
Greve na Educação pode antecipar ruptura entre PT e PMDB no RJ
A greve dos professores e demais profissionais da área de educação no Rio de Janeiro se transformou em um importante elemento no avançado processo de ruptura entre o PMDB do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes e seu principal aliado nas administrações municipal e estadual: o PT. Professores petistas que atuam no Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação iniciaram um movimento para exigir que o partido, que ocupa a vice-prefeitura do Rio, se manifeste em favor da mobilização da categoria. Por Maurício Thuswohl.
Maurício Thuswohl
Rio de Janeiro – A falta de diálogo do poder público com a entidade representativa da categoria e a dura resposta que a polícia tem dado nas ruas à greve dos professores e demais profissionais da área de educação no Rio de Janeiro se transformaram em mais um importante elemento no avançado processo de ruptura entre o PMDB do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes e seu principal aliado nas administrações municipal e estadual: o PT. Professores petistas que atuam no Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) iniciaram um movimento para exigir que o partido, que ocupa a vice-prefeitura do Rio com Adilson Pires, se manifeste claramente em favor da mobilização da categoria e contra o Plano de Cargos e Salários enviado à Câmara dos Vereadores – e já aprovado – pelo prefeito.
Na quinta-feira (3), cerca de cem professores petistas das redes municipal e estadual de ensino ocuparam por algumas horas a sede do Diretório Estadual do PT no Rio para exigir que a direção do partido manifeste publicamente seu repúdio ao Plano de Cargos e Salários elaborado pela Prefeitura. Os professores pediram também o rompimento com Paes e a abertura de processos disciplinares internos contra três vereadores da bancada petista na Câmara que votaram pela aprovação do plano. A oposição ao Plano de Cargos e Salários para os profissionais da educação havia sido aprovada pelo Setorial de Educação do PT, mas foi ignorada por três quartos da bancada do partido. O único vereador a votar contra o plano foi Reimont, que hoje (7) organizou novo ato em defesa dos professores e pelo rompimento com o PMDB.
Os professores petistas exigem um posicionamento claro da direção do partido: “Nós fomos cobrar um posicionamento do PT, tanto em nível estadual quanto municipal. Queremos uma nota pública em apoio à luta dos profissionais da educação. Fomos exigir que o Diretório abrisse processo na comissão de ética contra os três vereadores que desrespeitaram o posicionamento do Setorial de Educação do partido, que era contrário ao projeto de Plano de Cargos e Salários que o prefeito enviou à Câmara sem discutir com o Sindicato dos Profissionais da Educação”, afirma Marco Túlio Paolino, militante histórico do PT e diretor do Sepe.
Outro objetivo dos professores é arrancar do vice-prefeito Adilson Pires uma improvável declaração de apoio ao movimento, fato que, na prática, poderia tornar insustentável a manutenção da aliança entre PT e PMDB na administração municipal: “Queremos do vice-prefeito um posicionamento sobre o que se passou. Queremos saber qual a posição dele frente àquela praça de guerra articulada pelo prefeito e pelo governador, ou seja, pelo PMDB. Queremos saber de forma clara qual é a participação dele nesse processo”, diz Marco Túlio.
Procurado pela Carta Maior, que perguntou se ele considerava possível que o PT bancasse o enfrentamento ao Plano de Cargos e Salários para a Educação elaborado pelo governo Paes e ao mesmo tempo permanecesse na vice-prefeitura do Rio, Adilson Pires não deu retorno à reportagem.
Marco Túlio não esconde qual o objetivo último do movimento dos professores petistas: “Estamos exigindo que o partido tome um posicionamento político claro de ruptura com essa aliança, tanto no âmbito municipal quanto estadual. A candidatura do senador Lindbergh Farias expressa isso no âmbito estadual, mas nós defendemos que o PT também entregue os cargos na Prefeitura, porque não dá para você compor com um partido que não negocia com os movimentos sociais, que não respeita os movimentos sociais e trata a questão social como caso de polícia. Isso lembra aquele passado da República Velha, no qual os movimentos sociais eram completamente desconsiderados”, diz o sindicalista.
A direção estadual petista admite que o impasse com o PMDB gerado em torno da reivindicação dos profissionais da educação pode até mesmo acelerar a saída do PT do governo estadual, inicialmente programada para fim de novembro: “Nós vamos decidir isso internamente. Mas, essa questão dos professores, evidentemente, gerou um debate que está pressionando o partido. Então, vamos ver o que vai acontecer. Pode ser que o calendário seja antecipado porque está começando a mudar a posição de vários setores que antes estavam contra e agora estão a favor da saída imediata. Vamos fazer uma consulta à direção nacional e na semana que vem teremos uma reunião da direção estadual para conversar”, diz o presidente estadual do PT no Rio, Jorge Florêncio.
