segunda-feira, 22 de julho de 2013

China e EUA mais próximos contra as mudanças climáticas


China e EUA mais próximos contra as mudanças climáticas

A China e os Estados Unidos acordaram um conjunto de iniciativas que poderão ajudar a reduzir as emissões dos gases de efeito estufa por suas respectivas economias, as maiores e mais contaminantes do mundo. Por Carey L. Biron, da IPS, em Washington

Washington – A China e os Estados Unidos acordaram um conjunto de iniciativas que poderão ajudar a reduzir as emissões dos gases de efeito estufa por suas respectivas economias, as maiores e mais contaminantes do mundo.

Organizações ambientais aplaudiram a notícia inicial do acordo alcançado entre a quarta e a quinta-feira (10 e 11 deste mês). Além disso, parece que as relações entre as duas potências melhoraram um pouco, o que poderá servir como base para uma nova cooperação importante nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas.

“Foi uma das melhores sessões sobre mudanças climáticas que participei”, declarou na quinta-feira um porta-voz do governo de Barack Obama.

“Não só estiveram presentes autoridades de ambos os países, mas também ocorreram intercâmbios francos, interessantes e o mais importante, houveram propostas para promover a cooperação”, completou.

Os dois países concordaram em concentrar-se em grandes âmbitos, a redução das emissões derivadas do transporte pesado, o fortalecimento da eficiência energética e a melhora na coleta de informações relativas aos gases contaminantes.

Washington e Beijing também aumentarão as pesquisas sobre tecnologias de “captura de carbono” nas usinas de geração eléctrica a carvão, e colaborarão na construção de novas redes elétricas “inteligentes”, para que sejam mais eficientes e também possam incorporar mais facilmente fontes renováveis e geração distribuída (a que se origina de várias alternativas energéticas pequenas).

As conversações bilaterais também avançaram sobre as modalidades de outro acordo histórico alcançado entre Obama e o presidente da China Xi Jinping em junho, a redução da quantidade de hidrofluorcarbonos (conhecidos por sua sigla HFC), utilizados como refrigeradores e em ar-condicionados, que os dois países usam e produzem.

“Claramente despontam como alguns dos maiores setores em termos da liberação dos gases de efeito estufa – construção, transporte e energia – que, juntos, concentram a maioria das emissões de ambos os países”, disse Alden Meyer, diretor do escritório da União de Cientistas Preocupados, em Washington em entrevista concedida à IPS.

“Mas por enquanto é difícil estimar o impacto real sobre as emissões sem conhecer mais detalhes”, pontuou.

“A questão fundamental é, se essas iniciativas só ajudarão aos dois países a alcançar os objetivos de redução de emissões já estabelecidos para daqui à 2020”, remarcou.

“Seria bom, claro, mas não estaria dando um impulso adicional ao esforço global”, explicou.

A atual política dos Estados Unidos procura, para 2020, uma redução de 17% das emissões contaminantes em relação aos níveis registrados em 2005.

A China, por sua vez, propõe como objetivo central a redução de 40% à 50% na “intensidade de carbono” emitido por sua economia, também para o final desta década.

Não obstante, Meyer apontou que “o mundo todo concorda” em que ambos países têm que fazer muito mais para poder evitar que a temperatura global suba mais de dois graus até o fim deste século. Esse é o atual objetivo coletivo que, segundo alertam especialistas, constitui um limite perigoso.

Estas conversações bilaterais também são consideradas um grande êxito do secretário de Estado estadunidense John Kerry, conhecido defensor do clima.

Kerry foi fundamental para a criação de um novo grupo de trabalho sobre mudanças climáticas entre os Estados Unidos e a China, e é dito, que vem promovendo ativamente esse assunto em quase todos os países que visita.

“Não é mais um assunto marginal. Kerry converteu as mudanças climáticas em um ponto forte das conversações políticas, colocando-a entre os mais importantes tópicos da agenda geopolítica, junto à segurança e às questões econômicas”, destacou Meyer.

“Também ajudou que o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Agência Internacional de Energia alertassem que as mudanças climáticas são uma grande ameaça para o desenvolvimento, assim como para a economia mundial”, acrescentou.

Remendando a desconexão
As mudanças climáticas não foram o único assunto tratado durante a cúpula entre a China e os Estados Unidos, conhecida como Diálogo Estratégico e Econômico, mas foi um dos mais notáveis. No encontro foram mostrados os resultados iniciais do grupo de trabalho criado em abril para o tema.

“Queremos demostrar ao mundo que as duas maiores economias podem cooperar para ajudar na resolução dos desafios ambientais”, declarou na semana passada um porta-voz do governo dos Estados Unidos.

O grupo leva adiante um trabalho especialmente intensivo quanto as mudanças climáticas, o que se espera que continue.

Pressupõe-se que, em outubro, o grupo chegue a um acordo sobre a implementação das cinco primeiras iniciativas.

O governo de Obama deu a entender que o tema das mudanças climáticas permanecerá na agenda anual do Diálogo Estratégico e Econômico, que incluirá a revisão anual das iniciativas empreendidas, assim como o lançamento de novas ações.

Os resultados do intercâmbio da semana passada poderão servir como plataforma para impactar nas negociações internacionais que antecederão à cúpula de Paris de 2015, quando os governantes do mundo se reunirão para desenhar um novo acordo global contra o aquecimento planetário.

“Há um renovado impulso no intercâmbio entre a China e os Estados Unidos sobre mudanças climáticas. Os esforços bilaterais são fundamentais e essa colaboração é uma injeção adicional para abordar o tema em escala mundial”, é o que diz um comunicado de Jennifer Morgan, diretora do programa de clima e energia do World Resources Institute, grupo de estudo com sede em Washington.

“Essas ações ajudam a criar confiança e a melhorar a cooperação entre dois grandes países. Os benefícios são claros. Agora necessitamos que medidas sejam tomadas para redução das emissões contaminantes no mundo e as/para o aproveitamento de oportunidades econômicas em um futuro com menos dióxido de carbono”, completou.

Meyer, da União de Cientistas Preocupados, afirmou que a desconexão entre esses dois países quanto as mudanças climáticas constituiu um obstáculo chave no avanço das negociações internacionais dos últimos anos.
“Conforme ocorra essa cooperação no cenário atual, esperemos que resulte em uma associação mais útil nas negociações para um acordo posterior a 2020”, observou.

“Em Paris, em 2015, precisaremos de um amplo compromisso e cooperação entre os governantes das grandes potências, o que não tivemos antes, na cúpula de Copenhague (2009)”, afirmou.

“Contar com essa nova relação, dois anos antes da cúpula de Paris, é algo bom. Será essencial esse nível de compromisso entre os governantes”, sublinhou Mayer.

Tradução: Liborio Júnior

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