RS foi aperfeiçoado em relação ao nacional, pois criou muito mais câmaras temáticas”.
O ex-presidente também atribuiu o sucesso de seu governo a uma escolha pela simplicidade: “Nós fizemos o óbvio. E as coisas seriam melhores se os políticos fizessem o óbvio, ao invés de querer inventar e fazer as vezes de cientistas políticos quando estão em governos”.
Metáfora da grande mesa
Ao defender a experiência acumulada pelos Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social, o governador Tarso Genro falou do legado de Lula por meio de uma metáfora, a metáfora da grande mesa. Até o governo Lula, disse Tarso, essa mesa era constituída por cadeiras com distintas alturas. “Os trabalhadores, pequenos agricultores, sem terra, pequenos e médios empresários tinham as cadeiras menores. E tinha gente que estava sentado em cadeiras muito mais altas. Lula promoveu uma grande inversão política no país, ao colocar cadeiras da mesma altura. Essa mudança democrática do país ainda está em fase de consolidação”, afirmou o chefe do Executivo gaúcho.
Para Tarso, esse nivelamento da altura das cadeiras iniciou uma revolução democrática no país. “Essa foi a grande condução que o presidente Lula fez. Ela nos ensina, entre outras coisas, que é necessário revalorizar a política e nada melhor que o espaço do CDES para fazer isso”.
Os três integrantes do CDES-RS que falaram na aberturam do encontro também destacaram, cada um a sua maneira, a mudança que o Conselho implica na relação do Estado com a sociedade. Josecarla Signor, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Farroupilha, defendeu o papel dos conselhos no fortalecimento da visão de que tudo que é público deve estar ao alcance de todos, apontando essa ideia como uma condição para fazer avançar a democracia brasileira. Guiomar Vidor, presidente da Federação dos Empregados no Comércio do RS, destacou as conquistas obtidas pelos trabalhadores nos oito anos de governo Lula e arriscou uma comparação. “O que Getúlio representou para o Brasil no século 20, Lula representa no século 21”. Já o empresário Paulo Tigre, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, elogiou assim a criação e a experiência do Conselhão: “aprendemos que a divergência pode conviver quando se tem condições de diálogo”.
As reuniões regulares, suas conclusões e recomendações encaminhadas ao governo seguem sendo pouco repercutidas nos meios de comunicação, tanto no caso do Conselhão nacional quanto no do Rio Grande do Sul. Neste último, repetindo o que já havia ocorrido em nível nacional, as notícias no início giravam mais em torno das críticas motivadas por uma suspeita de que se estaria querendo esvaziar o trabalho da Assembleia Legislativa. Assim, um dos principais obstáculos que esses conselhos ainda enfrentam é ganhar maior visibilidade para que a população possa ter acesso a debates que tratam de assuntos estratégicos para o desenvolvimento e democratização do Estado.
Fotos: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
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