Compatibilidade
Presidente do Diretório Municipal do PT, Alberes Lima afirma que o partido no Rio de Janeiro está ao lado dos profissionais da educação e que sua direção oficializará essa posição em uma reunião que acontecerá na quinta-feira (10): “Vamos aprovar uma nota pública pedindo ao prefeito Eduardo Paes que abra negociação com os professores”, diz. O dirigente petista não acha que esse apoio ao movimento grevista torne incompatível a presença do partido na administração municipal: “Seria incompatível com a história do PT se nós estivéssemos contra os professores. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O PT pediu voto aos eleitores dizendo que iria governar a cidade do Rio de Janeiro. Nós temos o Adilson Pires, que é vice-prefeito”, diz.
“Uma coisa é a greve da categoria, na qual nós estamos a favor dos companheiros do sindicato contra a Secretaria de Educação e estamos pressionando para que se abra negociação. Outra coisa é a responsabilidade que nós temos para com as pessoas a quem pedimos votos, a quem pedimos para votar em uma chapa com Eduardo Paes e Adilson Pires, com PT e PMDB. Não é porque tem uma greve de uma categoria que a gente rompe uma aliança que governa o Rio, governa o Brasil. Imagina se, a cada posição diferenciada, o PMDB quisesse sair do governo Dilma”, continua Alberes.
Conversa com Lula
A queda-de-braço entre professores, prefeitura e governo estadual no Rio e seus efeitos sobre a cada vez mais desgastada relação com o PMDB no estado serão objeto de discussão durante a reunião que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, terá com integrantes da direção estadual do partido nos próximos dias, em data e local ainda a serem confirmados: “No dia em que o Rui Falcão vier ao Rio de Janeiro para discutir com o partido, nós vamos realizar uma nova manifestação, exigindo um posicionamento do PT também em nível nacional em relação à mobilização dos profissionais da educação e à postura reacionária e agressiva do PMDB para com o movimento”, adianta Marco Túlio Paolino.
No mesmo dia em que os professores petistas ocupavam o Diretório Estadual do partido, Sérgio Cabral e Eduardo Paes se reuniram no Rio com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a assessoria de Lula, que não falou com jornalistas após o encontro, a conversa serviu para uma “atualização do cenário político no Rio” e teria se concentrado sobre “as perspectivas do novo quadro eleitoral” após a saída de Marina Silva (ela ainda não havia anunciado sua filiação ao PSB) do quadro sucessório presidencial. A greve da educação, no entanto, também teria sido citada pelo ex-presidente: “A gente imagina que, após a comoção provocada por policiais comandados pelo PMDB espancando professores e funcionários, isso tenha entrado na pauta de discussão do Lula com o governador e o prefeito”, diz o diretor do Sepe.
Na quinta-feira (3), cerca de cem professores petistas das redes municipal e estadual de ensino ocuparam por algumas horas a sede do Diretório Estadual do PT no Rio para exigir que a direção do partido manifeste publicamente seu repúdio ao Plano de Cargos e Salários elaborado pela Prefeitura. Os professores pediram também o rompimento com Paes e a abertura de processos disciplinares internos contra três vereadores da bancada petista na Câmara que votaram pela aprovação do plano. A oposição ao Plano de Cargos e Salários para os profissionais da educação havia sido aprovada pelo Setorial de Educação do PT, mas foi ignorada por três quartos da bancada do partido. O único vereador a votar contra o plano foi Reimont, que hoje (7) organizou novo ato em defesa dos professores e pelo rompimento com o PMDB.
Os professores petistas exigem um posicionamento claro da direção do partido: “Nós fomos cobrar um posicionamento do PT, tanto em nível estadual quanto municipal. Queremos uma nota pública em apoio à luta dos profissionais da educação. Fomos exigir que o Diretório abrisse processo na comissão de ética contra os três vereadores que desrespeitaram o posicionamento do Setorial de Educação do partido, que era contrário ao projeto de Plano de Cargos e Salários que o prefeito enviou à Câmara sem discutir com o Sindicato dos Profissionais da Educação”, afirma Marco Túlio Paolino, militante histórico do PT e diretor do Sepe.
Outro objetivo dos professores é arrancar do vice-prefeito Adilson Pires uma improvável declaração de apoio ao movimento, fato que, na prática, poderia tornar insustentável a manutenção da aliança entre PT e PMDB na administração municipal: “Queremos do vice-prefeito um posicionamento sobre o que se passou. Queremos saber qual a posição dele frente àquela praça de guerra articulada pelo prefeito e pelo governador, ou seja, pelo PMDB. Queremos saber de forma clara qual é a participação dele nesse processo”, diz Marco Túlio.
Procurado pela Carta Maior, que perguntou se ele considerava possível que o PT bancasse o enfrentamento ao Plano de Cargos e Salários para a Educação elaborado pelo governo Paes e ao mesmo tempo permanecesse na vice-prefeitura do Rio, Adilson Pires não deu retorno à reportagem.
Marco Túlio não esconde qual o objetivo último do movimento dos professores petistas: “Estamos exigindo que o partido tome um posicionamento político claro de ruptura com essa aliança, tanto no âmbito municipal quanto estadual. A candidatura do senador Lindbergh Farias expressa isso no âmbito estadual, mas nós defendemos que o PT também entregue os cargos na Prefeitura, porque não dá para você compor com um partido que não negocia com os movimentos sociais, que não respeita os movimentos sociais e trata a questão social como caso de polícia. Isso lembra aquele passado da República Velha, no qual os movimentos sociais eram completamente desconsiderados”, diz o sindicalista.
A direção estadual petista admite que o impasse com o PMDB gerado em torno da reivindicação dos profissionais da educação pode até mesmo acelerar a saída do PT do governo estadual, inicialmente programada para fim de novembro: “Nós vamos decidir isso internamente. Mas, essa questão dos professores, evidentemente, gerou um debate que está pressionando o partido. Então, vamos ver o que vai acontecer. Pode ser que o calendário seja antecipado porque está começando a mudar a posição de vários setores que antes estavam contra e agora estão a favor da saída imediata. Vamos fazer uma consulta à direção nacional e na semana que vem teremos uma reunião da direção estadual para conversar”, diz o presidente estadual do PT no Rio, Jorge Florêncio.
Compatibilidade
Presidente do Diretório Municipal do PT, Alberes Lima afirma que o partido no Rio de Janeiro está ao lado dos profissionais da educação e que sua direção oficializará essa posição em uma reunião que acontecerá na quinta-feira (10): “Vamos aprovar uma nota pública pedindo ao prefeito Eduardo Paes que abra negociação com os professores”, diz. O dirigente petista não acha que esse apoio ao movimento grevista torne incompatível a presença do partido na administração municipal: “Seria incompatível com a história do PT se nós estivéssemos contra os professores. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O PT pediu voto aos eleitores dizendo que iria governar a cidade do Rio de Janeiro. Nós temos o Adilson Pires, que é vice-prefeito”, diz.
“Uma coisa é a greve da categoria, na qual nós estamos a favor dos companheiros do sindicato contra a Secretaria de Educação e estamos pressionando para que se abra negociação. Outra coisa é a responsabilidade que nós temos para com as pessoas a quem pedimos votos, a quem pedimos para votar em uma chapa com Eduardo Paes e Adilson Pires, com PT e PMDB. Não é porque tem uma greve de uma categoria que a gente rompe uma aliança que governa o Rio, governa o Brasil. Imagina se, a cada posição diferenciada, o PMDB quisesse sair do governo Dilma”, continua Alberes.
Conversa com Lula
A queda-de-braço entre professores, prefeitura e governo estadual no Rio e seus efeitos sobre a cada vez mais desgastada relação com o PMDB no estado serão objeto de discussão durante a reunião que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, terá com integrantes da direção estadual do partido nos próximos dias, em data e local ainda a serem confirmados: “No dia em que o Rui Falcão vier ao Rio de Janeiro para discutir com o partido, nós vamos realizar uma nova manifestação, exigindo um posicionamento do PT também em nível nacional em relação à mobilização dos profissionais da educação e à postura reacionária e agressiva do PMDB para com o movimento”, adianta Marco Túlio Paolino.
No mesmo dia em que os professores petistas ocupavam o Diretório Estadual do partido, Sérgio Cabral e Eduardo Paes se reuniram no Rio com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a assessoria de Lula, que não falou com jornalistas após o encontro, a conversa serviu para uma “atualização do cenário político no Rio” e teria se concentrado sobre “as perspectivas do novo quadro eleitoral” após a saída de Marina Silva (ela ainda não havia anunciado sua filiação ao PSB) do quadro sucessório presidencial. A greve da educação, no entanto, também teria sido citada pelo ex-presidente: “A gente imagina que, após a comoção provocada por policiais comandados pelo PMDB espancando professores e funcionários, isso tenha entrado na pauta de discussão do Lula com o governador e o prefeito”, diz o diretor do Sepe.
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